Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg684927
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Pediatria)
Uma criança com hemofilia apesenta dor e aumento de volume no joelho direito após trauma leve. Não há febre nem sinais infecciosos. Existem episódios semelhantes prévios. A partir desse quadro, qual é a manifestação mais provável?
AArtrite séptica.
BSinovite transitória.
CHemartrose.
DOsteomielite.
EEdema inflamatório inespecífico.
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GabaritoC — Hemartrose.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hemofilia e hemartrose: sangramento articular na criança
Gabarito: letra C — Hemartrose. Criança com hemofilia, dor e aumento de volume no joelho após trauma leve, sem febre e com episódios semelhantes prévios, tem como manifestação mais provável o sangramento intra-articular (hemartrose), complicação clássica e recorrente das hemofilias A e B. O diagnóstico diferencial com artrite séptica é afastado pela ausência de febre e sinais infecciosos, e a sinovite transitória não se relaciona à diátese hemorrágica.
A hemofilia é uma coagulopatia hereditária ligada ao cromossomo X, caracterizada pela deficiência dos fatores VIII (hemofilia A) ou IX (hemofilia B). Essa deficiência compromete a cascata de coagulação, tornando o paciente propenso a sangramentos espontâneos ou desencadeados por traumas mínimos. Os sangramentos profundos — musculares e articulares — são a marca da doença: os hematomas intramusculares e as hemartroses ocorrem, na maioria das vezes, de modo espontâneo ou tardiamente após pequenos traumas, exatamente como descrito no enunciado.
A hemartrose é o acúmulo de sangue na cavidade articular. No paciente hemofílico, as articulações mais acometidas são joelho, cotovelo, tornozelo e ombro — e o joelho é um dos sítios mais frequentes. O quadro clínico típico começa com uma sensação de calor e formigamento (pródromo de cerca de 2 horas), seguida de dor, aumento do volume articular, elevação local da temperatura e limitação progressiva do movimento. A ausência de febre e de comprometimento do estado geral ajuda a diferenciar do processo infeccioso, embora o texto de apoio ressalve que febre e alteração do estado geral possam sugerir infecção associada ou não ao sangramento.
O diagnóstico diferencial das dores articulares na infância é amplo e inclui artrite séptica, sinovite transitória, osteomielite e causas inflamatórias como a artrite idiopática juvenil. No caso apresentado, três pistas conduzem à hemartrose: (1) o diagnóstico prévio de hemofilia; (2) o trauma leve como gatilho; (3) a recorrência de episódios semelhantes. A artrite séptica, principal preocupação, cursa com febre alta (> 38,5 °C), dor intensa à mobilização, impotência funcional e comprometimento sistêmico — elementos ausentes no enunciado. A sinovite transitória é autolimitada, mais comum em meninos de 3 a 10 anos, frequentemente precedida por infecção viral, e não tem relação com distúrbio hemorrágico. A osteomielite acomete o osso, com dor profunda, febre e sinais sistêmicos. O edema inflamatório inespecífico é um termo vago que não explica a recorrência nem a associação com a coagulopatia.
A pegadinha da banca está em oferecer alternativas infecciosas e inflamatórias (artrite séptica, osteomielite, sinovite transitória) para testar se o candidato reconhece o padrão hemorrágico da hemofilia. O termo-chave é a combinação "hemofilia + trauma leve + episódios prévios + ausência de febre": isso aponta diretamente para o sangramento articular, não para infecção. Guarde essa tríade — ela é o critério decisivo que separa a alternativa correta das demais.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A artrite séptica é a inflamação articular por infecção bacteriana, com comprometimento sistêmico: dor, febre alta (> 38,5 °C), letargia e impotência funcional. No enunciado, a criança não tem febre nem sinais infecciosos, o que afasta essa hipótese. Além disso, a artrite séptica não explica a recorrência de episódios semelhantes em um paciente com hemofilia — o sangramento articular é a complicação esperada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A sinovite transitória é uma inflamação autolimitada da membrana sinovial, causa mais frequente de dor no quadril em crianças de 3 a 10 anos, frequentemente precedida por infecção de vias aéreas superiores ou gastrenterite. Não há relação com diátese hemorrágica, e o quadro descrito (joelho, hemofilia, trauma leve, recorrência) não se encaixa nesse diagnóstico. A ausência de febre não é suficiente para diferenciá-la, mas a história de hemofilia e os episódios prévios de dor articular apontam para outra direção.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hemartrose é o sangramento intra-articular, complicação característica das hemofilias A e B. Ocorre espontaneamente ou após traumas leves, acomete preferencialmente joelho, cotovelo, tornozelo e ombro, e se manifesta com dor, aumento de volume, calor local e limitação do movimento. A ausência de febre e a recorrência de episódios semelhantes em paciente hemofílico confirmam o diagnóstico. O texto de apoio descreve exatamente esse quadro: "Os hematomas, principalmente os intramusculares, e as hemartroses são exemplos de sangramentos profundos e característicos de deficiência dos fatores da coagulação... Ocorrem, na maioria das vezes, de modo espontâneo ou tardiamente após pequenos traumas."
Alternativa D — ❌ Incorreta
A osteomielite é a infecção do osso, geralmente por via hematogênica, com dor profunda, febre, sinais inflamatórios locais e comprometimento do estado geral. No caso, não há febre nem sinais infecciosos, e a história de hemofilia com episódios articulares recorrentes aponta para sangramento, não para infecção óssea. A osteomielite não é complicação típica da hemofilia.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Edema inflamatório inespecífico" é um termo genérico que não corresponde a um diagnóstico definido e não explica a associação com hemofilia, o trauma leve e a recorrência dos episódios. A manifestação mais provável no contexto é a hemartrose, que tem fisiopatologia e apresentação clínica bem caracterizadas.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece alternativas infecciosas (artrite séptica, osteomielite) e inflamatórias (sinovite transitória) para confundir o candidato. A armadilha está em ignorar o contexto hemorrágico: hemofilia + trauma leve + episódios prévios + ausência de febre = hemartrose. Na dúvida, lembre-se de que a hemofilia sangra, não infecta — a febre e o comprometimento sistêmico são os sinais que apontariam para infecção.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar hemartrose de artrite séptica, use o quadro clínico: hemartrose = dor, aumento de volume, calor local, sem febre, em paciente com coagulopatia; artrite séptica = febre alta, dor intensa à mobilização, impotência funcional, comprometimento sistêmico. Se houver dúvida, hemograma, VHS, PCR e cultura do líquido sinovial ajudam a distinguir.