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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg687519
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Araquari - SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Pediatra
Uma criança de 3 anos previamente hígida é levada ao pronto atendimento com história de diarreia há 7 dias, inicialmente aquosa, evoluindo para fezes sanguinolentas, associada à dor abdominal intensa. Após alguns dias, passa a apresentar palidez, redução do volume urinário e prostração. Ao exame: palidez cutâneo-mucosa, edema leve e pressão arterial elevada. Exames laboratoriais evidenciam anemia com esquizócitos no esfregaço periférico, trombocitopenia e elevação de ureia e creatinina. Considerando o quadro clínico compatível com síndrome hemolítico-urêmica associada à infecção por Escherichia coli produtora de toxina Shiga, assinale a alternativa correta.
  1. AA tríade clássica da doença inclui anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e lesão renal aguda.
  2. BA fisiopatologia envolve destruição imunológica das hemácias mediada por anticorpos, com teste de Coombs positivo.
  3. CO uso precoce de antibióticos durante a fase diarreica reduz comprovadamente o risco de evolução para síndrome hemolítico-urêmica.
  4. DA transfusão de plaquetas está indicada rotineiramente devido ao alto risco de sangramento espontâneo.
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GabaritoA — A tríade clássica da doença inclui anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e lesão renal aguda.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome Hemolítico-Urêmica (SHU) associada à E. coli produtora de toxina Shiga

Gabarito: letra A. A tríade clássica da síndrome hemolítico-urêmica (SHU) é composta por anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e lesão renal aguda — exatamente o que a alternativa A descreve. O quadro clínico apresentado (diarreia sanguinolenta, palidez, edema, hipertensão, esquizócitos, trombocitopenia e elevação de ureia/creatinina) é o protótipo da SHU típica pós-infecciosa, causada pela Escherichia coli produtora de toxina Shiga (STEC).

A síndrome hemolítico-urêmica é uma microangiopatia trombótica caracterizada pela tríade de anemia hemolítica microangiopática (com esquizócitos no esfregaço periférico), trombocitopenia e insuficiência renal aguda. A forma mais comum em crianças é a SHU típica, associada à infecção por STEC, especialmente o sorotipo O157:H7. A toxina Shiga lesa as células endoteliais dos glomérulos renais, desencadeando ativação plaquetária, formação de microtrombos e obstrução vascular — o que explica a anemia hemolítica mecânica (esquizócitos), o consumo de plaquetas e a lesão renal. O diagnóstico é essencialmente clínico-laboratorial, e o tratamento é de suporte, com manejo cuidadoso de fluidos, eletrólitos e, se necessário, diálise.

A fisiopatologia da SHU típica NÃO envolve destruição imunológica das hemácias mediada por anticorpos — o teste de Coombs é negativo. A anemia é microangiopática, ou seja, as hemácias são fragmentadas mecanicamente ao passar pelos microtrombos nos pequenos vasos, formando os esquizócitos. O uso de antibióticos na fase diarreica da infecção por STEC é controverso e, em alguns estudos, pode até aumentar o risco de evolução para SHU, pois a lise bacteriana liberaria mais toxina. Portanto, não há evidência de que antibióticos reduzam o risco — a recomendação é evitar seu uso rotineiro nesse contexto. A transfusão de plaquetas não está indicada rotineiramente na SHU, pois o risco de sangramento espontâneo é baixo e a transfusão pode piorar a microangiopatia, aumentando a formação de trombos.

A distinção crucial que a banca explora é entre a SHU típica (pós-infecciosa, por STEC) e outras microangiopatias trombóticas, como a púrpura trombocitopênica trombótica (PTT). Na PTT, há deficiência da ADAMTS13 (enzima que cliva o fator de von Willebrand), o que leva a trombos plaquetários difusos, com envolvimento neurológico mais proeminente e menos lesão renal. Na SHU típica, a lesão renal é a marca registrada, e o envolvimento neurológico é menos comum. Além disso, a SHU atípica (não relacionada a STEC) envolve desregulação do complemento, com mutações em fatores como o fator H — mas essa distinção não é o foco da questão.

A pegadinha central desta questão é a alternativa B, que sugere mecanismo imunológico com Coombs positivo — isso confunde SHU com anemia hemolítica autoimune. A alternativa C explora a controvérsia sobre antibióticos, apresentando como fato comprovado algo que é, na verdade, desaconselhado. A alternativa D inverte a indicação de transfusão de plaquetas, que é contraindicada na SHU. A alternativa A, por sua vez, descreve com precisão a tríade clássica, sendo a única correta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o mecanismo da anemia na SHU: ela é microangiopática (fragmentação mecânica das hemácias, com esquizócitos e Coombs negativo), não imunológica (Coombs positivo). Além disso, inverte a conduta sobre antibióticos — na infecção por STEC, o uso é controverso e pode até aumentar o risco de SHU, não reduzir. E a transfusão de plaquetas é contraindicada, não rotineira. Fique atento a essas inversões clássicas.

Critério

SHU típica (STEC)

PTT

Mecanismo

Toxina Shiga lesa endotélio → microtrombos

Deficiência de ADAMTS13 → trombos plaquetários difusos

Anemia

Hemolítica microangiopática (Coombs negativo, esquizócitos)

Hemolítica microangiopática (Coombs negativo, esquizócitos)

Plaquetas

Trombocitopenia (consumo)

Trombocitopenia (consumo)

Rim

Lesão renal aguda (marca registrada)

Lesão renal menos proeminente

Neurológico

Menos comum

Envolvimento neurológico proeminente

Tratamento

Suporte (hidratação, diálise se necessário)

Plasmaférese/plasma

SHU típica (pós-infecciosa)
  • 1Tríade clássica
    • Anemia hemolítica microangiopática
    • Trombocitopenia
    • Lesão renal aguda
  • 2Mecanismo
    • Toxina Shiga (STEC)
    • Lesão endotelial glomerular
    • Microtrombos → esquizócitos
  • 3Condutas
    • Antibióticos (podem piorar)
    • Transfusão de plaquetas (rotineira)
    • Suporte (hidratação, diálise)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A tríade clássica da SHU é exatamente anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia e lesão renal aguda. O enunciado descreve todos esses elementos: anemia com esquizócitos (hemólise microangiopática), trombocitopenia e elevação de ureia/creatinina com oligúria (lesão renal). A alternativa espelha a definição canônica da doença.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A fisiopatologia da SHU típica não envolve destruição imunológica das hemácias. A anemia é microangiopática: as hemácias são fragmentadas mecanicamente ao atravessar microtrombos formados nos pequenos vasos, resultando em esquizócitos. O teste de Coombs é negativo, pois não há anticorpos contra hemácias. Esse mecanismo é típico de anemias hemolíticas autoimunes, como a anemia hemolítica autoimune por anticorpos quentes, que não é o caso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O uso de antibióticos na fase diarreica da infecção por STEC é controverso e não há evidência de que reduza o risco de SHU. Pelo contrário, alguns estudos sugerem que antibióticos podem aumentar o risco, pois a lise bacteriana liberaria mais toxina Shiga. A conduta recomendada é suporte com hidratação e monitorização, evitando antibióticos e antidiarreicos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A transfusão de plaquetas não está indicada rotineiramente na SHU. O risco de sangramento espontâneo é baixo, e a transfusão pode piorar a microangiopatia, aumentando a formação de trombos e agravando a lesão renal. A indicação é restrita a casos de sangramento ativo ou procedimentos invasivos, sempre com cautela.

Gabarito: letra A

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