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Questão de Medicina — Gastroenterologia — FUNDATEC 2026

MedicinaGastroenterologia
Código
qg686850
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Agudo - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínico Geral
Paciente do sexo masculino, 22 anos, previamente hígido, relata episódios recorrentes de coloração amarelada nos olhos após iniciar atividade física intensa, especialmente em períodos de jejum e estresse. Nega prurido, dor abdominal, colúria, acolia fecal ou outros sintomas sistêmicos. Ao exame físico, apresenta discreta icterícia em escleras, sem hepatomegalia ou esplenomegalia. Exames laboratoriais mostram bilirrubina total elevada às custas de fração indireta, com AST, ALT, FA e GGT dentro da normalidade, hemograma normal e sorologias para hepatites virais negativas. Assinale a alternativa que contém o diagnóstico mais provável.
  1. AHepatite viral aguda.
  2. BColestase intra-hepática.
  3. CAnemia hemolítica autoimune.
  4. DSíndrome de Gilbert.
  5. ECirrose hepática.
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GabaritoD — Síndrome de Gilbert.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome de Gilbert: hiperbilirrubinemia indireta benigna

Gabarito: letra D. O quadro descrito — icterícia flutuante desencadeada por jejum, estresse e exercício físico intenso, com bilirrubina indireta elevada e demais provas de função hepática normais — é a apresentação clássica da Síndrome de Gilbert, uma hiperbilirrubinemia não conjugada benigna por deficiência parcial da enzima UDP-glucuronosiltransferase. O diagnóstico é essencialmente clínico, com exclusão de hemólise e hepatopatias.

A icterícia é a coloração amarelada de pele e mucosas por acúmulo de bilirrubina, detectável quando os níveis séricos ultrapassam 2 a 3 mg/dL. A bilirrubina é produto da degradação do heme: a forma não conjugada (indireta) é lipossolúvel e circula ligada à albumina; após captação hepática e conjugação, torna-se hidrossolúvel (direta) e é excretada na bile. O predomínio de bilirrubina indireta aponta para três mecanismos: aumento da produção (hemólise), defeito de captação ou defeito de conjugação hepática. A Síndrome de Gilbert é o exemplo mais comum de defeito de conjugação: há redução de cerca de 30% da atividade da enzima UGT1A1, resultando em hiperbilirrubinemia indireta leve e flutuante, sem doença hepática estrutural. O jejum prolongado, o estresse e o exercício físico intenso aumentam a produção de bilirrubina ou reduzem sua captação, precipitando a icterícia. O diagnóstico é clínico: paciente jovem, assintomático, com bilirrubina total raramente acima de 3 mg/dL, fração indireta predominante, hemograma e reticulócitos normais (afastando hemólise), transaminases, FA e GGT normais (afastando hepatopatia e colestase). Não há necessidade de biópsia ou teste genético na maioria dos casos; o teste de jejum (aumento da bilirrubina após 48h de restrição calórica) pode auxiliar, mas não é obrigatório. O prognóstico é excelente, sem tratamento específico.

A tabela abaixo resume o diagnóstico diferencial da hiperbilirrubinemia indireta:

Condição

Mecanismo

Achados associados

Síndrome de Gilbert

Defeito de conjugação

Jovem, assintomático, bilirrubina < 3 mg/dL, flutua com jejum/estresse

Hemólise

Aumento da produção

Anemia, reticulocitose, LDH elevado, haptoglobina baixa

Síndrome de Crigler-Najjar

Defeito grave de conjugação

Icterícia neonatal intensa, risco de kernicterus

Síndrome de Dubin-Johnson

Defeito de excreção (direta)

Bilirrubina direta elevada, fígado escuro

Hepatite viral aguda

Lesão hepatocelular

Transaminases elevadas, sintomas sistêmicos, sorologias positivas

A pegadinha central desta questão é a associação imediata entre icterícia e hepatopatia. O candidato deve lembrar que a icterícia com predomínio de bilirrubina indireta, em paciente jovem e saudável, com enzimas hepáticas normais, aponta para causas pré-hepáticas ou defeitos benignos de conjugação — e não para doença hepática. A ausência de anemia e reticulocitose afasta hemólise; a normalidade de transaminases e FA afasta hepatite e colestase. O gatilho por jejum e exercício é a pista clínica decisiva para a Síndrome de Gilbert.

Hiperbilirrubinemia indireta
  • 1Aumento da produção
    • Hemólise (anemia, reticulocitose)
  • 2Defeito de conjugação
    • Síndrome de Gilbert (benigna, jejum/estresse)
    • Crigler-Najjar (grave, neonatal)
  • 3Defeito de excreção
    • Dubin-Johnson (bilirrubina direta)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A hepatite viral aguda cursa com elevação importante das transaminases (AST e ALT), frequentemente acima de 500 UI/L, além de sintomas sistêmicos como mal-estar, náuseas e febre. Neste caso, as transaminases estão normais e as sorologias virais são negativas, excluindo essa hipótese. A icterícia na hepatite aguda costuma ser mista (direta e indireta), com predomínio variável, mas sempre acompanhada de citólise.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A colestase intra-hepática caracteriza-se por elevação de bilirrubina direta, fosfatase alcalina e GGT, frequentemente acompanhada de prurido. O paciente nega prurido, e FA e GGT estão normais, afastando colestase. A colestase é um distúrbio de excreção biliar, não de conjugação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A anemia hemolítica autoimune cursaria com anemia, reticulocitose, LDH elevado e haptoglobina baixa, além de possível esplenomegalia. O hemograma é normal e não há sinais de hemólise. Embora a hemólise cause hiperbilirrubinemia indireta, a ausência de anemia e a normalidade dos marcadores de hemólise afastam essa hipótese.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A Síndrome de Gilbert é a causa mais provável: paciente jovem, icterícia flutuante desencadeada por jejum, estresse e exercício, bilirrubina indireta elevada com enzimas hepáticas normais e hemograma normal. É uma condição benigna, sem necessidade de tratamento, e o diagnóstico é clínico após exclusão de outras causas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A cirrose hepática é uma doença crônica com fibrose e nódulos de regeneração, cursando com alterações de transaminases, FA, GGT, albumina, tempo de protrombina e plaquetas, além de sinais de hipertensão portal (esplenomegalia, ascite, varizes). O paciente é jovem, previamente hígido, sem estigmas de hepatopatia crônica e com provas de função hepática normais, excluindo cirrose.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática entre icterícia e doença hepática. O candidato que não domina a fisiopatologia da bilirrubina pode escolher hepatite ou cirrose, mas a chave está no padrão laboratorial: bilirrubina indireta elevada com transaminases, FA e GGT normais aponta para causa pré-hepática ou defeito de conjugação — e o gatilho por jejum/exercício fecha o diagnóstico de Síndrome de Gilbert. Fique atento: hemólise também eleva a indireta, mas o hemograma normal a exclui.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, diante de icterícia com bilirrubina indireta elevada, monte o raciocínio em três passos: (1) hemólise? → hemograma, reticulócitos, LDH, haptoglobina; (2) defeito de conjugação? → Síndrome de Gilbert (jovem, assintomático, enzimas normais); (3) hepatopatia? → transaminases e FA elevadas. Se as enzimas estão normais e não há anemia, a resposta é Gilbert.

Gabarito: letra D

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