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Questão de Medicina — Oncologia — FUNDATEC 2026

MedicinaOncologia
Código
qg684857
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Ortopedia e Traumatologia Oncológica)
Em relação ao osteossarcoma, assinale a alternativa correta.
  1. AO osteossarcoma telangiectásico caracteriza-se por intensa produção de osteoide sólido e aspecto predominantemente blástico à radiografia.
  2. BO osteossarcoma parosteal apresenta, tipicamente, invasão precoce da cavidade medular e alto grau histológico desde o diagnóstico.
  3. CO fator prognóstico mais importante no momento do diagnóstico do osteossarcoma é o estádio da doença, especialmente a presença de metástases pulmonares detectáveis.
  4. DA reação periosteal em triângulo de Codman é exclusiva do osteossarcoma convencional e não ocorre em outros tumores ósseos agressivos.
  5. EA ausência de necrose tumoral após quimioterapia neoadjuvante não possui impacto prognóstico significativo.
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GabaritoC — O fator prognóstico mais importante no momento do diagnóstico do osteossarcoma é o estádio da doença, especialmente a presença de metástases pulmonares detectáveis.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Osteossarcoma: subtipos, prognóstico e achados radiológicos

Gabarito: letra C. O estádio da doença no momento do diagnóstico — em especial a presença de metástases pulmonares detectáveis — é o fator prognóstico mais importante no osteossarcoma, pois define o tratamento e a sobrevida. As demais alternativas distorcem características de subtipos específicos, da reação periosteal e do valor prognóstico da necrose tumoral pós-quimioterapia.

O osteossarcoma é o tumor ósseo maligno primário mais comum, caracterizado pela produção de matriz osteoide pelos osteoblastos neoplásicos. Acomete predominantemente crianças, adolescentes e adultos jovens, com pico de incidência na segunda década de vida, e tem predileção pela metáfise de ossos longos, especialmente o fêmur distal, a tíbia proximal e o úmero proximal. A apresentação clínica típica é dor local progressiva e aumento de volume, frequentemente confundida com dor de crescimento ou lesão esportiva, o que pode atrasar o diagnóstico.

O estadiamento do osteossarcoma segue o sistema de Enneking (cirúrgico) e o sistema TNM da AJCC, mas, na prática clínica, o que mais impacta o prognóstico é a presença de doença metastática ao diagnóstico. Aproximadamente 15–20% dos pacientes já apresentam metástases detectáveis, sendo o pulmão o sítio mais comum. A sobrevida em 5 anos para doença localizada é de cerca de 70%, enquanto cai para 20–30% na presença de metástases. Por isso, a avaliação inicial obrigatória inclui radiografia do osso afetado, ressonância magnética local e tomografia de tórax para rastreio de metástases pulmonares.

A quimioterapia neoadjuvante (pré-operatória) é parte fundamental do tratamento, e a resposta histológica — avaliada pela porcentagem de necrose tumoral na peça cirúrgica — é um dos mais fortes preditores de sobrevida. Pacientes com ≥ 90% de necrose (boa resposta) têm prognóstico significativamente melhor do que aqueles com < 90% (má resposta), que se beneficiam de ajuste no esquema quimioterápico adjuvante. A ausência de necrose, portanto, tem impacto prognóstico negativo relevante.

Os subtipos histológicos do osteossarcoma convencional (osteoblástico, condroblástico e fibroblástico) e as variantes de superfície (parosteal, periosteal e de alto grau de superfície) têm comportamentos distintos. O osteossarcoma parosteal, por exemplo, é uma lesão de baixo grau, de crescimento lento, que tipicamente não invade a cavidade medular precocemente e tem bom prognóstico. Já o osteossarcoma telangiectásico é uma variante agressiva, caracterizada por espaços císticos preenchidos por sangue, com pouco osteoide, e aspecto lítico à radiografia — o oposto do que afirma a alternativa A.

A reação periosteal em triângulo de Codman é um achado radiológico clássico de tumores ósseos agressivos, mas não é exclusiva do osteossarcoma. Ela ocorre quando o tumor rompe o córtex e eleva o periósteo, que tenta formar osso novo nas bordas da elevação, criando um triângulo na radiografia. Esse sinal pode ser visto em outros tumores malignos ósseos, como o sarcoma de Ewing, e até em processos infecciosos agressivos (osteomielite). Portanto, a alternativa D erra ao afirmar exclusividade.

A pegadinha central desta questão é a inversão de características entre os subtipos e a desvalorização de fatores prognósticos bem estabelecidos. O candidato que decora apenas o nome dos subtipos sem entender suas particularidades tende a cair nas alternativas A e B. A alternativa C, por sua vez, exige conhecimento do estadiamento e do impacto das metástases, que é o ponto mais cobrado em provas de oncologia ortopédica.

Subtipo / Aspecto

Osteossarcoma Telangiectásico

Osteossarcoma Parosteal

Osteossarcoma Convencional (Osteoblástico)

Produção de osteoide

Pouca

Variável (baixo grau)

Intensa

Aspecto radiológico

Lítico (espaços císticos/hemorrágicos)

Lesão de superfície, bem delimitada

Blástico (esclerótico)

Grau histológico

Alto (agressivo)

Baixo

Alto

Invasão da cavidade medular

Precoce

Rara/tardia

Frequente

Prognóstico

Ruim (agressivo)

Bom

Variável (depende de estádio e necrose)

Osteossarcoma
  • 1Subtipos
    • Convencional
      • osteoblástico, condroblástico, fibroblástico
    • Telangiectásico (lítico, cístico, agressivo)
    • Parosteal (baixo grau, superfície, bom prognóstico)
    • Periosteal (grau intermediário)
    • Alto grau de superfície (agressivo)
  • 2Prognóstico
    • Estádio ao diagnóstico (metástases pulmonares)
    • Necrose tumoral pós-quimioterapia (≥90% = bom)
  • 3Sinais radiológicos
    • Triângulo de Codman (não exclusivo)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O osteossarcoma telangiectásico é uma variante agressiva caracterizada por espaços císticos e hemorrágicos, com pouca produção de osteoide e aspecto predominantemente lítico à radiografia. A alternativa inverte completamente essas características ao afirmar "intensa produção de osteoide sólido e aspecto predominantemente blástico". Essa descrição se aproxima mais do osteossarcoma convencional osteoblástico, que é o subtipo mais comum e produz muito osteoide, com aspecto blástico (esclerótico) à imagem.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O osteossarcoma parosteal é uma variante de baixo grau histológico, de crescimento lento, que se origina na superfície óssea e raramente invade a cavidade medular precocemente. A alternativa afirma exatamente o oposto: "invasão precoce da cavidade medular e alto grau histológico desde o diagnóstico". Essa descrição se aplica ao osteossarcoma de alto grau de superfície, que é uma variante rara e agressiva, ou ao osteossarcoma convencional que invade a medula. O parosteal tem bom prognóstico e tratamento geralmente cirúrgico, com quimioterapia reservada para casos de transformação de alto grau.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O estádio da doença ao diagnóstico, especialmente a presença de metástases pulmonares detectáveis, é o fator prognóstico mais importante no osteossarcoma. A sobrevida em 5 anos para doença localizada é de aproximadamente 70%, enquanto cai para 20–30% na presença de metástases. A tomografia de tórax é obrigatória no estadiamento inicial para detectar essas metástases, que podem ser únicas ou múltiplas e influenciam diretamente a estratégia terapêutica (cirurgia das metástases, quimioterapia mais agressiva). Outros fatores como tamanho do tumor, localização e resposta à quimioterapia neoadjuvante também são importantes, mas o estádio é o que mais determina o prognóstico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O triângulo de Codman é uma reação periosteal que ocorre em tumores ósseos agressivos em geral, não sendo exclusiva do osteossarcoma convencional. O sarcoma de Ewing, por exemplo, frequentemente apresenta essa reação periosteal, assim como outros tumores malignos e até infecções ósseas agressivas. A alternativa erra ao afirmar exclusividade. O que é característico do osteossarcoma é a produção de osteoide tumoral, e não a reação periosteal em si.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A necrose tumoral após quimioterapia neoadjuvante é um dos mais fortes preditores de prognóstico no osteossarcoma. Pacientes com ≥ 90% de necrose (boa resposta) têm sobrevida significativamente maior do que aqueles com < 90% (má resposta). A ausência de necrose indica tumor quimiorresistente, com alto risco de recidiva, e justifica a troca do esquema quimioterápico adjuvante. A alternativa afirma o contrário, desvalorizando um marcador prognóstico essencial.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte características entre subtipos e desvaloriza fatores prognósticos clássicos. No osteossarcoma telangiectásico, o erro é trocar o aspecto lítico/cístico pelo blástico; no parosteal, trocar o baixo grau pelo alto grau; e na necrose tumoral, inverter seu valor prognóstico. Decore as características-chave de cada subtipo e lembre-se: metástases ao diagnóstico = pior prognóstico.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de tumores ósseos, monte uma tabela mental comparando os subtipos: convencional (osteoblástico, condroblástico, fibroblástico), telangiectásico (lítico, cístico, agressivo), parosteal (baixo grau, superfície, bom prognóstico), periosteal (grau intermediário) e de alto grau de superfície (agressivo). Associe cada um ao aspecto radiológico e ao comportamento clínico. E lembre-se: o triângulo de Codman não é exclusivo de nenhum tumor — é sinal de agressividade.

Gabarito: letra C

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