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Questão de Medicina — Oftalmologia — FUNDATEC 2026

MedicinaOftalmologia
Código
qg684842
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Oftalmologia - Estrabismo)
Qual é o defeito campimétrico esperado em um paciente com lesão no trato óptico?
  1. AHemianopsia homônima ipsilateral à lesão.
  2. BHemianopsia homônima contralateral à lesão.
  3. CHemianopsia bitemporal.
  4. DHemianopsia binasal.
  5. EEscotoma juncional.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Hemianopsia homônima contralateral à lesão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Defeitos campimétricos e localização topográfica das lesões da via óptica

Gabarito: letra B. Lesão no trato óptico produz hemianopsia homônima contralateral à lesão, tipicamente incongruente, com alteração do reflexo pupilar à luz. A regra decorre da anatomia da via óptica: as fibras nasais de cada olho cruzam no quiasma, de modo que o trato óptico carrega informação do hemicampo contralateral de ambos os olhos.

A via óptica é o caminho que leva a informação visual da retina até o córtex occipital. Ela é composta, em sequência, por: nervo óptico, quiasma óptico, trato óptico, corpo geniculado lateral, radiações ópticas e córtex visual. Cada uma dessas estações tem um padrão característico de defeito campimétrico, e é exatamente essa correlação topográfica que a questão cobra.

O ponto-chave é entender o que acontece no quiasma óptico. As fibras provenientes da retina nasal de cada olho (que captam o campo visual temporal) cruzam para o lado oposto; as fibras da retina temporal (que captam o campo visual nasal) permanecem ipsilaterais. Assim, após o quiasma, o trato óptico direito carrega as fibras da retina nasal direita e da retina temporal esquerda — ou seja, a informação do hemicampo visual esquerdo de ambos os olhos. Por isso, uma lesão no trato óptico direito causa perda do hemicampo esquerdo nos dois olhos: uma hemianopsia homônima contralateral à lesão.

A tabela abaixo resume os defeitos campimétricos típicos de cada localização, conforme a literatura oftalmológica:

Localização da lesão

Anormalidade campimétrica

Nervo óptico

Escotoma central/cecocentral ipsilateral, com redução da acuidade visual

Quiasma óptico

Hemianopsia bitemporal

Trato óptico

Hemianopsia homônima não congruente contralateral, com alteração do reflexo pupilar à luz

Corpo geniculado lateral

Hemianopsia homônima não congruente contralateral, sem alteração do reflexo pupilar

Radiações ópticas (lobo temporal)

Quadrantanopsia superior contralateral

Radiações ópticas (lobo parietal)

Quadrantanopsia inferior contralateral

Córtex visual (lobo occipital)

Hemianopsia homônima congruente contralateral

Guarde a fronteira entre pré-quiasmática (defeitos monoculares, ipsilaterais) e pós-quiasmática (defeitos binoculares, contralaterais): é exatamente nela que as alternativas se dividem.

Via óptica: defeitos campimétricos
  • 1Pré-quiasmática (ipsilateral/monocular)
    • Nervo óptico: escotoma central
    • Junção: escotoma juncional
  • 2Quiasma
    • Bitemporal
    • Binasal (raro)
  • 3Pós-quiasmática (contralateral/binocular)
    • Trato óptico: homônima incongruente
    • Corpo geniculado: homônima incongruente
    • Radiações: quadrantanopsia
    • Córtex: homônima congruente
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a hemianopsia é ipsilateral à lesão. Isso está errado: toda lesão pós-quiasmática (trato óptico, corpo geniculado, radiações ou córtex) produz defeito contralateral, porque as fibras nasais cruzam no quiasma. A banca inverte o lado — armadilha clássica. O defeito ipsilateral é típico de lesões pré-quiasmáticas, como no nervo óptico (escotoma central ipsilateral).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A lesão do trato óptico interrompe as fibras que já cruzaram no quiasma, carregando a informação do hemicampo contralateral de ambos os olhos. Por isso, o defeito é uma hemianopsia homônima contralateral à lesão, tipicamente não congruente (incongruente), e com alteração do reflexo pupilar à luz — pois o trato óptico contém fibras aferentes pupilares. É o padrão descrito na literatura: "Trato óptico: hemianopsia homônima não congruente contralateral, associada à alteração no reflexo pupilar à luz".

Alternativa C — ❌ Incorreta

Hemianopsia bitemporal é o defeito clássico de lesão no quiasma óptico (ex.: tumor hipofisário), não no trato óptico. A lesão quiasmática compromete as fibras nasais de ambos os olhos, que cruzam no quiasma, resultando em perda dos campos temporais bilaterais. A banca troca a localização: quiasma → trato óptico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Hemianopsia binasal é um defeito raro, causado por lesões que comprometem as fibras temporais de ambos os olhos (que não cruzam no quiasma), como aneurismas bilaterais das carótidas internas ou lesões laterais do quiasma. Não é o padrão esperado para lesão do trato óptico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Escotoma juncional é o defeito típico de lesão na junção do nervo óptico com o quiasma (porção distal do nervo óptico), caracterizado por escotoma cecocentral em um olho associado a defeito temporal superior no outro olho. Não se aplica a lesão isolada do trato óptico, que produz hemianopsia homônima.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter o lado da lesão (ipsilateral × contralateral) e trocar a localização (quiasma × trato óptico). Decore o mapa: pré-quiasmática = ipsilateral/monocular; pós-quiasmática = contralateral/binocular. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte uma tabela mental com as 7 localizações e seus defeitos (nervo óptico → escotoma central; quiasma → bitemporal; trato → homônima incongruente contralateral; corpo geniculado → homônima incongruente contralateral sem DPAR; temporal → quadrantanopsia superior; parietal → quadrantanopsia inferior; occipital → homônima congruente contralateral). Resolva questões repetindo essa tabela até automatizar.

Gabarito: letra B

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