Avaliação ultrassonográfica do endométrio na pós-menopausa
Gabarito: letra D. O cenário de maior risco de malignidade endometrial é a paciente com sangramento pós-menopausa e endométrio espessado (> 5 mm) e heterogêneo — exatamente o que a alternativa D descreve (7 mm heterogêneo). A presença de sangramento é o principal sinal de alerta, e a espessura endometrial ≥ 5 mm na ultrassonografia transvaginal (US-TV) é o ponto de corte que indica investigação histológica, conforme as diretrizes de ginecologia.
O câncer de endométrio é a neoplasia ginecológica mais comum e tem como manifestação clínica básica o sangramento uterino anormal, especialmente na pós-menopausa. A ultrassonografia transvaginal é o método de escolha para a investigação inicial, pois permite medir a espessura do endométrio e avaliar sua ecotextura. O ponto de corte tradicionalmente utilizado é de 5 mm: endométrio com espessura > 5 mm em mulher pós-menopausada, especialmente na presença de sangramento, indica a necessidade de avaliação histológica (biópsia de endométrio, histeroscopia ou curetagem).
A lógica por trás desse critério é que o endométrio atrófico da pós-menopausa normalmente é fino (≤ 4-5 mm) e homogêneo. Quando há espessamento, especialmente se associado a heterogeneidade (ecotextura irregular, áreas císticas ou nódulos), aumenta-se a suspeita de hiperplasia ou carcinoma endometrial. O sangramento pós-menopausa é o sintoma sentinela: mesmo com endométrio fino, deve ser investigado, mas o risco de malignidade cresce proporcionalmente à espessura e à presença de alterações na ecotextura.
Na prática, a conduta é estratificada: mulher assintomática com endométrio fino (< 5 mm) não requer investigação; mulher com sangramento e endométrio fino (< 4-5 mm) pode ser acompanhada clinicamente, com retorno se houver recidiva; mas mulher com sangramento e endométrio espessado (> 5 mm) ou com ecotextura heterogênea tem indicação formal de biópsia endometrial. A alternativa D combina os dois fatores de maior risco: sangramento presente e endométrio de 7 mm heterogêneo — cenário com probabilidade significativa de carcinoma.
A pegadinha da questão está em comparar cenários que isolam os fatores: algumas alternativas trazem endométrio espessado, mas em pacientes assintomáticas (menor risco); outras trazem sangramento, mas com endométrio fino (menor risco). O aluno deve reconhecer que o risco máximo ocorre quando há sangramento + espessamento + heterogeneidade — a tríade que a alternativa D apresenta. Guarde essa combinação: é ela que separa a alternativa correta das demais.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Paciente assintomática com endométrio de 4 mm homogêneo. Este é o cenário de baixo risco: endométrio fino (≤ 5 mm), homogêneo e sem sangramento. Não há indicação de investigação histológica — a conduta é apenas acompanhamento. O erro está em considerar que um endométrio de 4 mm, mesmo assintomático, representaria risco aumentado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Paciente assintomática com endométrio de 6 mm homogêneo. Embora a espessura de 6 mm ultrapasse o ponto de corte de 5 mm, a ausência de sangramento e a ecotextura homogênea reduzem o risco. Em mulheres assintomáticas, o achado isolado de endométrio levemente espessado tem menor valor preditivo para malignidade. A alternativa erra ao sugerir que esse cenário teria risco maior que aquele com sangramento e endométrio heterogêneo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Paciente com sangramento pós-menopausa e endométrio de 4 mm. O sangramento é um fator de alerta, mas o endométrio de 4 mm está abaixo do ponto de corte de 5 mm. Nesse caso, o risco de malignidade é baixo, e a conduta pode ser conservadora, com orientação de retorno se houver novo sangramento. A alternativa erra ao sugerir que esse cenário teria risco maior que aquele com endométrio de 7 mm heterogêneo.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Paciente com sangramento pós-menopausa e endométrio de 7 mm heterogêneo. Este é o cenário de maior risco: o sangramento é o sintoma clássico do carcinoma endometrial, a espessura de 7 mm ultrapassa claramente o ponto de corte de 5 mm, e a heterogeneidade sugere alteração estrutural do endométrio (hiperplasia atípica ou carcinoma). A combinação desses três fatores indica fortemente a necessidade de investigação histológica (biópsia de endométrio, histeroscopia ou curetagem).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Paciente assintomática com endométrio de 5 mm com pequeno cisto subendometrial. A espessura de 5 mm está no limite do ponto de corte, mas a ausência de sangramento e a presença de um cisto subendometrial (que pode ser benigno, como um cisto de glândula endometrial) reduzem o risco. Em paciente assintomática, esse achado não indica investigação histológica imediata. A alternativa erra ao sugerir que esse cenário teria risco maior que aquele com sangramento e endométrio heterogêneo.
Gabarito: letra D — sangramento pós-menopausa + endométrio > 5 mm e heterogêneo é o cenário de maior risco de malignidade endometrial, com indicação de investigação histológica.