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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg687525
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Araquari - SC
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Pediatra
Recém-nascido a termo, no alojamento conjunto e com 16 horas de vida, assintomático, com mãe que apresentou sífilis na gestação (VDRL 1:32) e sem tratamento adequado. Diante disso, qual exame é dispensável?
  1. ATeste treponêmico para o recém-nascido.
  2. BVDRL para o recém-nascido.
  3. CCitologia no líquor do recém-nascido.
  4. DRaio X de ossos longos no recém-nascido.
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GabaritoA — Teste treponêmico para o recém-nascido.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sífilis congênita: investigação do recém-nascido exposto

Gabarito: letra A. O teste treponêmico é dispensável na avaliação inicial do recém-nascido exposto à sífilis, pois não há correlação entre a titulação dos testes treponêmicos do RN e da mãe que possa sugerir sífilis congênita — por isso, não se recomenda sua realização no bebê até os 18 meses de idade. Os demais exames (VDRL, citologia do líquor e raio X de ossos longos) fazem parte da investigação obrigatória da criança exposta à sífilis, conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde para IST.

A sífilis congênita é uma doença de transmissão vertical causada pelo Treponema pallidum, que atravessa a barreira placentária e se dissemina por quase todos os órgãos do feto. Quando a mãe não foi tratada ou foi tratada de forma inadequada durante o pré-natal, a criança é classificada como caso de sífilis congênita, independentemente dos resultados da avaliação clínica ou de exames complementares. Isso significa que, mesmo um recém-nascido assintomático, como o do enunciado, exige investigação completa e tratamento imediato.

A investigação da criança exposta à sífilis inclui, obrigatoriamente, na maternidade: teste não treponêmico (VDRL) em sangue periférico do RN e da mãe, pareados para comparação; hemograma com plaquetas; exames de função hepática, pancreática, renal e distúrbios eletrolíticos; punção lombar para análise do líquor (citologia, VDRL, proteínas); e radiografia de ossos longos. O teste treponêmico, por sua vez, não deve ser realizado na maternidade — ele só é recomendado a partir dos 18 meses de idade, quando os anticorpos maternos transferidos passivamente já desapareceram, permitindo confirmar ou excluir o diagnóstico de sífilis congênita.

A lógica por trás dessa conduta é simples: os anticorpos treponêmicos IgG maternos atravessam a placenta e permanecem no sangue do bebê por até 18 meses, tornando qualquer teste treponêmico realizado antes disso incapaz de distinguir infecção congênita de passagem passiva de anticorpos. Já os testes não treponêmicos (VDRL) são quantitativos e permitem comparar os títulos maternos e do RN: um título do bebê maior que o materno em pelo menos duas diluições (ex.: mãe 1:4, RN ≥ 1:16) é indicativo de infecção congênita. Por isso, o VDRL é o exame sorológico de escolha na avaliação inicial.

A pegadinha desta questão está em distinguir o que é obrigatório na investigação da criança exposta à sífilis do que é dispensável. O candidato pode ser tentado a marcar a citologia do líquor ou o raio X de ossos longos como exames desnecessários, mas ambos são parte essencial da investigação — a punção lombar avalia neurossífilis e a radiografia identifica alterações ósseas características, como as bandas metafisárias luzentes e o sinal de Wimberger. O único exame que não se recomenda realizar na maternidade é o teste treponêmico, exatamente o que a alternativa A aponta.

Guarde esta distinção: teste não treponêmico (VDRL) = obrigatório na maternidade e no seguimento; teste treponêmico = não realizar na maternidade, apenas a partir dos 18 meses. É nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O teste treponêmico é o exame dispensável na avaliação inicial do recém-nascido exposto à sífilis. O PCDT do Ministério da Saúde é explícito: "Não há correlação entre a titulação dos testes treponêmicos do RN e da mãe que possa sugerir SC. Dessa forma, não se recomenda a realização do teste treponêmico no bebê até os 18 meses." Como os anticorpos treponêmicos maternos atravessam a placenta e permanecem no sangue do bebê por até 18 meses, um teste treponêmico reagente nesse período não distingue infecção congênita de passagem passiva de anticorpos. Por isso, na maternidade, o teste treponêmico não deve ser realizado — ele só tem valor diagnóstico a partir dos 18 meses, quando os anticorpos maternos já desapareceram.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O VDRL (teste não treponêmico) é obrigatório na maternidade para todo recém-nascido exposto à sífilis, independentemente do histórico de tratamento materno. O sangue periférico do RN e da mãe deve ser coletado de forma pareada para comparação de títulos — um título do bebê maior que o materno em pelo menos duas diluições indica infecção congênita. O sangue de cordão umbilical não deve ser utilizado, pois contém mistura do sangue materno e pode gerar falso-reagentes. Portanto, o VDRL é essencial e não pode ser dispensado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A citologia do líquor (punção lombar) é parte obrigatória da investigação da criança exposta à sífilis, especialmente quando a mãe não foi tratada ou foi tratada de forma inadequada. O exame avalia a presença de VDRL reagente no líquor, pleocitose e aumento de proteínas — alterações que indicam neurossífilis e exigem tratamento com benzilpenicilina potássica (cristalina) por 10 dias. A punção lombar não é dispensável; ela é fundamental para definir a extensão do comprometimento do sistema nervoso central.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A radiografia de ossos longos é obrigatória na investigação da criança exposta à sífilis. O T. pallidum se dissemina amplamente pelo organismo fetal, e os ossos são um dos órgãos mais frequentemente envolvidos. A radiografia pode revelar bandas metafisárias luzentes, desmineralizações simétricas e o sinal de Wimberger (destruição óssea da porção medial da metáfise proximal tibial). Essas alterações são importantes para o diagnóstico e o estadiamento da doença, portanto o exame não pode ser dispensado.

A regra de ouro para a prova: na criança exposta à sífilis, a investigação inicial inclui VDRL pareado, hemograma, função hepática/renal, líquor e radiografia de ossos longos — o teste treponêmico fica para depois dos 18 meses. Memorize essa lista e você acerta qualquer questão sobre o tema.

Gabarito: letra A

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