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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FUNDATEC 2026

MedicinaClínica Médica Humana
Código
qg687464
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Araquari - SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínico Geral
Paciente de 62 anos, hipertenso, procura a emergência com dor torácica súbita de forte intensidade, descrita como “em rasgo”, com irradiação para o dorso. Ao exame, apresenta pressão arterial de 180/100 mmHg no braço direito e 150/90 mmHg no braço esquerdo, frequência cardíaca de 105 bpm e eletrocardiograma sem alterações isquêmicas significativas. Nesse contexto, qual é a melhor conduta inicial?
  1. AIniciar heparina e antiagregante plaquetário.
  2. BSolicitar troponina seriada e observar.
  3. CIniciar controle rigoroso da frequência e da pressão arterial com betabloqueador.
  4. DAdministrar nitrato sublingual.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Iniciar controle rigoroso da frequência e da pressão arterial com betabloqueador.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dissecção aguda de aorta: conduta inicial na emergência

Gabarito: letra C. O quadro clínico — dor torácica súbita "em rasgo" com irradiação para o dorso, assimetria de pressão arterial entre os braços e ECG sem alterações isquêmicas — é altamente sugestivo de dissecção aguda de aorta (DA). Nesse cenário, a conduta inicial imediata é o controle rigoroso da frequência cardíaca e da pressão arterial com betabloqueador, visando reduzir a força de cisalhamento sobre a parede aórtica (dP/dt). As alternativas A, B e D são inadequadas ou até perigosas nesse contexto, pois podem agravar o quadro ou atrasar o tratamento correto.

A dissecção aguda de aorta é uma emergência cardiovascular caracterizada pela ruptura da íntima arterial, com formação de uma falsa luz que pode se propagar ao longo da aorta. O tratamento precoce é fundamental e deve ser iniciado antes mesmo da confirmação diagnóstica, enquanto os exames de imagem (angiotomografia, ecocardiograma transesofágico) estão sendo realizados. Os dois objetivos principais do manejo médico inicial são: reduzir a pressão arterial e diminuir a taxa de aumento da pressão arterial por unidade de tempo (dP/dt), para atenuar as forças de cisalhamento que perpetuam a dissecção. Os alvos terapêuticos são pressão arterial sistólica entre 100 e 120 mmHg e frequência cardíaca abaixo de 60-70 batimentos por minuto.

Os betabloqueadores são a pedra angular do tratamento clínico da DA, pois reduzem a frequência cardíaca, a pressão arterial e a contratilidade miocárdica, diminuindo diretamente o dP/dt. O esmolol, betabloqueador de ação ultracurta, é frequentemente utilizado, com bolus inicial de 500 μg/kg seguido de infusão de 50 a 200 μg/kg/min. Em pacientes com contraindicação ou intolerância aos betabloqueadores, pode-se utilizar bloqueador de canal de cálcio endovenoso, como nicardipina ou clevidipina. É importante destacar que vasodilatadores como o nitroprussiato de sódio aumentam a frequência cardíaca e o dP/dt, portanto, só devem ser usados após o betabloqueio adequado.

A assimetria de pressão arterial entre os membros superiores (180/100 mmHg no braço direito vs. 150/90 mmHg no esquerdo) é um sinal clássico de DA, decorrente da obstrução do fluxo sanguíneo em um dos ramos da aorta. A dor "em rasgo" com irradiação para o dorso é a apresentação típica. O ECG sem alterações isquêmicas ajuda a excluir infarto agudo do miocárdio, embora a DA e o IAM possam coexistir. A suspeita clínica é o gatilho para o tratamento imediato, que não deve aguardar a confirmação por imagem.

A distinção crucial aqui é entre a dissecção de aorta e a síndrome coronariana aguda (SCA). Na SCA, a conduta inicial envolve antiagregantes plaquetários, anticoagulantes e nitratos. Na DA, essas medicações são contraindicadas ou perigosas: a heparina e os antiagregantes aumentam o risco de sangramento na falsa luz; os nitratos podem causar hipotensão e taquicardia reflexa, aumentando o dP/dt. A troponina seriada pode estar elevada na DA (por isquemia miocárdica secundária), mas não é o foco do tratamento inicial. O reconhecimento precoce dos sinais de DA e a instituição imediata do betabloqueio são as medidas que salvam vidas.

A pegadinha desta questão é justamente a semelhança inicial com uma síndrome coronariana aguda. O candidato que não reconhece os sinais de dissecção de aorta pode optar por heparina e antiagregantes (alternativa A), o que seria um erro grave. A chave está na qualidade da dor ("em rasgo", irradiação para o dorso) e na assimetria de PA entre os braços, que apontam fortemente para DA. Guarde esses dois sinais: eles são o critério decisivo que separa a DA da SCA e direcionam a conduta correta.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Iniciar heparina e antiagregante plaquetário é a conduta para síndrome coronariana aguda (SCA), não para dissecção de aorta. Na DA, a anticoagulação e a antiagregação aumentam o risco de sangramento na falsa luz e podem agravar a dissecção, além de não tratar a causa do problema. O uso desses medicamentos sem o diagnóstico correto pode ser fatal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Solicitar troponina seriada e observar é uma conduta passiva e inadequada para uma emergência como a DA. Embora a troponina possa estar elevada na DA (por isquemia miocárdica secundária), a observação sem tratamento ativo atrasa o controle da pressão e da frequência cardíaca, permitindo a progressão da dissecção. A conduta deve ser imediata e agressiva, não expectante.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Iniciar controle rigoroso da frequência e da pressão arterial com betabloqueador é a conduta inicial correta na dissecção aguda de aorta. O betabloqueador reduz a frequência cardíaca, a pressão arterial e a contratilidade miocárdica, diminuindo o dP/dt e as forças de cisalhamento sobre a parede aórtica. Os alvos são PAS entre 100 e 120 mmHg e FC < 60-70 bpm. Essa medida deve ser iniciada imediatamente, antes mesmo da confirmação diagnóstica por imagem.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Administrar nitrato sublingual é uma conduta para alívio da dor na SCA, mas é inadequada e potencialmente perigosa na DA. Os nitratos causam vasodilatação, podendo levar a hipotensão e taquicardia reflexa, o que aumenta o dP/dt e pode piorar a dissecção. Além disso, não tratam a causa subjacente. O controle da dor na DA é feito com opioides (morfina ou fentanil), e o controle hemodinâmico com betabloqueadores.

Gabarito: letra C — a conduta inicial correta na dissecção aguda de aorta é o controle rigoroso da frequência e da pressão arterial com betabloqueador, visando reduzir o dP/dt e as forças de cisalhamento sobre a parede aórtica.

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