Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg686859
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Agudo - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Ginecologista Obstetra
Primigesta, 33 semanas, gestação gemelar dicoriônica e diamniótica, interna em trabalho de parto após ruptura prematura de membranas há duas horas. Realizada ultrassonografia que evidencia boa vitalidade fetal, com o primeiro gemelar em apresentação pélvica, pesando 1.810 g e o segundo gemelar em apresentação cefálica, pesando 1.750 g. Ao exame: pressão arterial de 120/80 mmHg, 3 contrações moderadas em 10 minutos, batimentos cardiofetais do primeiro e segundo gemelar, respectivamente, de 150 bpm e 145 bpm, exame especular com saída de líquido claro sem grumos, toque vaginal com colo médio, centralizado e 4 cm de dilatação. Qual é a conduta adequada?
ACesariana de urgência.
BTocólise e corticoterapia.
CAssistência ao trabalho de parto vaginal.
DSulfato de magnésio e assistência ao trabalho de parto vaginal.
ETocólise, antibioticoprofilaxia e corticoterapia.
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GabaritoA — Cesariana de urgência.
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Gestação gemelar dicoriônica com primeiro gemelar pélvico e trabalho de parto prematuro
Gabarito: letra A. A conduta adequada é a cesariana de urgência, pois, em gestação gemelar com o primeiro feto em apresentação pélvica, o parto vaginal está contraindicado, mesmo que o segundo gemelar esteja cefálico. A via de parto em gemelares é decidida pela apresentação do primeiro gemelar, e a apresentação não cefálica do primeiro feto é indicação de cesariana, conforme as diretrizes de obstetrícia.
A gestação gemelar dicoriônica e diamniótica (DCDA) é aquela em que cada feto possui sua própria placenta e seu próprio saco amniótico. Nesse tipo de gestação, a via de parto é definida, principalmente, pela apresentação do primeiro gemelar. Quando o primeiro gemelar está em apresentação cefálica, o parto vaginal pode ser tentado, desde que não haja outras contraindicações. Porém, quando o primeiro gemelar está em apresentação pélvica, o parto vaginal é contraindicado, pois há risco de encarceramento fetal, ou seja, o primeiro feto pode não conseguir nascer, e o segundo, que está cefálico, pode tentar nascer antes, levando a complicações graves, como sofrimento fetal e até óbito. Por isso, a cesariana é a via de parto recomendada.
No caso apresentado, a paciente está com 33 semanas de gestação, em trabalho de parto prematuro, com 4 cm de dilatação, e o primeiro gemelar está pélvico. A ruptura prematura de membranas (RPM) há duas horas e o trabalho de parto ativo indicam que o parto é iminente. A conduta de cesariana de urgência é necessária para evitar as complicações do parto vaginal com primeiro gemelar pélvico. A corticoterapia para maturação pulmonar fetal está indicada em gestações entre 24 e 34 semanas, mas, neste caso, a paciente já está em trabalho de parto ativo com dilatação avançada, e a cesariana de urgência é prioritária. A tocólise não é indicada, pois a paciente já está em trabalho de parto ativo com 4 cm de dilatação, e a antibioticoprofilaxia é indicada na RPM, mas não é a conduta principal neste momento, pois a prioridade é a resolução da gestação.
A distinção crucial é entre a apresentação do primeiro e do segundo gemelar. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato pode pensar que, como o segundo gemelar está cefálico, o parto vaginal seria possível. No entanto, a regra é clara: a apresentação do primeiro gemelar é o fator decisivo. Se o primeiro é pélvico, a cesariana é a via de parto indicada, independentemente da apresentação do segundo.
A pegadinha desta questão é a tentativa de induzir o candidato a considerar a tocólise ou a assistência ao parto vaginal, quando a conduta correta é a cesariana de urgência. A presença de trabalho de parto ativo com dilatação avançada e a apresentação pélvica do primeiro gemelar tornam a cesariana a única opção segura. A corticoterapia, embora indicada para maturação pulmonar, não deve atrasar a resolução da gestação em um caso de urgência como este.
Via de parto em gestação gemelar
1Decidida pela apresentação do 1º gemelar
1º cefálico
Parto vaginal pode ser tentado
1º não cefálico (pélvico)
Parto vaginal contraindicado
Risco de encarceramento fetal
Cesariana indicada
2Trabalho de parto ativo (≥4 cm)
Tocólise não indicada
Corticoterapia (24–34 sem)
Não deve atrasar a resolução
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A cesariana de urgência é a conduta correta. A apresentação pélvica do primeiro gemelar é uma contraindicação ao parto vaginal, e a paciente já está em trabalho de parto ativo, com 4 cm de dilatação. A cesariana é necessária para evitar complicações como o encarceramento fetal e o sofrimento fetal agudo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A tocólise e a corticoterapia não são a conduta adequada. A tocólise é indicada para interromper o trabalho de parto prematuro, mas, neste caso, a paciente já está com 4 cm de dilatação e o primeiro gemelar está pélvico, o que contraindica o parto vaginal. A corticoterapia é indicada para maturação pulmonar fetal, mas não é a conduta principal, pois a resolução da gestação é prioritária.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A assistência ao trabalho de parto vaginal é contraindicada. A apresentação pélvica do primeiro gemelar é uma contraindicação absoluta ao parto vaginal, pois há risco de complicações graves para o feto e para a mãe. A cesariana é a via de parto indicada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O sulfato de magnésio é indicado para a prevenção de eclâmpsia, mas a paciente não apresenta sinais de pré-eclâmpsia (pressão arterial de 120/80 mmHg). Além disso, a assistência ao trabalho de parto vaginal é contraindicada pela apresentação pélvica do primeiro gemelar. A conduta correta é a cesariana de urgência.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A tocólise, a antibioticoprofilaxia e a corticoterapia não são a conduta adequada. A tocólise não é indicada, pois a paciente já está em trabalho de parto ativo com dilatação avançada. A antibioticoprofilaxia é indicada na RPM, mas não é a conduta principal. A corticoterapia é indicada, mas não deve atrasar a cesariana de urgência, que é a prioridade.
A regra de ouro para esta questão é: em gestação gemelar, a via de parto é decidida pela apresentação do primeiro gemelar. Se o primeiro gemelar não estiver cefálico, a cesariana é a via de parto indicada, independentemente da apresentação do segundo. A presença de trabalho de parto ativo e a dilatação avançada tornam a cesariana uma urgência.