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Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — FUNDATEC 2026

MedicinaOrtopedia e Traumatologia
Código
qg684862
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Ortopedia e Traumatologia Oncológica)
Paciente de 47 anos apresenta dor óssea difusa, fraqueza muscular e histórico de insuficiência renal crônica. Exames de imagem evidenciam área osteolítica expansiva em osso longo, com aspecto semelhante a tumor de células gigantes. Durante a avaliação, o ortopedista considera a possibilidade de tumor marrom associado ao hiperparatireoidismo. Sobre essa condição, assinale a alternativa correta.
  1. AA presença de células gigantes difusamente distribuídas no estroma é característica típica do hiperparatireoidismo.
  2. BA distinção entre tumor marrom e tumor de células gigantes é facilmente estabelecida apenas pelo padrão histológico da lesão focal.
  3. CO tumor marrom representa a forma mais comum de apresentação do hiperparatireoidismo, ocorrendo na maioria dos pacientes.
  4. DO tratamento ortopédico consiste, rotineiramente, na excisão da lesão óssea, independentemente da estabilidade estrutural do osso acometido.
  5. ENo hiperparatireoidismo, o diagnóstico deve ser confirmado por exames laboratoriais, sendo o exame histológico isolado insuficiente para definição diagnóstica.
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GabaritoE — No hiperparatireoidismo, o diagnóstico deve ser confirmado por exames laboratoriais, sendo o exame histológico isolado insuficiente para definição diagnóstica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tumor marrom no hiperparatireoidismo

Gabarito: letra E. No hiperparatireoidismo, o diagnóstico deve ser confirmado por exames laboratoriais (dosagem de cálcio, fósforo, PTH e vitamina D), sendo o exame histológico isolado insuficiente para definição diagnóstica — pois o tumor marrom é histologicamente indistinguível do tumor de células gigantes, e a confirmação da doença sistêmica depende da correlação clínico-laboratorial. Essa é a essência da conduta ortopédica correta diante de uma lesão óssea suspeita em paciente com doença renal crônica.

O tumor marrom é uma lesão óssea lítica e expansiva que ocorre como manifestação da osteíte fibrosa cística, forma grave de doença óssea do hiperparatireoidismo. Ele recebe esse nome pela coloração acastanhada que apresenta macroscopicamente, decorrente de hemorragia e acúmulo de hemosiderina. Histologicamente, é composto por tecido fibroso com proliferação de osteoclastos — as chamadas células gigantes —, o que o torna praticamente idêntico ao tumor de células gigantes (TCG) convencional. Por isso, a distinção entre as duas entidades não pode ser feita apenas pela histologia da lesão focal; é imprescindível correlacionar com o quadro clínico e, sobretudo, com os exames laboratoriais.

No contexto do paciente com insuficiência renal crônica, o hiperparatireoidismo secundário é extremamente comum. A doença renal leva a hipocalcemia, hiperfosfatemia e deficiência de calcitriol, o que estimula cronicamente as paratireoides a produzir PTH em excesso. Esse excesso hormonal promove aumento da reabsorção óssea osteoclástica, com substituição do osso normal por tecido fibroso e formação de lesões císticas — os tumores marrons. A osteíte fibrosa cística, embora tenha se tornado rara no hiperparatireoidismo primário diagnosticado precocemente, ainda é frequente nas formas secundária e terciária associadas à doença renal avançada.

O tratamento do tumor marrom não é primariamente cirúrgico. A abordagem correta é tratar a causa de base: no hiperparatireoidismo secundário à doença renal, o controle do distúrbio mineral (fósforo, cálcio, vitamina D, uso de quelantes de fósforo e calcimiméticos) e, em casos selecionados, a paratireoidectomia. A lesão óssea tende a regredir ou cicatrizar após a correção do hiperparatireoidismo. A cirurgia ortopédica fica reservada para situações específicas, como fratura iminente, instabilidade estrutural ou lesão que não regride após o tratamento clínico adequado. Não se indica excisão rotineira da lesão independentemente da estabilidade do osso.

A pegadinha central desta questão é a semelhança histológica entre o tumor marrom e o tumor de células gigantes. O candidato que memoriza apenas as características histológicas pode ser levado a crer que a distinção é fácil ou que a presença de células gigantes é patognomônica do hiperparatireoidismo — o que não é verdade. A chave está em entender que o diagnóstico do hiperparatireoidismo é essencialmente laboratorial, e que a histologia serve apenas como peça de um quebra-cabeça que inclui clínica, imagem e bioquímica. Guarde essa fronteira: lesão óssea lítica + células gigantes + doença renal crônica = pensar em tumor marrom, mas confirmar com exames laboratoriais.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A presença de células gigantes difusamente distribuídas no estroma é característica tanto do tumor marrom quanto do tumor de células gigantes convencional. Não é um achado típico ou exclusivo do hiperparatireoidismo — pelo contrário, é justamente essa semelhança que dificulta o diagnóstico diferencial entre as duas lesões. A alternativa erra ao atribuir especificidade a um achado histológico inespecífico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A distinção entre tumor marrom e tumor de células gigantes não é facilmente estabelecida apenas pelo padrão histológico. As duas lesões são praticamente idênticas ao microscópio, ambas com células gigantes multinucleadas em estroma fibroso. A diferenciação exige correlação clínico-laboratorial: níveis elevados de PTH, cálcio e fósforo alterados apontam para tumor marrom, enquanto um paciente com dosagens normais e lesão óssea isolada sugere tumor de células gigantes. A alternativa inverte a realidade ao afirmar que a histologia é suficiente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O tumor marrom não é a forma mais comum de apresentação do hiperparatireoidismo. Na verdade, é uma manifestação rara, que ocorre em menos de 2% dos pacientes com hiperparatireoidismo primário nos países onde há rastreamento bioquímico rotineiro. A maioria dos pacientes é assintomática ou apresenta sintomas inespecíficos, sendo o diagnóstico feito por exames laboratoriais de rotina. O tumor marrom é mais frequente nas formas secundária e terciária graves e não controladas, mas ainda assim não é a apresentação mais comum da doença.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O tratamento ortopédico não consiste rotineiramente na excisão da lesão óssea, independentemente da estabilidade estrutural. A conduta correta é tratar o hiperparatireoidismo de base — clínico (controle do distúrbio mineral, calcimiméticos) ou cirúrgico (paratireoidectomia) —, pois a lesão tende a regredir após a correção hormonal. A cirurgia ortopédica é reservada para casos específicos, como fratura iminente, instabilidade estrutural ou lesão que não regride após o tratamento clínico adequado. A alternativa erra ao generalizar a indicação cirúrgica e ao ignorar a necessidade de avaliar a estabilidade do osso.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

No hiperparatireoidismo, o diagnóstico deve ser confirmado por exames laboratoriais, sendo o exame histológico isolado insuficiente para definição diagnóstica. Isso porque o tumor marrom é histologicamente indistinguível do tumor de células gigantes, e a confirmação da doença sistêmica depende da dosagem de cálcio sérico, fósforo, PTH e vitamina D. A histologia pode sugerir a lesão, mas é a bioquímica que fecha o diagnóstico e orienta o tratamento. Essa é a conduta correta e o ponto central da questão.

Gabarito: letra E

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