Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg686869
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Agudo - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Pediatra
Um menino de 7 anos é levado ao pronto atendimento pela mãe com febre alta há 2 dias (39,2 °C), dor intensa ao engolir e mal-estar. A mãe nega tosse, coriza ou conjuntivite. Ao exame físico estava em regular estado geral, hidratado, adenomegalias cervicais, amígdalas com hiperemia e exsudato purulento. Na ausculta cardiopulmonar, ausência de anormalidades. Na avaliação abdominal, ausência de alterações. Qual é a melhor conduta?
AIniciar amoxicilina por 10 dias.
BPrescrever azitromicina por 3 a 5 dias.
CIniciar corticoterapia oral isoladamente.
DSolicitar radiografia de tórax e observar sem antibiótico.
EDiagnosticar faringite viral e orientar hidratação.
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GabaritoA — Iniciar amoxicilina por 10 dias.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Faringite bacteriana na infância: diagnóstico e conduta
Gabarito: letra A. O quadro clínico — febre alta, dor intensa ao engolir, exsudato purulento nas amígdalas e adenomegalia cervical, sem tosse/coriza/conjuntivite — é altamente sugestivo de faringoamigdalite bacteriana pelo estreptococo beta-hemolítico do grupo A (S. pyogenes), cujo tratamento de primeira linha é amoxicilina por 10 dias. A conduta correta é iniciar antibiótico, e a alternativa A é a única que prescreve o esquema adequado.
A faringoamigdalite aguda é uma das infecções mais comuns na infância, e a grande maioria dos casos é de etiologia viral. No entanto, alguns sinais e sintomas ajudam a distinguir a forma bacteriana da viral. O estreptococo do grupo A é o principal agente bacteriano e, se não tratado, pode levar a complicações supurativas (abscesso periamigdaliano) e não supurativas, como a febre reumática e a glomerulonefrite pós-estreptocócica. Por isso, o reconhecimento e o tratamento adequado são essenciais.
Os critérios clínicos mais utilizados para suspeitar de etiologia bacteriana são os Critérios de Centor (modificados por McIsaac): febre > 38°C, ausência de tosse, adenopatia cervical anterior dolorosa, exsudato ou edema amigdaliano e idade entre 3 e 14 anos. No caso apresentado, o menino tem 7 anos (1 ponto), febre de 39,2°C (1 ponto), ausência de tosse (1 ponto), adenomegalias cervicais (1 ponto) e exsudato purulento (1 ponto) — totalizando 5 pontos, o que confere alta probabilidade de infecção estreptocócica. Nesse cenário, a conduta é tratar empiricamente com antibiótico, sem necessidade de teste rápido ou cultura, embora esses exames possam ser usados em casos duvidosos.
O tratamento de escolha para faringoamigdalite estreptocócica é a amoxicilina por via oral, na dose de 50 mg/kg/dia (máximo 1 g/dia), dividida em 2 ou 3 tomadas, por 10 dias. A duração de 10 dias é fundamental para erradicar o estreptococo e prevenir a febre reumática. Alternativas para alérgicos à penicilina incluem cefalosporinas de primeira geração (cefalexina) ou macrolídeos (azitromicina, claritromicina), mas a amoxicilina é a primeira escolha na ausência de alergia.
A alternativa B (azitromicina por 3 a 5 dias) é uma opção para pacientes alérgicos à penicilina, mas não é a primeira escolha e não deve ser usada como tratamento inicial em um paciente sem alergia conhecida. A alternativa C (corticoterapia oral isoladamente) não trata a infecção bacteriana e não previne complicações. A alternativa D (radiografia de tórax e observação sem antibiótico) é inadequada, pois o quadro é de faringite, não de pneumonia, e a observação sem antibiótico em caso de alta suspeita bacteriana é arriscada. A alternativa E (diagnosticar faringite viral e orientar hidratação) ignora os sinais clínicos fortes de etiologia bacteriana.
Portanto, a conduta correta é iniciar amoxicilina por 10 dias, conforme a alternativa A.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A amoxicilina é o antibiótico de primeira linha para faringoamigdalite estreptocócica em crianças, na dose de 50 mg/kg/dia por 10 dias. A duração de 10 dias é essencial para erradicar o S. pyogenes e prevenir a febre reumática. O quadro clínico apresentado (febre alta, exsudato purulento, adenomegalia, ausência de tosse) é altamente sugestivo de etiologia bacteriana, justificando o tratamento empírico imediato.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A azitromicina é um macrolídeo, indicado como alternativa em casos de alergia à penicilina. Não é a primeira escolha para o tratamento da faringite estreptocócica em paciente sem alergia. Além disso, o esquema de 3 a 5 dias é próprio da azitromicina, mas não substitui a amoxicilina como tratamento padrão. A banca pode tentar confundir o candidato oferecendo um antibiótico alternativo, mas a conduta correta é amoxicilina.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A corticoterapia oral isoladamente não tem ação antibacteriana e não previne as complicações da infecção estreptocócica (febre reumática, glomerulonefrite). Embora os corticosteroides possam ser usados como adjuvantes para alívio sintomático em alguns casos, nunca como tratamento único. A alternativa é claramente inadequada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A radiografia de tórax não está indicada para faringite, pois o exame clínico não sugere comprometimento pulmonar (ausculta normal). Além disso, observar sem antibiótico em um caso de alta suspeita bacteriana é conduta inadequada, pois expõe o paciente ao risco de complicações. A alternativa mistura exames desnecessários com conduta expectante incorreta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diagnosticar faringite viral e orientar hidratação seria adequado se o quadro fosse viral, mas os sinais clínicos (febre alta, exsudato purulento, adenomegalia, ausência de tosse) são fortemente indicativos de etiologia bacteriana. A ausência de tosse e coriza é um dos critérios que afastam a etiologia viral. Portanto, a conduta expectante é inadequada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre faringite viral e bacteriana. O candidato pode ser tentado a escolher a alternativa E (viral) por pensar que a maioria das faringites é viral, mas os critérios clínicos (febre alta, exsudato, adenomegalia, ausência de tosse) apontam fortemente para bactéria. Lembre-se: na dúvida, use os critérios de Centor/McIsaac — 4 ou 5 pontos indicam alta probabilidade de estreptococo e indicam tratamento antibiótico.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar os critérios de Centor, use o mnemônico FATE: Febre > 38°C, Ausência de tosse, Tonsilas com exsudato/edema, Edema/adenopatia cervical. Cada critério vale 1 ponto; some e decida: 0-1 ponto → viral, suporte; 2-3 pontos → considerar teste rápido ou cultura; 4-5 pontos → tratar empiricamente com antibiótico.