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Questão de Medicina — Dermatologia — FUNDATEC 2026

MedicinaDermatologia
Código
qg688078
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Bento Gonçalves - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Dermatologista
Um recém-nascido apresenta, desde o nascimento, bolhas e erosões generalizadas na pele e mucosas, que se formam após traumas mínimos. A análise histopatológica de uma bolha recente mostra uma clivagem na junção dermo-epidérmica, ao nível da lâmina lúcida. A imunofluorescência direta revela ausência de marcação para a laminina-332. Qual das seguintes formas de epidermólise bolhosa é a mais provável?
  1. AEpidermólise bolhosa simples.
  2. BEpidermólise bolhosa distrófica dominante.
  3. CEpidermólise bolhosa distrófica recessiva.
  4. DEpidermólise bolhosa juncional grave generalizada (tipo Herlitz).
  5. ESíndrome de Kindler.
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GabaritoD — Epidermólise bolhosa juncional grave generalizada (tipo Herlitz).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Epidermólise bolhosa: classificação e diagnóstico

Gabarito: letra D. A epidermólise bolhosa juncional grave generalizada (tipo Herlitz) é a forma mais provável, pois o quadro clínico de bolhas e erosões desde o nascimento, com clivagem na lâmina lúcida e ausência de marcação para laminina-332 na imunofluorescência direta, é patognomônico dessa variante. As demais formas apresentam níveis de clivagem e alterações moleculares distintos.

A epidermólise bolhosa (EB) é um grupo de doenças genéticas caracterizadas por fragilidade cutânea e formação de bolhas e erosões após traumas mínimos. A classificação tradicional baseia-se no nível de clivagem da pele, determinado pela histopatologia e pela imunofluorescência direta (IFD). Os quatro grandes grupos são: EB simples (clivagem intraepidérmica, na camada basal), EB juncional (clivagem na lâmina lúcida da zona da membrana basal), EB distrófica (clivagem na lâmina densa ou sub-lâmina densa) e síndrome de Kindler (clivagem em múltiplos níveis).

A EB juncional é causada por mutações em genes que codificam proteínas da zona da membrana basal, como laminina-332, colágeno tipo XVII e integrinas. A forma grave generalizada, também conhecida como tipo Herlitz, é a mais severa e está associada a mutações nos genes LAMA3, LAMB3 ou LAMC2, que codificam as cadeias da laminina-332. A ausência completa dessa proteína na IFD é um marcador diagnóstico fundamental. Clinicamente, os pacientes apresentam bolhas e erosões generalizadas ao nascimento, com comprometimento de mucosas, unhas e dentes, e frequentemente evoluem com complicações sistêmicas graves, como anemia, desnutrição e infecções.

A distinção entre as formas de EB é crucial para o prognóstico e o aconselhamento genético. Enquanto a EB simples costuma ser mais branda e limitada à pele, a EB juncional tipo Herlitz é frequentemente letal na primeira infância. A EB distrófica, por sua vez, é causada por mutações no gene COL7A1, que codifica o colágeno tipo VII, e pode ser dominante ou recessiva. A síndrome de Kindler é uma forma rara com clivagem em múltiplos níveis e está associada a mutações no gene FERMT1 (kindlin-1).

A pegadinha desta questão está em associar corretamente o nível de clivagem e o defeito molecular a cada tipo de EB. O candidato pode confundir a EB juncional com a distrófica, pois ambas são subepidérmicas, mas a clivagem na lâmina lúcida e a ausência de laminina-332 apontam especificamente para a forma juncional. Além disso, a presença de comprometimento mucoso e a gravidade do quadro desde o nascimento reforçam o diagnóstico de tipo Herlitz.

Guarde a correlação entre o nível de clivagem e a proteína alterada: é exatamente essa associação que separa as alternativas desta questão.

Tipo de Epidermólise Bolhosa

Nível de Clivagem

Proteína Alterada

IFD (marcação)

Simples

Intraepidérmica (camada basal)

Queratinas 5 e 14

Laminina-332 normal

Juncional (Herlitz)

Lâmina lúcida

Laminina-332

Ausência de laminina-332

Distrófica (dominante ou recessiva)

Lâmina densa / sub-lâmina densa

Colágeno tipo VII

Colágeno VII ausente/diminuído; laminina-332 normal

Síndrome de Kindler

Múltiplos níveis

Kindlin-1 (FERMT1)

Laminina-332 normal

1Simples
Clivagem intraepidérmica
Queratinas 5 e 14
2Juncional
Clivagem na lâmina lúcida
Laminina-332 (tipo Herlitz)
3Distrófica
Clivagem na lâmina densa
Colágeno VII (COL7A1)
4Síndrome de Kindler
Clivagem em múltiplos níveis
Kindlin-1 (FERMT1)
Epidermólise bolhosa
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Epidermólise bolhosa: Simples (Clivagem intraepidérmica, Queratinas 5 e 14); Juncional (Clivagem na lâmina lúcida, Laminina-332 (tipo Herlitz)); Distrófica (Clivagem na lâmina densa, Colágeno VII (COL7A1)); Síndrome de Kindler (Clivagem em múltiplos níveis, Kindlin-1 (FERMT1))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A epidermólise bolhosa simples apresenta clivagem intraepidérmica, na camada basal da epiderme, e não na lâmina lúcida. As bolhas são geralmente localizadas, sem comprometimento mucoso significativo, e a IFD mostra marcação normal para laminina-332. O defeito molecular está nas queratinas 5 e 14.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A epidermólise bolhosa distrófica dominante apresenta clivagem na lâmina densa ou sub-lâmina densa, e não na lâmina lúcida. É causada por mutações no gene COL7A1, que codifica o colágeno tipo VII, e a IFD mostra marcação normal para laminina-332, mas ausência ou diminuição do colágeno VII.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A epidermólise bolhosa distrófica recessiva também apresenta clivagem na lâmina densa ou sub-lâmina densa, com defeito no colágeno tipo VII. A IFD revela ausência ou diminuição da marcação para colágeno VII, não para laminina-332. O quadro clínico pode ser grave, mas o nível de clivagem e o defeito molecular são distintos da forma juncional.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A epidermólise bolhosa juncional grave generalizada (tipo Herlitz) é caracterizada por clivagem na lâmina lúcida da zona da membrana basal, com ausência de marcação para laminina-332 na imunofluorescência direta. O quadro clínico de bolhas e erosões generalizadas desde o nascimento, com comprometimento mucoso, é típico dessa forma, que é a mais grave e frequentemente letal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A síndrome de Kindler é uma forma rara de epidermólise bolhosa que apresenta clivagem em múltiplos níveis (intraepidérmica, juncional e subepidérmica), e não especificamente na lâmina lúcida. É causada por mutações no gene FERMT1 (kindlin-1), e a IFD mostra marcação normal para laminina-332, mas pode haver alterações em outras proteínas da membrana basal.

Gabarito: letra D — Epidermólise bolhosa juncional grave generalizada (tipo Herlitz).

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