Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FUNDATEC 2026
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
qg687467
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Araquari - SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínico Geral
Paciente de 34 anos retorna de viagem à região amazônica feita há 10 dias e apresenta febre alta intermitente há 4 dias, calafrios intensos seguidos de sudorese, cefaleia e mialgia. Exames laboratoriais iniciais mostram hemoglobina de 11 g/dL, plaquetas de 95.000/mm³, leucócitos de 4.200/mm³ e teste rápido negativo para dengue. Considerando o quadro clínico e epidemiológico, qual é a melhor conduta inicial?
ASolicitar gota espessa e aguardar resultado antes de iniciar tratamento.
BIniciar tratamento empírico para malária, solicitar confirmação diagnóstica e notificar o caso.
CRepetir teste para dengue em 48 horas e manter conduta expectante.
DIniciar antibioticoterapia de amplo espectro para sepse.
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GabaritoB — Iniciar tratamento empírico para malária, solicitar confirmação diagnóstica e notificar o caso.
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Malária: manejo inicial na suspeita clínica
Gabarito: letra B. Diante de paciente com febre alta intermitente, calafrios e sudorese, retornando de área amazônica há 10 dias, o quadro é altamente sugestivo de malária — e a conduta correta é iniciar tratamento empírico imediatamente, solicitar confirmação diagnóstica (gota espessa) e notificar o caso. Aguardar o resultado da gota espessa antes de tratar (letra A) é conduta inadequada, pois o atraso terapêutico pode levar a formas graves, especialmente por Plasmodium falciparum.
A malária é a principal doença parasitária do mundo e, no Brasil, concentra-se na região amazônica, sendo transmitida pela picada da fêmea do mosquito Anopheles. O antecedente epidemiológico é decisivo: o paciente esteve em área endêmica há até 1 ou 2 meses. O período de incubação varia conforme a espécie — de 9 a 14 dias para o P. falciparum, 12 a 17 dias para o P. vivax —, o que se encaixa perfeitamente no caso: retorno há 10 dias e início dos sintomas há 4 dias. O quadro clínico clássico é o paroxismo febril, com febre alta intermitente, calafrios intensos, sudorese profusa, cefaleia e mialgia — exatamente o que o paciente apresenta. Os achados laboratoriais de anemia leve, plaquetopenia (95.000/mm³) e leucopenia também são compatíveis com malária, que cursa com anemia normocítica normocrômica, leucopenia com linfocitose e plaquetopenia que melhora rapidamente com o tratamento.
O diagnóstico é feito pela visualização do parasita na circulação periférica, por gota espessa ou esfregaço. A gota espessa é o exame de escolha no Brasil por sua alta sensibilidade, mas o tratamento não deve aguardar sua confirmação em casos suspeitos — a demora aumenta o risco de complicações graves, como malária cerebral, insuficiência renal aguda, síndrome do desconforto respiratório agudo e coagulação intravascular disseminada, todas associadas ao P. falciparum. Por isso, a recomendação do Ministério da Saúde é tratar empiricamente todo caso suspeito e, em paralelo, coletar a gota espessa para confirmação. A notificação é obrigatória, pois a malária é doença de notificação compulsória.
A alternativa A erra ao condicionar o tratamento ao resultado da gota espessa. A letra C erra ao sugerir repetir o teste de dengue — o teste rápido negativo para dengue não exclui malária, e o quadro clínico-epidemiológico é muito mais sugestivo de malária do que de dengue. A letra D erra ao propor antibioticoterapia para sepse, sem sinais de foco bacteriano e com um diagnóstico parasitário muito mais provável. A chave da questão é reconhecer que, em área endêmica ou com histórico de viagem, febre + calafrios + sudorese = malária até prova em contrário, e o tratamento empírico imediato salva vidas.
1Suspeita clínica + epidemiológica
2Coletar gota espessa
3[+] Iniciar tratamento empírico
4Notificar o caso
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A gota espessa é o exame confirmatório, mas aguardar seu resultado para iniciar o tratamento é conduta perigosa. Em caso suspeito de malária, o tratamento deve ser iniciado imediatamente, sem aguardar confirmação laboratorial, pois o atraso pode levar a formas graves e óbito, especialmente por P. falciparum. A conduta correta é coletar a gota espessa e iniciar o antimalárico empírico de forma simultânea.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta ideal: iniciar tratamento empírico para malária imediatamente, solicitar a confirmação diagnóstica (gota espessa) e notificar o caso. O quadro clínico (febre alta intermitente, calafrios, sudorese, cefaleia, mialgia) somado ao antecedente epidemiológico (viagem à Amazônia há 10 dias) é fortemente sugestivo de malária. O tratamento precoce é essencial para prevenir complicações graves e reduzir a mortalidade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Repetir o teste de dengue em 48 horas e manter conduta expectante é inadequado. O teste rápido negativo para dengue não exclui malária, e o quadro clínico é muito mais compatível com malária (febre intermitente com calafrios e sudorese) do que com dengue (febre contínua, dor retro-orbitária, exantema). A conduta expectante atrasa o tratamento de uma doença potencialmente grave.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Iniciar antibioticoterapia de amplo espectro para sepse não é a conduta correta. Não há sinais de foco bacteriano (como hipotensão, taquicardia, foco pulmonar ou urinário) que justifiquem sepse. O diagnóstico mais provável é malária, uma doença parasitária, que não responde a antibióticos. O tratamento deve ser com antimalárico específico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre "aguardar confirmação diagnóstica" e "tratar empiricamente". Em malária, o tratamento NUNCA deve aguardar o resultado da gota espessa — a demora pode ser fatal. O aluno que pensa "primeiro confirmar, depois tratar" cai na alternativa A. Lembre-se: suspeita clínica + epidemiológica forte = tratar imediato.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, diante de febre + calafrios + sudorese + histórico de viagem a área endêmica, a resposta quase sempre será "iniciar tratamento empírico para malária". Memorize a tríade clássica (febre, calafrio, cefaleia) e o período de incubação de 9 a 14 dias para P. falciparum — são os dados que a banca usa para fechar o diagnóstico.