Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg684939
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Pediatria)
A diarreia aguda ainda é uma importante causa de morbimortalidade em crianças menores de cinco anos de idade. Sobre o tema, assinale a alternativa INCORRETA.
AÉ caracterizada pela ocorrência de três ou mais evacuações semilíquidas ou líquidas por dia, durando até 14 dias.
BO rotavírus é a principal causa e o agente mais frequente de diarreia grave em crianças menores de cinco anos de idade.
CA Escherichia coli enterotoxigênica está relacionada ao desenvolvimento da síndrome hemolítica urêmica.
DO zinco está indicado para crianças menores de cinco anos de idade, com a finalidade de reduzir a gravidade do quadro.
EOs antibióticos são prescritos para casos de disenteria com comprometimento do estado geral ou para casos de cólera grave.
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GabaritoC — A Escherichia coli enterotoxigênica está relacionada ao desenvolvimento da síndrome hemolítica urêmica.
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Diarreia aguda na infância: etiologia e manejo
Gabarito: letra C. A alternativa incorreta é a que associa a Escherichia coli enterotoxigênica (ETEC) à síndrome hemolítica urêmica (SHU) — essa complicação é classicamente relacionada à E. coli entero-hemorrágica (EHEC), produtora da toxina Shiga (STEC), e não à cepa enterotoxigênica. As demais afirmativas estão corretas quanto à definição, ao agente etiológico mais frequente, à suplementação de zinco e à indicação de antibióticos em casos específicos.
A diarreia aguda é definida pela ocorrência de três ou mais evacuações amolecidas ou líquidas em 24 horas, com duração de até 14 dias. É uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de cinco anos, especialmente em países em desenvolvimento, onde a mediana de episódios pode chegar a seis por ano em lactentes. O rotavírus é historicamente o agente mais frequente de diarreia grave nessa faixa etária, embora, com a ampliação da cobertura vacinal, o norovírus venha ganhando destaque como causa de gastrenterite aguda em serviços de saúde.
A fisiopatologia divide as diarreias em dois grandes grupos: a não inflamatória (aquosa, volumosa, geralmente viral ou por toxinas, sem leucócitos fecais) e a inflamatória (sanguinolenta, com febre, tenesmo e leucócitos fecais, causada por bactérias invasivas como Shigella, Salmonella e Campylobacter). Essa distinção é crucial para a decisão terapêutica, pois o uso de antibióticos é reservado para situações específicas, como disenteria com comprometimento do estado geral e cólera grave.
O manejo da diarreia aguda na infância inclui a reidratação oral como pilar do tratamento, a manutenção da alimentação e a suplementação de zinco por 10 a 14 dias, que reduz a gravidade e a duração do quadro. A antibioticoterapia não é indicada rotineiramente; deve ser considerada em casos de disenteria com sinais de toxemia, cólera grave e, em algumas situações, shiguelose confirmada. É importante lembrar que, na diarreia por E. coli entero-hemorrágica, o uso de antibióticos pode aumentar o risco de desenvolver a síndrome hemolítica urêmica, o que reforça a cautela na prescrição.
A síndrome hemolítica urêmica é uma complicação grave caracterizada pela tríade anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e insuficiência renal aguda, sendo a principal causa de insuficiência renal aguda em crianças. O agente mais associado é a E. coli produtora da toxina Shiga (STEC), especialmente o sorotipo O157:H7, que causa diarreia sanguinolenta. A confusão entre as cepas de E. coli — enterotoxigênica (causa diarreia aquosa do viajante) e entero-hemorrágica (causa colite hemorrágica e SHU) — é o ponto central desta questão.
Guarde a distinção entre as cepas de E. coli: a enterotoxigênica (ETEC) produz toxinas que estimulam a secreção de água e eletrólitos, causando diarreia aquosa; a entero-hemorrágica (EHEC) produz a toxina Shiga, que lesa o endotélio vascular e pode desencadear a SHU. É exatamente essa fronteira que separa a alternativa correta das incorretas.
Cepa de E. coli
Toxina produzida
Mecanismo
Manifestação clínica
Complicação associada
Enterotoxigênica (ETEC)
Enterotoxinas (termolábil e termoestável)
Estimula secreção de água e eletrólitos
Diarreia aquosa (diarreia do viajante)
Não causa SHU
Entero-hemorrágica (EHEC/STEC)
Toxina Shiga
Lesa o endotélio vascular
Colite hemorrágica (diarreia sanguinolenta)
Síndrome hemolítica urêmica (SHU)
Escherichia coli
1ETEC (enterotoxigênica)
Diarreia aquosa
Diarreia do viajante
2EHEC (entero-hemorrágica)
Toxina Shiga
Colite hemorrágica
Síndrome hemolítica urêmica
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Alternativa A — ✅ Correta
A definição de diarreia aguda está correta: três ou mais evacuações semilíquidas ou líquidas por dia, com duração de até 14 dias. Esse é o critério adotado pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde, sendo o ponto de partida para o diagnóstico e a classificação da doença.
Alternativa B — ✅ Correta
O rotavírus é, de fato, a principal causa de diarreia grave em crianças menores de cinco anos, especialmente em países em desenvolvimento. Embora a vacinação tenha reduzido sua incidência, ele permanece como o agente mais frequente de gastroenterite grave nessa faixa etária, conforme dados epidemiológicos globais.
Alternativa C — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO
A Escherichia coli enterotoxigênica (ETEC) não está relacionada à síndrome hemolítica urêmica. Essa complicação é causada pela E. coli entero-hemorrágica (EHEC), também chamada de STEC (produtora da toxina Shiga), que provoca diarreia sanguinolenta e pode evoluir com anemia hemolítica, trombocitopenia e insuficiência renal. A ETEC, por sua vez, causa diarreia aquosa, típica da diarreia do viajante, sem invasão da mucosa e sem associação com SHU.
Alternativa D — ✅ Correta
A suplementação de zinco é recomendada para crianças menores de cinco anos com diarreia aguda, pois reduz a gravidade e a duração do quadro, além de diminuir a recorrência nos três meses seguintes. A dose habitual é de 10 a 20 mg por dia, por 10 a 14 dias, conforme as diretrizes da OMS.
Alternativa E — ✅ Correta
Os antibióticos são indicados em casos específicos de diarreia aguda, como disenteria com comprometimento do estado geral (suspeita de shiguelose) e cólera grave. Na maioria dos casos de diarreia aquosa, especialmente viral, a antibioticoterapia não é recomendada, pois não encurta a doença e pode aumentar o risco de complicações, como no caso da EHEC.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a cepa de E. coli: a enterotoxigênica (ETEC) causa diarreia aquosa, enquanto a entero-hemorrágica (EHEC) é a responsável pela síndrome hemolítica urêmica. Essa é uma confusão clássica em provas de pediatria — memorize a associação correta para não cair na armadilha.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, lembre-se: ETEC = Enterotoxina (diarreia aquosa, do viajante); EHEC = Hemorrágica (diarreia com sangue, SHU). A letra "H" de hemorrágica remete à hemólise e à SHU.
Gabarito: letra C — a única alternativa incorreta é a que associa a ETEC à síndrome hemolítica urêmica.