Paciente de 25 anos, com diagnóstico recente de leucemia aguda, inicia quimioterapia. Após 48 horas, evolui com náuseas, vômitos e fraqueza. Ao exame físico, encontra-se hemodinamicamente estável, com ritmo irregular na ausculta cardíaca. Exames laboratoriais mostram potássio elevado, cálcio reduzido, fósforo e ácido úrico elevados. Nesse contexto, qual é o diagnóstico e a conduta prioritária?
DSíndrome de lise tumoral – hidratação vigorosa e controle eletrolítico.
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GabaritoD — Síndrome de lise tumoral – hidratação vigorosa e controle eletrolítico.
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Síndrome de Lise Tumoral: diagnóstico e manejo
Gabarito: letra D. O quadro descrito — leucemia aguda, início de quimioterapia, e 48 horas depois náuseas, vômitos, fraqueza, ritmo irregular, com potássio elevado, cálcio reduzido, fósforo e ácido úrico elevados — é a apresentação clássica da síndrome de lise tumoral (SLT), e a conduta prioritária é hidratação vigorosa e controle eletrolítico. O diagnóstico é fechado pelos critérios de Cairo-Bishop, que exigem alterações laboratoriais (hipercalemia, hiperfosfatemia, hipocalcemia, hiperuricemia) associadas a um critério clínico (arritmia cardíaca, lesão renal aguda ou convulsão), e o tratamento imediato visa prevenir as complicações fatais, principalmente as arritmias por hipercalemia e a lesão renal aguda por precipitação de ácido úrico e fosfato de cálcio.
A síndrome de lise tumoral é uma emergência oncológica que ocorre quando há destruição maciça e rápida das células tumorais, liberando seu conteúdo intracelular na corrente sanguínea. Isso acontece mais comumente após o início da quimioterapia em neoplasias hematológicas agressivas, como leucemias agudas e linfomas não Hodgkin de alto grau, mas pode ocorrer espontaneamente em tumores de alta carga. A lise celular libera potássio, fósforo e ácidos nucleicos; estes últimos são metabolizados em ácido úrico. O resultado é o conjunto de distúrbios hidroeletrolíticos que define a síndrome: hipercalemia, hiperfosfatemia, hiperuricemia e hipocalcemia (esta última secundária à precipitação de fosfato de cálcio).
As manifestações clínicas derivam diretamente desses distúrbios. A hipercalemia é a complicação mais temida, podendo causar arritmias cardíacas potencialmente fatais — no caso, o ritmo irregular na ausculta é o sinal de alerta. A hiperuricemia e a hiperfosfatemia levam à precipitação de cristais nos túbulos renais, causando lesão renal aguda. A hipocalcemia, por sua vez, pode provocar convulsões e também contribuir para arritmias. Os sintomas inespecíficos como náuseas, vômitos e fraqueza são comuns e refletem o desequilíbrio metabólico.
O diagnóstico é formalizado pelos critérios de Cairo-Bishop, que combinam critérios laboratoriais e clínicos. Para o diagnóstico, são necessários dois critérios laboratoriais (ácido úrico ≥ 8 mg/dL ou aumento de 25% do basal; potássio ≥ 6,0 mEq/L ou aumento de 25%; fósforo ≥ 4,5 mg/dL ou aumento de 25%; cálcio ≤ 7 mg/dL ou redução de 25%) ocorrendo de 3 dias antes a 7 dias depois da terapia citotóxica, mais um critério clínico (arritmia cardíaca, morte súbita, convulsão ou lesão renal aguda). No paciente do enunciado, temos potássio elevado, cálcio reduzido, fósforo e ácido úrico elevados (múltiplos critérios laboratoriais) e ritmo irregular (arritmia cardíaca, critério clínico), fechando o diagnóstico.
A conduta prioritária é a prevenção e o manejo das complicações. A hidratação vigorosa (2 a 3 litros de soro fisiológico em 24 horas) aumenta o débito urinário e dilui os solutos, reduzindo a precipitação de cristais nos túbulos renais. O controle eletrolítico agressivo é essencial, especialmente da hipercalemia, que ameaça a vida. Medidas adicionais incluem o uso de alopurinol ou rasburicase para reduzir o ácido úrico, e diuréticos de alça se houver hipervolemia. A hemodiálise está reservada para casos de insuficiência renal grave refratária ou hipercalemia ameaçadora não controlada clinicamente, não sendo a conduta inicial.
A pegadinha desta questão está em reconhecer o padrão fisiopatológico e não se deixar levar por diagnósticos alternativos. A banca explora a confusão entre a SLT e outras emergências que podem ocorrer no paciente oncológico, como sepse (febre e instabilidade), hipercalcemia maligna (cálcio elevado, não reduzido) ou insuficiência renal crônica (evolução lenta, não aguda após quimioterapia). O gatilho é o contexto: leucemia aguda + quimioterapia recente + o conjunto específico de distúrbios eletrolíticos. Guarde a tríade: hipercalemia + hiperfosfatemia + hiperuricemia + hipocalcemia em paciente oncológico pós-quimioterapia = síndrome de lise tumoral até prova em contrário.
Síndrome de lise tumoral (SLT)
1Fisiopatologia
Lise celular maciça pós-quimioterapia
Libera potássio, fósforo e ácidos nucleicos
Ácido úrico (metabólito)
2Critérios de Cairo-Bishop
Laboratoriais (2+)
Hipercalemia
Hiperfosfatemia
Hiperuricemia
Hipocalcemia
Clínico (1+)
Arritmia cardíaca
Lesão renal aguda
Convulsão
3Conduta prioritária
Hidratação vigorosa
Controle eletrolítico
Alopurinol/rasburicase
Hemodiálise (casos refratários)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A sepse é uma possibilidade em paciente neutropênico pós-quimioterapia, mas o quadro descrito não apresenta febre, hipotensão ou sinais de infecção. O paciente está hemodinamicamente estável, e o padrão laboratorial (potássio alto, cálcio baixo, fósforo e ácido úrico altos) é característico da lise tumoral, não de sepse. Além disso, a arritmia cardíaca aqui é explicada pela hipercalemia, não por choque séptico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A hipercalcemia maligna é uma emergência oncológica, mas o paciente apresenta hipocalcemia (cálcio reduzido), não hipercalcemia. A confusão é clássica: a banca troca o distúrbio eletrolítico. Na SLT, o cálcio cai porque o fósforo elevado se liga a ele, formando fosfato de cálcio que precipita nos tecidos. Diurético não é a conduta prioritária; a hidratação vigorosa é.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A insuficiência renal crônica é uma doença de evolução lenta e progressiva, incompatível com o quadro agudo descrito (48 horas após quimioterapia). O paciente pode desenvolver lesão renal aguda como complicação da SLT, mas a hemodiálise imediata não é a conduta inicial — reserva-se para casos refratários ao tratamento clínico, como hipercalemia grave não controlada ou sobrecarga de volume. A conduta prioritária é sempre a hidratação e o controle eletrolítico.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A síndrome de lise tumoral é o diagnóstico correto, e a conduta prioritária é hidratação vigorosa e controle eletrolítico. O paciente preenche os critérios de Cairo-Bishop: múltiplas alterações laboratoriais (hipercalemia, hipocalcemia, hiperfosfatemia, hiperuricemia) e critério clínico (arritmia cardíaca). A hidratação agressiva dilui os solutos e aumenta o débito urinário, prevenindo a lesão renal aguda, enquanto o controle eletrolítico, especialmente da hipercalemia, previne arritmias fatais.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de emergências oncológicas, decore o padrão laboratorial da SLT: potássio ↑, fósforo ↑, ácido úrico ↑, cálcio ↓. Esse quarteto é patognomônico. E lembre: a conduta inicial é sempre hidratação vigorosa + controle eletrolítico; diálise é para casos refratários.