Questão de Medicina — Angiologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg688238
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- Prefeitura de Bento Gonçalves - RS
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Angiologista
- A>1,5.
- B<2.
- C<3,5.
- D>4.
- EEntre 2 e 4.
GabaritoD — >4.
Gabarito: letra D. Na doença aterosclerótica do território aorto-ilíaco com estenose hemodinamicamente significativa (≥ 75%), o índice de velocidade sistólica (IVS) encontrado na ultrassonografia com Doppler vascular é > 4. Esse valor é o critério clássico para definir estenose grave nesse segmento, conforme a literatura de cirurgia vascular e os critérios de classificação hemodinâmica por duplex scan.
O índice de velocidade sistólica (IVS), também chamado de razão de velocidade sistólica (RVS), é um parâmetro fundamental na avaliação ultrassonográfica das estenoses arteriais. Ele é calculado pela razão entre a velocidade sistólica máxima (VSM) no ponto da estenose e a VSM em um segmento arterial normal proximal à lesão. Esse índice permite estimar o grau de estenose de forma objetiva, correlacionando-se com a gravidade da obstrução ao fluxo sanguíneo.
A lógica por trás do IVS é a conservação do fluxo: quando o lúmen arterial se estreita, a velocidade do sangue aumenta para manter o mesmo débito. Quanto maior a estenose, maior o aumento da velocidade. Por isso, valores progressivamente mais altos de IVS indicam estenoses mais graves. Para o território aorto-ilíaco, os critérios mais aceitos são:
Grau de estenose | IVS (RVS) |
|---|---|
< 50% | < 2,0 |
50–74% | 2,0 – 3,5 |
≥ 75% (hemodinamicamente significativa) | > 4,0 |
Esses valores são amplamente utilizados na prática clínica e em provas de angiologia e cirurgia vascular. A estenose ≥ 75% é considerada hemodinamicamente significativa porque, a partir desse grau, há queda mensurável da pressão distal e comprometimento do fluxo em repouso, correlacionando-se com sintomas como claudicação intermitente.
A pegadinha desta questão está em confundir os critérios de estenose para diferentes territórios vasculares. Por exemplo, para a artéria carótida interna, um IVS > 2,0 já indica estenose ≥ 50%, e > 4,0 indica estenose ≥ 80%. Já para o território aorto-ilíaco, o ponto de corte para estenose hemodinamicamente significativa (≥ 75%) é mais alto, exigindo IVS > 4,0. A banca explora exatamente essa diferença de valores entre territórios.
Guarde a tabela acima: ela é o critério decisivo que separa as alternativas. A questão pede especificamente o valor para estenose ≥ 75% no território aorto-ilíaco, e a resposta é o valor mais alto entre as opções.
O valor > 1,5 é um critério utilizado para estenose carotídea, não para o território aorto-ilíaco. Na carótida, um IVS > 1,5 pode indicar estenose leve a moderada, mas não define estenose hemodinamicamente significativa em nenhum território. A banca troca o valor de um território para outro.
O valor < 2 indica ausência de estenose significativa ou estenose < 50% no território aorto-ilíaco. Uma estenose ≥ 75% produz um IVS muito maior, pois o aumento da velocidade é proporcional à gravidade da obstrução. Este valor é um distrator para quem não domina a escala.
O valor < 3,5 corresponderia a uma estenose entre 50% e 74%, ou seja, ainda não hemodinamicamente significativa. Para estenose ≥ 75%, o IVS é maior que 4,0. A alternativa inverte a lógica: quanto maior a estenose, maior o IVS.
O valor > 4 é o critério clássico para estenose ≥ 75% (hemodinamicamente significativa) no território aorto-ilíaco. Esse é o ponto de corte que define a lesão grave, correlacionando-se com a queda de pressão distal e os sintomas de claudicação. É o valor que a literatura de cirurgia vascular adota para esse segmento.
O intervalo entre 2 e 4 corresponde a estenoses de 50% a 74%, que são moderadas, mas não atingem o grau de hemodinamicamente significativa (≥ 75%). A questão pede especificamente o valor para estenose ≥ 75%, que é > 4,0, e não um intervalo intermediário.
A banca explora a confusão entre os critérios de IVS para diferentes territórios vasculares. O candidato que memoriza o valor para carótida (> 2,0 para estenose ≥ 50%) pode marcar a alternativa A ou B, mas o território aorto-ilíaco exige um valor mais alto para estenose grave. Fique atento ao território mencionado no enunciado!
Para questões de Doppler vascular, decore a tabela de IVS por território: carótida (≥ 50% → > 2,0; ≥ 80% → > 4,0) e aorto-ilíaco (≥ 75% → > 4,0). Essa distinção é recorrente em provas de angiologia e cirurgia vascular.
Gabarito: letra D
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