Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
qg684884
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Otorrinolaringologia - Laringologia)
Qual é a principal característica clínica da disfonia espástica adutora?
AVoz soprosa contínua.
BPerda súbita da voz.
CDisfonia psicogênica.
DEstridor inspiratório.
EVoz tensa com estrangulamento fonatório.
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GabaritoE — Voz tensa com estrangulamento fonatório.
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Disfonia espástica adutora: a voz do estrangulamento fonatório
Gabarito: letra E. A principal característica clínica da disfonia espástica adutora é a voz tensa com estrangulamento fonatório, decorrente da hiperadução das pregas vocais durante a fonação, que gera ataques vocais bruscos e quebras de sonoridade. As demais alternativas descrevem outros quadros vocais ou respiratórios, não a disfonia espástica adutora.
A disfonia espástica (ou distonia laríngea) é um distúrbio neurológico focal do movimento, caracterizado por contrações involuntárias e incoordenadas dos músculos intrínsecos da laringe. Na forma adutora — a mais comum — há contração excessiva dos músculos adutores (tireoaritenóideo, cricoaritenóideo lateral, interaritenóideo), fazendo com que as pregas vocais se fechem com força durante a fonação. O resultado é uma voz que "engasga", com esforço, tensão e estrangulamento, frequentemente acompanhada de tremor e de ataques vocais bruscos. O diagnóstico é essencialmente clínico, pela escuta da voz e pela observação do padrão de esforço, e o tratamento de referência é a aplicação de toxina botulínica nos músculos adutores, que reduz a hipercontração e melhora a fluência vocal.
É importante distinguir a disfonia espástica adutora de outras disfonias e de quadros respiratórios. A voz soprosa (alternativa A) é típica de paralisia de prega vocal em abdução ou de fenda glótica, em que há escape de ar. A perda súbita da voz (alternativa B) pode ocorrer em afonia psicogênica ou em lesões agudas da laringe. A disfonia psicogênica (alternativa C) é um diagnóstico de exclusão, sem base orgânica, e costuma ter características diferentes, como afonia ou falsete. O estridor inspiratório (alternativa D) é um sinal de obstrução de via aérea superior, não uma característica da disfonia espástica. A alternativa E, por sua vez, descreve com precisão o achado cardinal da forma adutora: a voz tensa, com esforço e sensação de estrangulamento, que é o que a banca cobra.
A pegadinha desta questão está em confundir a disfonia espástica adutora com outras disfonias que também cursam com esforço vocal, como a disfonia de tensão muscular, ou com quadros psicogênicos. O candidato que não conhece a semiologia específica pode ser atraído pela alternativa C, mas a disfonia psicogênica não é a principal característica da disfonia espástica — esta tem base neurológica e apresentação típica de estrangulamento. Guarde a tríade: tensão + esforço + estrangulamento = disfonia espástica adutora.
Disfonia espástica adutora: Mecanismo (Distonia laríngea focal, Hiperadução das pregas vocais); Característica principal (Voz tensa com estrangulamento fonatório, Ataques vocais bruscos, Quebras de sonoridade); Tratamento de referência (Toxina botulínica); Diagnóstico diferencial (Voz soprosa → paralisia em abdução, Perda súbita → afonia psicogênica, Estridor inspiratório → obstrução de via aérea)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A voz soprosa contínua é característica de paralisia de prega vocal em abdução ou de fenda glótica, em que há escape de ar durante a fonação. Na disfonia espástica adutora, ao contrário, há hiperadução das pregas vocais, com fechamento excessivo, e não escape de ar. A banca troca o padrão de coaptação glótica: soprosidade indica fenda, enquanto o estrangulamento indica hipercontração adutora.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A perda súbita da voz (afonia súbita) não é a principal característica da disfonia espástica adutora. Esse quadro é mais típico de afonia psicogênica ou de lesão aguda da laringe (como hemorragia vocal). Na disfonia espástica, a voz não se perde de forma súbita; ela apresenta quebras e esforço, mas há emissão vocal, ainda que com qualidade alterada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A disfonia psicogênica é um diagnóstico de exclusão, sem alteração orgânica demonstrável, e não é a principal característica da disfonia espástica adutora. Embora ambas possam cursar com esforço vocal, a disfonia espástica tem base neurológica (distonia focal) e apresenta padrão específico de estrangulamento, enquanto a psicogênica costuma ter características como afonia, falsete ou voz bitonal, e responde a abordagens psicoterápicas. A banca oferece essa alternativa para testar se o candidato sabe diferenciar a origem orgânica da funcional.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O estridor inspiratório é um sinal de obstrução de via aérea superior (como estenose laríngea, corpo estranho ou edema de glote), não uma característica da disfonia espástica adutora. Na disfonia espástica, o comprometimento é da fonação, não da respiração; o estridor é um ruído respiratório, não vocal. A banca troca o sintoma vocal por um sinal respiratório, o que é uma armadilha clássica.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A voz tensa com estrangulamento fonatório é a descrição clássica da disfonia espástica adutora. A hiperadução das pregas vocais durante a fonação gera um ataque vocal brusco, com esforço e sensação de estrangulamento, frequentemente acompanhado de tremor e quebras de sonoridade. Essa é a principal característica clínica que a banca cobra, e a alternativa E a descreve com precisão.