Questão de Medicina — Médico da Família — FUNDATEC 2026
Medicina›Médico da Família
Código
qg687493
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Araquari - SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Estratégia Saúde da Família
Paciente de 48 anos, assintomática, realiza exames laboratoriais de rotina que evidenciam TSH=6,8 mUI/L (valor de referência até 4,5) e T4 livre dentro da normalidade. Nega uso de medicações e não apresenta comorbidades. Diante do quadro, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais adequada.
AConsiderar o diagnóstico de hipotireoidismo subclínico, sem necessidade de reposição hormonal no momento.
BIniciar levotiroxina.
CSolicitar ultrassonografia de tireoide.
DRepetir TSH e T4 livre para confirmação diagnóstica.
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GabaritoD — Repetir TSH e T4 livre para confirmação diagnóstica.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hipotireoidismo subclínico: conduta diagnóstica
Gabarito: letra D. Diante de TSH elevado (6,8 mUI/L) com T4 livre normal em paciente assintomática, o diagnóstico de hipotireoidismo subclínico exige confirmação com nova dosagem de TSH e T4 livre antes de qualquer decisão terapêutica — é o que preconizam as principais diretrizes (American Thyroid Association, Endocrine Society e diretrizes brasileiras). A conduta imediata não é iniciar levotiroxina nem solicitar ultrassonografia; é repetir os exames para confirmar a persistência da alteração.
O hipotireoidismo subclínico é definido laboratorialmente pela elevação do TSH com níveis normais de T4 livre. É uma condição comum — afeta entre 4% e 10% da população — e, na maioria dos casos, o paciente é assintomático, sendo o achado descoberto em exames de rotina, exatamente como no caso da paciente. A importância do diagnóstico correto está no fato de que o TSH elevado pode ser transitório: infecções agudas, estresse, uso de medicamentos (como lítio, amiodarona, interferons) e até mesmo a variação laboratorial podem elevar o TSH de forma passageira. Por isso, a confirmação com uma segunda dosagem é o primeiro passo obrigatório — iniciar tratamento baseado em uma única medida pode levar a tratamento desnecessário.
A decisão de tratar o hipotireoidismo subclínico, uma vez confirmado, depende de vários fatores. As diretrizes recomendam considerar a reposição com levotiroxina quando o TSH é persistentemente ≥ 10 mUI/L, ou quando há sintomas típicos, bócio, anticorpo anti-TPO positivo, doença cardiovascular estabelecida, diabetes ou dislipidemia. No caso da paciente — TSH de 6,8 mUI/L, assintomática, sem comorbidades —, mesmo após a confirmação, o tratamento não seria obrigatório de imediato; seria necessário avaliar anticorpos anti-TPO e acompanhar clinicamente. Mas isso é uma etapa posterior: primeiro, confirma-se o diagnóstico.
A ultrassonografia de tireoide não é exame de primeira linha no hipotireoidismo subclínico. Ela tem papel na investigação de nódulos palpáveis ou suspeitos, e na avaliação etiológica do hipotireoidismo congênito — não na confirmação diagnóstica do hipotireoidismo subclínico do adulto. A alternativa C, portanto, antecipa um exame que não é necessário neste momento. Já a alternativa A, embora correta ao afirmar que não há necessidade imediata de reposição, erra ao considerar o diagnóstico já estabelecido — sem a confirmação, não se pode afirmar que a paciente tem hipotireoidismo subclínico. A alternativa B (iniciar levotiroxina) é precipitada e contraria as diretrizes, que não indicam tratamento com TSH de 6,8 mUI/L em paciente assintomática sem comorbidades.
A pegadinha central desta questão é a tentação de pular direto para a decisão terapêutica (tratar ou não tratar) sem passar pela confirmação diagnóstica. A banca explora exatamente essa pressa: o candidato que conhece as diretrizes de tratamento do hipotireoidismo subclínico pode marcar a alternativa A, esquecendo que o diagnóstico ainda não está confirmado. O critério decisivo é a sequência: primeiro confirma-se o diagnóstico com nova dosagem; depois decide-se o tratamento.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que se deve "considerar o diagnóstico de hipotireoidismo subclínico, sem necessidade de reposição hormonal no momento". O erro está em considerar o diagnóstico já estabelecido com base em uma única dosagem de TSH. O TSH elevado pode ser transitório, e as diretrizes exigem confirmação com nova dosagem antes de firmar o diagnóstico. A conduta correta é repetir TSH e T4 livre — não simplesmente aceitar o diagnóstico e decidir sobre tratamento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Iniciar levotiroxina é precipitado. Mesmo com o diagnóstico de hipotireoidismo subclínico confirmado, o tratamento não está indicado neste caso: TSH de 6,8 mUI/L (abaixo de 10), paciente assintomática, sem bócio, sem comorbidades, sem dislipidemia. As diretrizes recomendam considerar tratamento com TSH ≥ 10 mUI/L ou na presença de fatores de risco — nenhum presente aqui. Além disso, a conduta imediata é a confirmação diagnóstica, não o tratamento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ultrassonografia de tireoide não é exame de primeira linha na investigação do hipotireoidismo subclínico. Ela é útil na avaliação de nódulos, na investigação etiológica do hipotireoidismo congênito e em casos selecionados (bócio suspeito). No caso de TSH elevado com T4 livre normal em paciente assintomática, o próximo passo é repetir os exames laboratoriais — não solicitar imagem. A ultrassonografia poderia ser considerada posteriormente, se houvesse bócio ou nódulo palpável, mas não como conduta inicial.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Repetir TSH e T4 livre é exatamente a conduta preconizada. A confirmação com segunda dosagem é obrigatória porque o TSH pode estar elevado de forma transitória (infecções, estresse, variação laboratorial, uso de medicamentos). Somente após a confirmação da persistência da elevação é que se pode firmar o diagnóstico de hipotireoidismo subclínico e, então, decidir sobre a necessidade de investigação complementar (anti-TPO) e tratamento. Esta é a conduta mais adequada e segura.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato pular direto para a decisão terapêutica. A alternativa A parece correta (e de fato reflete a conduta após o diagnóstico confirmado), mas erra ao considerar o diagnóstico já estabelecido. A sequência correta é: confirmar o diagnóstico (repetir exames) → depois decidir o tratamento. Quem conhece as diretrizes de tratamento mas esquece a etapa diagnóstica cai na alternativa A.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de hipotireoidismo subclínico, siga sempre esta ordem mental: (1) confirmar o diagnóstico com nova dosagem de TSH e T4 livre; (2) avaliar fatores que indicam tratamento (TSH ≥ 10, sintomas, anti-TPO positivo, bócio, comorbidades); (3) só então decidir sobre levotiroxina. A ultrassonografia raramente é o primeiro passo. Grave a sequência: confirmação → avaliação → tratamento.