Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2026
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg688245
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Bento Gonçalves - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Cardiologista
Paciente de 60 anos dá entrada em uma UPA com dor torácica típica há 2 horas. ECG sem supra do segmento ST e troponina ultrassensível inicial negativa. O serviço dispõe de ecocardiograma transtorácico e Central de Regulação para alta complexidade. Considerando a síndrome coronariana aguda sem supra de ST, os métodos diagnósticos não invasivos, a regulação assistencial e notificação compulsória, assinale a alternativa correta.
BSupra ST ao eletrocardiograma com ecocardiograma transtorácico normal afasta isquemia aguda, permitindo alta imediata.
CMétodos não invasivos são inúteis na fase aguda e não influenciam a regulação.
DO quadro exige dosagem seriada de troponina, uso de métodos não invasivos conforme estabilidade clínica e acionamento da regulação para serviço de alta complexidade quando indicado.
EA notificação compulsória é restrita ao infarto com supra do segmento ST.
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GabaritoD — O quadro exige dosagem seriada de troponina, uso de métodos não invasivos conforme estabilidade clínica e acionamento da regulação para serviço de alta complexidade quando indicado.
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Síndrome coronariana aguda sem supra de ST: diagnóstico, métodos não invasivos e regulação
Gabarito: letra D. Na SCA sem supra de ST, a troponina inicial negativa NÃO exclui doença coronariana aguda — exige-se dosagem seriada; os métodos não invasivos (ecocardiograma, angiotomografia, cintilografia) são úteis conforme a estabilidade clínica; e o acionamento da regulação para serviço de alta complexidade é indicado quando há critérios de risco. As demais alternativas erram ao afirmar que a troponina negativa exclui a doença, que o ECG sem supra com eco normal afasta isquemia, que métodos não invasivos são inúteis na fase aguda, ou que a notificação compulsória é restrita ao IAM com supra.
A síndrome coronariana aguda (SCA) compreende um espectro que vai da angina instável ao infarto agudo do miocárdio (IAM), com ou sem elevação do segmento ST. A classificação em "com supra" e "sem supra" é crucial porque modifica a estratégia de reperfusão: no IAM com supra, a reperfusão imediata (angioplastia primária ou fibrinolítico) é a prioridade; na SCA sem supra, o manejo é guiado pela estratificação de risco, com uso de antiagregantes, anticoagulantes e decisão sobre cateterismo conforme o risco (escores GRACE, TIMI).
O diagnóstico de SCA sem supra é desafiador. A troponina ultrassensível é o marcador de escolha, mas uma dosagem inicial negativa não exclui o infarto — a liberação do marcador ocorre horas após o início da isquemia, e por isso a dosagem seriada (na admissão e após 1–3 horas, ou conforme protocolo) é obrigatória. O ECG também pode ser normal ou inespecífico na apresentação, exigindo traçados seriados. O ecocardiograma transtorácico à beira do leito pode revelar alterações segmentares de contratilidade (hipocinesia, acinesia) sugestivas de isquemia, além de auxiliar no diagnóstico diferencial (dissecção de aorta, embolia pulmonar, derrame pericárdico).
Os métodos não invasivos de avaliação de isquemia (ecocardiograma com estresse, cintilografia miocárdica, angiotomografia de coronárias, ressonância magnética) têm papel na estratificação de pacientes com suspeita de SCA, troponinas seriadas baixas e risco aumentado nos escores — ou seja, são úteis na fase aguda para decidir conduta e influenciam a necessidade de regulação para alta complexidade. A angiotomografia, por exemplo, tem alto valor preditivo negativo e pode excluir doença arterial coronariana em pacientes de baixo/moderado risco.
A regulação assistencial (Central de Regulação) é acionada quando o paciente necessita de recursos não disponíveis na unidade — como hemodinâmica, UTI ou cirurgia cardíaca. Na SCA sem supra de alto risco, a transferência para serviço de alta complexidade é indicada. Quanto à notificação compulsória: o infarto agudo do miocárdio é doença de notificação compulsória, independentemente de haver ou não supra de ST — a notificação não se restringe ao IAM com supra.
A pegadinha central desta questão é a falsa sensação de segurança que a troponina inicial negativa e o ECG sem supra geram: o candidato pode achar que o paciente está "livre" de doença coronariana aguda. Na verdade, a SCA sem supra é justamente o cenário em que o ECG pode ser normal e a troponina ainda não elevou — e é exatamente aí que a conduta correta (dosagem seriada, métodos não invasivos, regulação quando indicado) se impõe. Guarde essa fronteira: troponina negativa isolada ≠ exclusão de SCA; é o critério que separa as alternativas.
SCA sem supra de ST
1Diagnóstico
Troponina seriada (inicial pode ser negativa)
ECG seriado (pode ser normal)
Eco: alteração segmentar de contratilidade
2Métodos não invasivos
Ecocardiograma com estresse
Cintilografia miocárdica
Angiotomografia de coronárias
Ressonância magnética
3Regulação assistencial
Acionada quando falta recurso local
Alto risco → alta complexidade
4Notificação compulsória
Vale para todo IAM (com ou sem supra)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a troponina inicial negativa exclui doença coronariana aguda, dispensando regulação e notificação. Erro duplo: (1) a troponina inicial pode ser negativa nas primeiras horas de um IAM sem supra — a dosagem seriada é obrigatória; (2) a notificação compulsória do IAM independe do resultado da troponina ou da presença de supra. A alternativa confunde "marcador negativo no momento" com "ausência de doença", o que é falso.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que supra de ST ao ECG com ecocardiograma transtorácico normal afasta isquemia aguda, permitindo alta imediata. Erro: o ecocardiograma normal não exclui isquemia aguda — alterações segmentares podem ser sutis, transitórias ou ausentes; e o supra de ST é critério de IAM com supra, que exige reperfusão imediata, jamais alta. A alternativa inverte a lógica: supra de ST é indicação de emergência, não de alta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que métodos não invasivos são inúteis na fase aguda e não influenciam a regulação. Erro: os métodos não invasivos (ecocardiograma, angiotomografia, cintilografia) são úteis na estratificação de risco da SCA sem supra, ajudam no diagnóstico diferencial e influenciam a decisão de regulação para alta complexidade. A alternativa nega o papel desses exames, contrariando a prática clínica.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa correta sintetiza a conduta adequada: dosagem seriada de troponina (pois a inicial pode ser negativa), uso de métodos não invasivos conforme a estabilidade clínica (para estratificação de risco e diagnóstico diferencial) e acionamento da regulação para serviço de alta complexidade quando indicado (por exemplo, alto risco, instabilidade, necessidade de hemodinâmica). Cada elemento está correto e alinhado às diretrizes de SCA sem supra.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a notificação compulsória é restrita ao infarto com supra do segmento ST. Erro: o IAM é doença de notificação compulsória em todas as suas formas, incluindo o IAM sem supra. A alternativa restringe indevidamente a notificação, confundindo a classificação eletrocardiográfica (que orienta a reperfusão) com a obrigação de notificação epidemiológica.
Fechamento: a regra de ouro para a prova: na SCA sem supra, troponina negativa não exclui, ECG normal não afasta, métodos não invasivos ajudam na estratificação, e a notificação compulsória vale para todo IAM. A conduta correta é sempre dosagem seriada + avaliação por imagem conforme estabilidade + regulação quando houver critério de risco.