Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2026
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg687496
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Araquari - SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Estratégia Saúde da Família
Paciente de 62 anos, com insuficiência cardíaca com fração de ejeção de 32%, classe funcional IV da New York Heart Association, estável após tratamento de congestão com diurético de alça. De acordo com as recomendações atuais, assinale a alternativa que apresenta o esquema farmacológico com maior impacto comprovado na redução de mortalidade.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida: terapia farmacológica de maior impacto na mortalidade
Gabarito: letra A. O esquema com maior impacto comprovado na redução de mortalidade para ICFEr (FE 32%, NYHA IV) é a combinação de sacubitril/valsartana + betabloqueador (carvedilol) + antagonista de mineralocorticoide (espironolactona) + iSGLT2 (dapagliflozina), conforme as diretrizes atuais de IC. A alternativa A é a única que reúne as quatro classes de fármacos com evidência robusta de redução de mortalidade, enquanto as demais omitem ou substituem um componente essencial.
A insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr) é definida pela FEVE < 40%, e o paciente do enunciado (FE 32%, NYHA IV) se enquadra exatamente nesse perfil. Historicamente, a terapia "padrão ouro" era composta por IECA ou BRA + betabloqueador + antagonista de mineralocorticoide (espironolactona). Porém, as diretrizes mais recentes incorporaram duas novas classes com benefício adicional comprovado em mortalidade: os inibidores da neprilisina e do receptor da angiotensina (sacubitril/valsartana) e os inibidores do cotransportador sódio-glicose tipo 2 (iSGLT2, como dapagliflozina e empagliflozina).
O racional é que cada classe atua em um mecanismo fisiopatológico distinto da IC: o betabloqueador (carvedilol) reduz o tônus simpático e a frequência cardíaca; o antagonista de mineralocorticoide (espironolactona) bloqueia a via da aldosterona, reduzindo fibrose e retenção de sódio; o sacubitril/valsartana inibe a neprilisina (aumentando peptídeos natriuréticos vasodilatadores) e bloqueia o receptor AT1 da angiotensina II; e a dapagliflozina inibe o SGLT2 no túbulo proximal, promovendo natriurese e efeitos metabólicos benéficos. A combinação dessas quatro classes demonstrou, em ensaios clínicos como PARADIGM-HF (sacubitril/valsartana vs enalapril) e DAPA-HF (dapagliflozina vs placebo), redução significativa de mortalidade cardiovascular e hospitalizações.
Na prática, o paciente com ICFEr sintomático (NYHA II-IV) deve receber, idealmente, as quatro classes: sacubitril/valsartana (ou IECA/BRA se não tolerar), betabloqueador, antagonista de mineralocorticoide e iSGLT2. A alternativa A é a única que contempla exatamente esse "quarteto" moderno. As demais alternativas apresentam falhas: a B troca sacubitril/valsartana por losartana (um BRA isolado, sem o benefício adicional da inibição da neprilisina); a C inclui furosemida e digoxina, que não têm impacto comprovado em mortalidade (diuréticos apenas aliviam congestão; digoxina reduz hospitalizações, mas não mortalidade); e a D usa enalapril (IECA) em vez de sacubitril/valsartana, além de incluir furosemida sem espironolactona.
A pegadinha central desta questão é distinguir as medicações que reduzem mortalidade (as quatro classes do "quarteto") daquelas que apenas melhoram sintomas ou congestão (diuréticos, digoxina). O candidato que memoriza o esquema moderno de ICFEr identifica imediatamente a alternativa A como a correta, pois é a única que contém exclusivamente fármacos com benefício prognóstico comprovado.
ICFEr — quarteto com benefício de mortalidade
1Sacubitril/valsartana
Inibidor da neprilisina + BRA
Superior ao enalapril (PARADIGM-HF)
2Betabloqueador (carvedilol)
Reduz tônus simpático
3Antagonista de mineralocorticoide (espironolactona)
Bloqueia aldosterona
Reduz mortalidade (RALES)
4iSGLT2 (dapagliflozina)
Natriurese e efeitos metabólicos
Reduz mortalidade (DAPA-HF)
5Coadjuvantes (sem benefício de mortalidade)
Diurético de alça (furosemida)
Alivia congestão
Digoxina
Reduz hospitalizações
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa reúne as quatro classes farmacológicas com maior impacto comprovado na redução de mortalidade em ICFEr: sacubitril/valsartana (inibidor da neprilisina + BRA), carvedilol (betabloqueador), espironolactona (antagonista de mineralocorticoide) e dapagliflozina (iSGLT2). Cada uma delas tem evidência robusta de redução de mortalidade em ensaios clínicos randomizados (PARADIGM-HF, COPERNICUS, RALES, DAPA-HF). É exatamente o esquema preconizado pelas diretrizes atuais para pacientes com ICFEr sintomáticos, como o do enunciado (FE 32%, NYHA IV).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Troca o sacubitril/valsartana por losartana (um BRA isolado). Embora losartana seja uma opção válida quando não se pode usar sacubitril/valsartana, ela não tem o benefício adicional de redução de mortalidade demonstrado pelo sacubitril/valsartana no estudo PARADIGM-HF, que comparou diretamente os dois e mostrou superioridade do sacubitril/valsartana. Portanto, o esquema com losartana tem menor impacto comprovado em mortalidade do que o da alternativa A.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Inclui furosemida (diurético de alça) e digoxina, que não têm impacto comprovado na redução de mortalidade. A furosemida é essencial para aliviar congestão, mas não reduz mortalidade; a digoxina reduz hospitalizações, mas não demonstrou redução de mortalidade. Além disso, omite a espironolactona (antagonista de mineralocorticoide), que tem benefício prognóstico comprovado (estudo RALES). Portanto, o esquema é incompleto e inclui fármacos sem benefício de mortalidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Usa enalapril (IECA) em vez de sacubitril/valsartana e inclui furosemida, omitindo a espironolactona. Embora enalapril seja uma opção válida (e tenha benefício comprovado), o sacubitril/valsartana demonstrou superioridade em mortalidade no PARADIGM-HF. Além disso, a ausência de espironolactona (que tem benefício prognóstico comprovado) e a presença de furosemida (sem benefício de mortalidade) tornam o esquema inferior ao da alternativa A.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre medicações que reduzem mortalidade e aquelas que apenas controlam sintomas. Furosemida e digoxina são fármacos "clássicos" da IC, mas não têm impacto comprovado em mortalidade — o candidato que os vê nas alternativas pode ser induzido a escolhê-las. O "quarteto" moderno (sacubitril/valsartana + betabloqueador + espironolactona + iSGLT2) é o que tem maior evidência de redução de mortalidade.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de ICFEr, memorize o "quarteto" das quatro classes com benefício de mortalidade: (1) sacubitril/valsartana (ou IECA/BRA), (2) betabloqueador, (3) antagonista de mineralocorticoide, (4) iSGLT2. Diuréticos e digoxina são coadjuvantes para sintomas, nunca a base do esquema prognóstico.