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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg686874
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Agudo - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Pediatra
Recém-nascido, sexo masculino, 9 dias de vida, nascido a termo, parto normal, sem intercorrências iniciais. A mãe relata que o bebê ficou “muito sonolento” nas últimas 24 horas, mamando pouco e apresentando respiração rápida. Notou também extremidades frias. Exame físico: estado geral: hipoativo, hipoperfundido. Pele: ligeira cianose periférica, extremidades frias. FC: 180 bpm. FR: 70 irpm. PA: membros superiores = 80/45 mmHg; membros inferiores = 55/30 mmHg. Pulsos: femorais ausentes; braquiais presentes. Cardiovascular: sopro sistólico suave no dorso. Abdome: Fígado palpável 3 cm abaixo do rebordo costal. A principal hipótese diagnóstica é:
  1. ACoarctação da aorta.
  2. BComunicação interatrial.
  3. CComunicação interventricular.
  4. DEstenose tricúspide.
  5. EInsuficiência tricúspide.
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GabaritoA — Coarctação da aorta.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coarctação da aorta no recém-nascido: reconhecimento clínico

Gabarito: letra A. O quadro clínico descrito — recém-nascido com sinais de choque (hipoatividade, hipoperfusão, extremidades frias), taquicardia, taquipneia, diferença de pressão arterial entre membros superiores e inferiores (80/45 vs 55/30 mmHg), pulsos femorais ausentes com braquiais presentes, sopro sistólico no dorso e hepatomegalia — é a apresentação clássica da coarctação da aorta, uma cardiopatia congênita que cursa com obstrução ao fluxo sanguíneo na aorta descendente. O achado mais específico é a discrepância de pulsos e pressões entre os membros superiores e inferiores, que aponta diretamente para a obstrução aórtica.

A coarctação da aorta é uma cardiopatia congênita caracterizada pelo estreitamento da aorta, tipicamente na região do ducto arterioso (coarctação justaductal). No recém-nascido, a apresentação clínica depende da gravidade da obstrução e da presença de circulação colateral. Quando o estreitamento é severo e o ducto arterioso se fecha (nas primeiras 24-48 horas de vida), o fluxo sanguíneo para a aorta descendente fica comprometido, levando a um quadro de choque cardiogênico com insuficiência cardíaca congestiva. É por isso que o bebê da questão, com 9 dias de vida, apresenta sinais de baixo débito sistêmico: a hipoperfusão causa letargia, má aceitação alimentar, taquipneia (resposta à acidose metabólica e à congestão pulmonar) e extremidades frias.

O exame físico é a chave do diagnóstico. A diferença de pressão arterial entre membros superiores e inferiores (gradiente > 20 mmHg) e a ausência de pulsos femorais com pulsos braquiais presentes são os achados semiológicos mais importantes. O sopro sistólico no dorso é característico, pois reflete o fluxo turbulento através da área de coarctação. A hepatomegalia indica congestão hepática secundária à insuficiência cardíaca direita. É fundamental que o pediatra reconheça esse padrão, pois a coarctação da aorta é uma das cardiopatias congênitas críticas que, se não diagnosticada e tratada precocemente (com prostaglandina E1 para manter o ducto arterioso pérvio e posterior correção cirúrgica), pode ser fatal.

A distinção entre as cardiopatias congênitas listadas nas alternativas é essencial. As cardiopatias com shunt esquerda-direita (comunicação interatrial e comunicação interventricular) geralmente cursam com sopro cardíaco, mas não produzem diferença de pressão entre membros superiores e inferiores nem ausência de pulsos femorais. As valvopatias tricúspides (estenose e insuficiência) podem causar insuficiência cardíaca direita, mas não explicam o gradiente de pressão entre os membros. A coarctação da aorta é a única que combina todos os achados: choque, diferença de pressão, pulsos assimétricos e sopro no dorso.

A banca explora a capacidade de correlacionar os achados clínicos com a fisiopatologia da cardiopatia. O candidato que conhece a apresentação clássica da coarctação da aorta no período neonatal identifica rapidamente a alternativa correta. A pegadinha está em não se deixar levar por achados inespecíficos (sonolência, taquipneia, extremidades frias) e focar no dado semiológico decisivo: a discrepância entre pulsos e pressões dos membros superiores e inferiores.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A coarctação da aorta é a hipótese diagnóstica que melhor explica o conjunto de achados. A obstrução da aorta descendente causa hipertensão nos membros superiores (80/45 mmHg) e hipotensão nos membros inferiores (55/30 mmHg), com pulsos femorais ausentes e braquiais presentes. O sopro sistólico no dorso é típico da coarctação, e a hepatomegalia reflete a insuficiência cardíaca congestiva secundária ao aumento da pós-carga. O quadro de choque (hipoatividade, hipoperfusão, extremidades frias) é a manifestação clássica da coarctação crítica do recém-nascido, quando o ducto arterioso se fecha e o fluxo para a aorta descendente colapsa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A comunicação interatrial (CIA) é um defeito do septo interatrial que causa shunt esquerda-direita. No recém-nascido, geralmente é assintomática ou causa sopro sistólico no foco pulmonar, mas não produz diferença de pressão entre membros superiores e inferiores, nem ausência de pulsos femorais. A CIA não explica o quadro de choque com gradiente de pressão entre os membros. O erro da alternativa está em sugerir uma cardiopatia que não cursa com obstrução ao fluxo sistêmico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A comunicação interventricular (CIV) é um defeito do septo interventricular que causa shunt esquerda-direita. Pode levar a insuficiência cardíaca congestiva, mas o sopro é holossistólico no foco tricúspide (borda esternal esquerda baixa), e não há diferença de pressão entre membros superiores e inferiores. A CIV não explica a ausência de pulsos femorais nem o gradiente de pressão, que são os achados decisivos do caso.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A estenose tricúspide é uma valvopatia que obstrui o fluxo sanguíneo do átrio direito para o ventrículo direito, causando insuficiência cardíaca direita com hepatomegalia e edema. No entanto, não produz diferença de pressão entre membros superiores e inferiores, nem ausência de pulsos femorais. O sopro da estenose tricúspide é diastólico, e não sistólico no dorso. A alternativa confunde uma valvopatia direita com uma obstrução aórtica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A insuficiência tricúspide é uma valvopatia que permite refluxo de sangue do ventrículo direito para o átrio direito durante a sístole, causando insuficiência cardíaca direita. O sopro é sistólico no foco tricúspide, mas não há diferença de pressão entre membros superiores e inferiores, nem ausência de pulsos femorais. A insuficiência tricúspide não explica o gradiente de pressão, que é o achado que define a coarctação da aorta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca apresenta um quadro clínico rico em sinais de choque e insuficiência cardíaca, o que pode levar o candidato a pensar em cardiopatias com shunt ou valvopatias. No entanto, o dado semiológico decisivo é a diferença de pressão arterial entre membros superiores e inferiores (80/45 vs 55/30 mmHg) e a ausência de pulsos femorais. Esses achados são patognomônicos de coarctação da aorta. Fique atento: em qualquer recém-nascido com choque, sempre compare pulsos e pressões dos quatro membros — esse é o exame que salva vidas.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar a apresentação clássica da coarctação da aorta, lembre-se do mnemônico "Coarctação = Contraste": contraste de pulsos (femorais ausentes vs braquiais presentes), contraste de pressão (superiores > inferiores), e contraste de perfusão (extremidades frias vs tronco quente). Na prova, ao ver um RN com choque, sempre cheque os pulsos femorais — se ausentes, pense em coarctação.

Gabarito: letra A

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