Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg684933
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Pediatria)
Em relação à hipertensão arterial na infância, assinale a alternativa INCORRETA.
AEm crianças menores de três anos com fatores de risco (prematuridade, doença renal ou cardiovascular), a medida da Pressão Arterial (PA) deve ser feita em cada consulta pediátrica.
BNa faixa etária entre 1 e 13 anos, considera-se hipertensão arterial elevada se PA ≥p90 e <p95,conforme sexo, idade e altura, ou PA 120/80 mmHg, mas inferior ao p95 (o que for menor).
CAs causas mais comuns de hipertensão arterial sistêmica secundária são a doença renal e renovascular.
DCrianças com 6 anos ou mais, com história familiar de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e sobrepeso/obesidade, apresentam, na maioria das vezes, perfil característico de HAS primária.
ECrianças com hipertensão arterial sistêmica sem comorbidades no estágio 1 devem receber tratamento farmacológico como prevenção de complicações.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — Crianças com hipertensão arterial sistêmica sem comorbidades no estágio 1 devem receber tratamento farmacológico como prevenção de complicações.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hipertensão arterial na infância: diagnóstico e tratamento
Gabarito: letra E. A alternativa incorreta é a que afirma que crianças com hipertensão arterial sistêmica sem comorbidades no estágio 1 devem receber tratamento farmacológico como prevenção de complicações — na verdade, a diretriz recomenda iniciar com medidas não medicamentosas e só indicar tratamento medicamentoso se não houver controle, ou em casos específicos como doença renal crônica ou diabetes. As demais alternativas estão corretas conforme as diretrizes brasileiras de hipertensão arterial.
A hipertensão arterial na infância é definida por valores de pressão arterial (PA) ≥ percentil 95 para idade, sexo e altura, confirmados em três visitas distintas pelo método auscultatório. A classificação divide-se em PA normal, PA elevada (pré-hipertensão), hipertensão estágio 1 e estágio 2, com pontos de corte específicos para crianças de 1 a 13 anos e para adolescentes a partir de 13 anos. O diagnóstico etiológico é fundamental, pois a hipertensão secundária é mais comum em crianças mais jovens, enquanto a hipertensão primária predomina em adolescentes e em casos de sobrepeso/obesidade.
A diretriz brasileira de 2020 (Barroso et al., Arq Bras Cardiol) estabelece que toda criança e adolescente ≥ 3 anos deve ter a PA verificada anualmente, e crianças < 3 anos devem ter a PA medida em situações específicas como prematuridade, muito baixo peso ao nascer, cardiopatias congênitas, nefrouropatias, entre outras. A avaliação extensa para hipertensão secundária é dispensável em pacientes ≥ 6 anos com sobrepeso ou obesidade, histórico familiar positivo de hipertensão e/ou anamnese e exame clínico sem achados de risco.
O tratamento da hipertensão pediátrica visa o controle da PA, a minimização do risco de lesão de órgãos-alvo e a redução do risco de hipertensão no adulto. Inicia-se terapêutica não medicamentosa para todos os pacientes com PA ≥ percentil 90 ou ≥ 130/80 mmHg (≥ 13 anos), visando redução de peso, exercício físico regular, intervenção dietética e controle de estresse. O tratamento medicamentoso é indicado quando não há controle com medidas não medicamentosas, ou em pacientes com hipertensão estágio 1 e estágio 2 sem um fator claramente modificável (como obesidade), e para qualquer estágio de hipertensão associada à doença renal crônica ou diabetes melito.
A pegadinha desta questão está na alternativa E: ela afirma que crianças com hipertensão estágio 1 sem comorbidades devem receber tratamento farmacológico como prevenção de complicações. Isso contraria a recomendação de iniciar com medidas não medicamentosas primeiro. O tratamento farmacológico não é a primeira linha para todos os casos de estágio 1 sem comorbidades — ele é reservado para quando as medidas não medicamentosas não controlam a PA ou em situações específicas. As demais alternativas estão corretas e refletem as recomendações das diretrizes.
Condição Clínica
Conduta Inicial Recomendada
Indicação de Tratamento Farmacológico
HAS estágio 1 sem comorbidades
Medidas não medicamentosas (mudança de estilo de vida)
Apenas se não houver controle com medidas não medicamentosas
HAS estágio 1 ou 2 sem fator claramente modificável
Medidas não medicamentosas
Indicado (após falha ou ausência de fator modificável)
HAS (qualquer estágio) associada a doença renal crônica ou diabetes
Medidas não medicamentosas + tratamento farmacológico
Indicado imediatamente
Tratamento da HAS infantil
1Medidas não medicamentosas
Primeira linha (estágio 1 sem comorbidades)
Redução de peso, exercício, dieta
2Tratamento farmacológico
Se não controlar com medidas não medicamentosas
Estágio 1/2 sem fator modificável
Qualquer estágio com DRC ou diabetes
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ✅ Correta
A afirmação está correta. Crianças menores de três anos com fatores de risco como prematuridade, doença renal ou cardiovascular devem ter a PA medida em cada consulta pediátrica. A diretriz brasileira de hipertensão arterial de 2020 estabelece que crianças < 3 anos devem ter a PA medida em caso de prematuridade, muito baixo peso ao nascer, restrição de crescimento intrauterino, antecedente de internação em UTI neonatal, cardiopatias congênitas, nefrouropatias, transplante de órgãos sólidos, doença oncológica, uso crônico de medicações que elevam a PA, doenças sistêmicas associadas a hipertensão e evidência de hipertensão intracraniana.
Alternativa B — ✅ Correta
A afirmação está correta. Na faixa etária entre 1 e 13 anos, considera-se pressão arterial elevada se PA ≥ p90 e < p95, conforme sexo, idade e altura, ou PA 120/80 mmHg, mas inferior ao p95 (o que for menor). Esta definição está alinhada com a classificação da diretriz brasileira de hipertensão arterial de 2020, que define PA elevada como PA ≥ P90 e < P95 para idade, sexo e altura, ou PA 120/80 mmHg mas < P95 (o que for menor).
Alternativa C — ✅ Correta
A afirmação está correta. As causas mais comuns de hipertensão arterial sistêmica secundária são a doença renal e renovascular. A hipertensão secundária é mais provável nos mais jovens e naqueles com valores mais elevados de PA. A avaliação etiológica deve incluir exames de eletrólitos, ureia, creatinina, perfil lipídico e urinálise, e métodos de imagem como ultrassonografia renal podem ser complementares.
Alternativa D — ✅ Correta
A afirmação está correta. Crianças com 6 anos ou mais, com história familiar de hipertensão arterial sistêmica e sobrepeso/obesidade, apresentam, na maioria das vezes, perfil característico de hipertensão primária. A diretriz brasileira de 2020 estabelece que a avaliação extensa para hipertensão secundária é dispensável em pacientes ≥ 6 anos com sobrepeso ou obesidade, histórico familiar positivo de hipertensão e/ou com anamnese e exame clínico sem achados de risco. A hipertensão primária prevalece no adolescente e nos casos de sobrepeso/obesidade.
Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A afirmação está incorreta. Crianças com hipertensão arterial sistêmica sem comorbidades no estágio 1 não devem receber tratamento farmacológico como prevenção de complicações de forma imediata. A diretriz recomenda iniciar o tratamento com medidas não medicamentosas, similares às recomendadas para adultos. Se não houver controle, indica-se tratamento medicamentoso em pacientes com hipertensão estágio 1 e estágio 2 sem um fator claramente modificável (como obesidade). O tratamento farmacológico é indicado para qualquer estágio de hipertensão associada à doença renal crônica ou diabetes melito, mas não como primeira linha para todos os casos de estágio 1 sem comorbidades.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte a ordem do tratamento: afirma que o estágio 1 sem comorbidades já recebe tratamento farmacológico, quando a diretriz manda iniciar com medidas não medicamentosas e só partir para fármacos se não houver controle ou em casos específicos (DRC, diabetes). O candidato que decora "estágio 1 = remédio" cai direto na armadilha.
Gabarito: letra E — a única alternativa incorreta, pois o tratamento farmacológico não é a primeira linha para hipertensão estágio 1 sem comorbidades.