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Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — FUNDATEC 2026

MedicinaOrtopedia e Traumatologia
Código
qg684851
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Ortopedia e Traumatologia Oncológica)
Paciente do sexo feminino, 58 anos, com histórico conhecido de carcinoma de mama, em seguimento oncológico. Apresenta dor progressiva no quadril esquerdo há dois meses, com piora importante à deambulação, não responsiva à radioterapia. A radiografia do fêmur esquerdo mostra lesão óssea agressiva, predominantemente blástica, localizada na região peritrocantérica, medindo 3 cm, com destruição de aproximadamente 60% da cortical, sem fratura evidente no momento. Com base no Sistema de Pontuação para Avaliação de Fraturas Patológicas (Mirels) e nos princípios de tratamento do carcinoma metastático ósseo, qual é a conduta mais adequada?
  1. ATratamento conservador, pois lesões blásticas apresentam baixo risco de fratura.
  2. BRadioterapia isolada, uma vez que a maioria das metástases ósseas responde bem a esse método.
  3. CObservação clínica e analgesia, pois não há fratura patológica instalada.
  4. DFixação cirúrgica apenas após a ocorrência de fratura patológica.
  5. EFixação profilática interna, visando prevenir fratura patológica e reduzir morbidade.
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GabaritoE — Fixação profilática interna, visando prevenir fratura patológica e reduzir morbidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fratura patológica iminente em metástase óssea: conduta

Gabarito: letra E. A paciente apresenta lesão óssea metastática peritrocantérica com destruição de 60% da cortical, o que configura alto risco de fratura patológica iminente. Nesse cenário, a conduta mais adequada é a fixação profilática interna, visando prevenir a fratura e reduzir a morbidade associada. O Sistema de Mirels, que pontua local, dor, tipo de lesão e tamanho, auxilia na decisão, e um escore elevado (≥ 9) indica a necessidade de tratamento cirúrgico profilático.

A doença metastática óssea é uma complicação frequente do carcinoma de mama, e o osso é um dos sítios mais comuns de metástase. Quando uma lesão lítica ou blástica compromete a integridade estrutural do osso, o risco de fratura patológica aumenta significativamente. O Sistema de Mirels é uma ferramenta validada para avaliar esse risco, atribuindo pontos com base em quatro critérios: local da lesão, intensidade da dor, tipo de lesão (lítica, blástica ou mista) e tamanho da lesão em relação à cortical. A pontuação varia de 4 a 12 pontos, e um escore ≥ 9 é considerado indicativo de alto risco, recomendando-se a fixação profilática.

No caso apresentado, a lesão é peritrocantérica (região de alto estresse mecânico), a dor é progressiva e não responsiva à radioterapia, e a destruição de 60% da cortical já ultrapassa o limiar de 50% frequentemente citado como crítico. Mesmo sendo uma lesão predominantemente blástica, o comprometimento cortical extenso confere instabilidade mecânica. A fixação profilática interna, como a haste intramedular ou placa e parafusos, estabiliza o osso, permite deambulação precoce e melhora a qualidade de vida, evitando a morbidade de uma fratura completa, que exigiria procedimento mais complexo e teria pior prognóstico funcional.

A radioterapia, embora seja eficaz para alívio da dor e controle local da doença, não confere estabilidade mecânica imediata e não previne a fratura em lesões com comprometimento cortical importante. O tratamento conservador ou a simples observação são inadequados diante do alto risco de fratura. A fixação cirúrgica apenas após a fratura é uma conduta tardia, associada a maior morbidade, pior recuperação e maior complexidade cirúrgica. Portanto, a abordagem profilática é a mais racional e baseada em evidências.

A decisão de fixar profilaticamente deve ser individualizada, considerando a expectativa de vida da paciente, o estado geral, a carga tumoral e a resposta ao tratamento sistêmico. Em pacientes com doença metastática e boa expectativa de vida, a fixação profilática é claramente benéfica. A avaliação ortopédica e oncológica multidisciplinar é essencial para otimizar o tratamento.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O tratamento conservador é inadequado. Embora lesões blásticas possam ser mais estáveis que as líticas, a destruição de 60% da cortical já compromete gravemente a resistência óssea, independentemente do tipo de lesão. O risco de fratura é alto, e a conduta conservadora não previne a progressão para fratura patológica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A radioterapia isolada é insuficiente. Embora a radioterapia seja eficaz para alívio da dor e controle local da doença metastática, ela não restaura a integridade mecânica do osso comprometido. Em lesões com destruição cortical extensa, a radioterapia não previne a fratura, sendo necessária a estabilização cirúrgica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A observação clínica e analgesia são condutas inadequadas diante do alto risco de fratura. A dor progressiva e a destruição cortical de 60% indicam iminência de fratura, e a simples observação expõe a paciente ao risco de uma fratura patológica, que é um evento mórbido e de difícil manejo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Aguardar a ocorrência da fratura para então operar é uma conduta tardia e inadequada. A fixação profilática é preferível, pois é um procedimento menos complexo, com menor morbidade, recuperação mais rápida e melhores resultados funcionais. A fratura patológica estabelecida exige cirurgia mais extensa e está associada a pior prognóstico.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A fixação profilática interna é a conduta mais adequada. A lesão peritrocantérica com destruição de 60% da cortical representa alto risco de fratura iminente. A estabilização cirúrgica profilática previne a fratura, alivia a dor, permite deambulação precoce e reduz a morbidade, melhorando a qualidade de vida da paciente. O Sistema de Mirels, com escore elevado, corrobora essa indicação.

Gabarito: letra E

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