Questão de Medicina — Oftalmologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg684835
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico (Oftalmologia - Estrabismo)
- Afina – novos
- Bfina – velhos
- Cespessa – novos
- Despessa – velhos
- Eplana – novos
GabaritoB — fina – velhos
Gabarito: letra B. O Ocular Hypertension Treatment Study (OHTS) demonstrou que pacientes com córnea central mais fina e pacientes mais velhos apresentam maior risco de conversão para glaucoma. A espessura corneana central é um fator de risco independente: córneas mais finas associam-se a maior risco de progressão, e a idade avançada é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença.
A hipertensão ocular (HO) é definida como pressão intraocular (PIO) elevada (acima de 21 mmHg) sem dano glaucomatoso evidente no nervo óptico ou no campo visual. O OHTS, publicado por Kass et al. em 2002, foi um estudo prospectivo e randomizado que acompanhou pacientes com HO para identificar quais fatores prediziam a conversão para glaucoma primário de ângulo aberto (GPAA). Os resultados identificaram diversos fatores de risco, entre os quais se destacam: idade avançada, espessura corneana central reduzida, PIO basal mais alta, escavação do disco óptico aumentada e padrão de campo visual com desvio padrão elevado.
A espessura corneana central (ECC) é medida pela paquimetria ultrassônica. A ECC média varia entre 534 e 556 micrômetros, conforme a etnia. Córneas mais finas tendem a subestimar a PIO medida pela tonometria de aplanação, enquanto córneas mais espessas a superestimam. Apesar dessa influência na medida, o OHTS demonstrou que a ECC reduzida é um fator de risco independente para a progressão para glaucoma, não apenas um artefato de medição. Isso significa que, mesmo com a PIO "corrigida", pacientes com córneas finas têm maior risco de desenvolver a doença.
A idade é outro fator de risco bem estabelecido. A prevalência do glaucoma aumenta significativamente com a idade, sendo de 2% a 3% na população acima de 40 anos, com aumento progressivo conforme o envelhecimento. No OHTS, cada década adicional de idade aumentou o risco de conversão para glaucoma em aproximadamente 30%. A combinação de córnea fina e idade avançada confere risco ainda maior.
A banca explora a associação entre espessura corneana e risco de glaucoma. A pegadinha está em inverter a relação: muitos candidatos podem pensar que córnea mais espessa (por "proteger" mais o olho) teria maior risco, mas o estudo demonstrou exatamente o oposto. Da mesma forma, a relação com a idade é direta: quanto mais velho, maior o risco.
Guarde a associação: córnea fina + idade avançada = maior risco de conversão para glaucoma. É exatamente essa combinação que as alternativas testam.
Afirma que pacientes com córnea fina e pacientes mais novos têm maior risco. A primeira parte está correta (córnea fina é fator de risco), mas a segunda inverte a relação: são os pacientes mais velhos, e não os mais novos, que apresentam maior risco de desenvolver glaucoma. A idade avançada é um fator de risco clássico e bem documentado.
Corresponde exatamente aos achados do OHTS: pacientes com córnea central mais fina e pacientes mais velhos apresentam maior risco de conversão para glaucoma. A espessura corneana central reduzida é um fator de risco independente, e a idade avançada é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença.
Afirma que pacientes com córnea espessa e pacientes mais novos têm maior risco. Ambas as relações estão invertidas: córnea espessa está associada a menor risco (e tende a superestimar a PIO), e pacientes mais novos têm menor risco que os mais velhos.
Afirma que pacientes com córnea espessa e pacientes mais velhos têm maior risco. A segunda parte está correta (idade avançada é fator de risco), mas a primeira inverte a relação: córnea espessa está associada a menor risco de conversão para glaucoma, não maior.
Afirma que pacientes com córnea plana e pacientes mais novos têm maior risco. O termo "plana" não é utilizado no contexto do OHTS para descrever a córnea — o fator avaliado é a espessura corneana central, não a curvatura. Além disso, a relação com a idade está invertida: o risco é maior em pacientes mais velhos.
A banca explora a inversão da relação entre espessura corneana e risco de glaucoma. O candidato pode pensar que uma córnea mais espessa "protegeria" mais o olho, mas o OHTS demonstrou o contrário: córnea fina é fator de risco independente. Fique atento também à relação com a idade — o risco aumenta com o envelhecimento, não diminui.
Para questões sobre fatores de risco do glaucoma, memorize a tríade clássica do OHTS: idade avançada, córnea fina e PIO elevada. Se a alternativa trouxer "córnea espessa" ou "pacientes jovens" como fatores de risco, está incorreta. Associe também: córnea fina subestima a PIO; córnea espessa superestima.
Gabarito: letra B
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