Questão de Medicina — Ortopedia e Traumatologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Ortopedia e Traumatologia
Código
qg684863
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Ortopedia e Traumatologia Oncológica)
Paciente pediátrico, 9 anos de idade, com sarcoma ósseo de alto grau localizado em fêmur distal, é submetido a ressecção oncológica com intenção de salvamento do membro. Durante o planejamento cirúrgico e reconstrutivo, devem ser consideradas particularidades relacionadas ao crescimento esquelético. Sobre o tema, assinale a alternativa correta.
AEm pacientes pediátricos muito jovens, a amputação permanece como a única opção terapêutica aceitável, uma vez que a reconstrução está associada a resultados funcionais insatisfatórios.
BEm pacientes pediátricos, a desigualdade futura de comprimento dos membros deve ser considerada no planejamento cirúrgico, podendo ser utilizada a ressecção com reconstrução e, em pacientes próximos da maturidade esquelética, o alongamento inicial do membro reconstruído ou a epifisiodese contralateral em momento apropriado.
CA epifisiodese do membro contralateral deve ser realizada rotineiramente no mesmo tempo cirúrgico da ressecção tumoral, independentemente da idade ou do potencial de crescimento.
DAs reconstruções com aloenxerto osteoarticular são isentas de complicações relevantes em pacientes pediátricos e, por isso, constituem a opção preferencial nessa faixa etária.
EAs estratégias reconstrutivas em pacientes pediátricos não diferem das utilizadas em adultos, pois o crescimento residual não interfere no resultado oncológico ou funcional.
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GabaritoB — Em pacientes pediátricos, a desigualdade futura de comprimento dos membros deve ser considerada no planejamento cirúrgico, podendo ser utilizada a ressecção com reconstrução e, em pacientes próximos da maturidade esquelética, o alongamento inicial do membro reconstruído ou a epifisiodese contralateral em momento apropriado.
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Sarcoma ósseo em pacientes pediátricos: particularidades do crescimento esquelético
Gabarito: letra B. Em crianças, o planejamento da ressecção oncológica com salvamento do membro deve obrigatoriamente considerar o crescimento esquelético residual, pois a desigualdade futura de comprimento dos membros é uma preocupação central. A alternativa B está correta ao afirmar que, em pacientes próximos da maturidade esquelética, podem ser utilizadas estratégias como o alongamento inicial do membro reconstruído ou a epifisiodese contralateral em momento apropriado — condutas consagradas na cirurgia ortopédica oncológica pediátrica.
O sarcoma ósseo de alto grau (como o osteossarcoma) em crianças e adolescentes exige ressecção ampla com margens oncológicas adequadas. Diferentemente do adulto, o esqueleto imaturo possui cartilagens de crescimento (fises) que determinam o potencial de crescimento remanescente. A ressecção de um segmento ósseo que inclui a fise distal do fêmur, por exemplo, elimina a contribuição dessa fise para o crescimento do membro, gerando uma discrepância progressiva em relação ao membro contralateral. Por isso, o cirurgião deve estimar o crescimento restante (usando tabelas de crescimento e a idade óssea) e planejar a reconstrução de forma a minimizar a desigualdade final.
As opções reconstrutivas incluem endopróteses (não expansíveis ou expansíveis), aloenxertos osteoarticulares, autoenxertos vascularizados (como a fíbula) e a técnica de rotaplastia. Em pacientes muito jovens, com grande potencial de crescimento, a amputação pode ser considerada, mas não é a única opção aceitável — a reconstrução com salvamento do membro é viável e frequentemente preferida, desde que bem planejada. Em pacientes próximos da maturidade esquelética (por exemplo, adolescentes com pouca ou nenhuma fise remanescente), a discrepância final tende a ser pequena, e estratégias como o alongamento inicial do membro reconstruído (para compensar a perda futura) ou a epifisiodese contralateral (para frear o crescimento do membro sadio) podem ser indicadas. A epifisiodese contralateral, quando indicada, é realizada em momento apropriado, geralmente após a ressecção e com base na previsão da discrepância final — não rotineiramente no mesmo tempo cirúrgico, como afirma a alternativa C.
As reconstruções com aloenxerto osteoarticular, embora úteis, não são isentas de complicações — incluem reabsorção, fratura, infecção e instabilidade articular — e não são a opção preferencial em crianças, justamente pela necessidade de crescimento. As estratégias reconstrutivas em pediatria diferem das do adulto exatamente pelo crescimento residual, que interfere tanto no resultado funcional quanto no oncológico (a preservação das fises pode influenciar a recorrência local). Portanto, a alternativa B é a única que reflete corretamente os princípios do tratamento cirúrgico do sarcoma ósseo em crianças.
A pegadinha central desta questão é a generalização indevida: a banca tenta fazer o candidato acreditar que a amputação é a única opção em crianças pequenas (alternativa A) ou que a epifisiodese deve ser feita sempre no mesmo ato (alternativa C), quando a prática ortopédica oncológica pediátrica é muito mais individualizada e baseada no potencial de crescimento.
Critério
Alternativa B (correta)
Alternativas A, C, D, E (incorretas)
Abordagem da amputação em crianças
Não é a única opção; salvamento de membro é viável e preferido quando possível
A: amputação como única opção em jovens — falso
Planejamento do crescimento residual
Considera desigualdade futura; usa alongamento inicial ou epifisiodese contralateral em momento apropriado
C: epifisiodese rotineira no mesmo ato cirúrgico — falso; E: crescimento residual não interfere — falso
Reconstrução com aloenxerto osteoarticular
Não é isenta de complicações nem preferencial em pediatria
D: isenta de complicações e preferencial — falso
Sarcoma ósseo pediátrico
1Particularidade central
Crescimento esquelético residual
Discrepância futura de comprimento
2Estratégias (próximo à maturidade)
Alongamento inicial do membro reconstruído
Epifisiodese contralateral (momento apropriado)
3Opções reconstrutivas
Endoprótese expansível
Aloenxerto osteoarticular
Autoenxerto vascularizado
Rotoplastia
4Amputação
Não é única opção em crianças
Reservada a casos específicos
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a amputação é a única opção aceitável em pacientes pediátricos muito jovens. Isso é falso: a ressecção com salvamento do membro é possível e frequentemente indicada, mesmo em crianças pequenas, com técnicas como endopróteses expansíveis ou reconstruções biológicas. A amputação é reservada para casos específicos (tumores extensos, envolvimento neurovascular, falha da reconstrução), não como regra. A banca explora a ideia de que crianças muito jovens teriam resultados funcionais ruins com reconstrução, o que não é verdade absoluta.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao afirmar que a desigualdade futura de comprimento deve ser considerada no planejamento e que, em pacientes próximos da maturidade esquelética, podem ser usados o alongamento inicial do membro reconstruído ou a epifisiodese contralateral em momento apropriado. Isso reflete a prática clínica: o alongamento inicial compensa a perda de crescimento prevista, e a epifisiodese contralateral é feita quando a discrepância final estimada justifica, em momento cirúrgico adequado (não necessariamente no mesmo tempo da ressecção).
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a epifisiodese contralateral deve ser realizada rotineiramente no mesmo tempo cirúrgico da ressecção, independentemente da idade ou potencial de crescimento. Isso é incorreto: a epifisiodese é indicada seletivamente, com base na previsão da discrepância final, e geralmente em momento posterior, quando se conhece melhor o crescimento remanescente. Não é rotina e não é independente da idade/potencial de crescimento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que as reconstruções com aloenxerto osteoarticular são isentas de complicações relevantes e são a opção preferencial em pediatria. Isso é falso: aloenxertos têm complicações como reabsorção, fratura, infecção e instabilidade articular. Em crianças, a preferência recai sobre opções que permitam crescimento (endopróteses expansíveis, por exemplo), e o aloenxerto não é isento de complicações.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que as estratégias reconstrutivas em pediatria não diferem das de adultos, pois o crescimento residual não interfere no resultado. Isso é falso: o crescimento residual é um dos fatores mais importantes no planejamento, influenciando tanto o resultado funcional (discrepância de comprimento) quanto o oncológico (preservação de fises pode afetar margens). As estratégias diferem substancialmente.