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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FUNDATEC 2026

MedicinaClínica Médica Humana
Código
qg688265
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Bento Gonçalves - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínica Médica
Uma mulher de 52 anos procura atendimento por fadiga, ganho de peso, constipação e intolerância ao frio há cerca de 8 meses. Sem comorbidades relevantes e sem uso de medicações interferentes. Ao exame físico, apresenta pele seca, bradicardia e discreto edema periorbitário. Os exames laboratoriais revelam:

• TSH = 12,5 mUI/L (VN: 0,4–4,5).

• T4 livre = 0,6 ng/dL (VN: 0,8–1,8).

Com base nesse quadro, qual é a conduta inicial mais adequada? 
  1. ARepetir os exames em 6 meses, pois trata-se de hipotireoidismo subclínico.
  2. BIniciar levotiroxina em dose plena imediatamente (1,6–1,8 µg/kg/dia).
  3. CIniciar tratamento apenas se anticorpos antitireoidianos forem positivos.
  4. DIniciar levotiroxina em dose baixa e titular progressivamente conforme TSH.
  5. ESolicitar cintilografia da tireoide antes de iniciar o tratamento.
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GabaritoD — Iniciar levotiroxina em dose baixa e titular progressivamente conforme TSH.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipotireoidismo primário: conduta inicial

Gabarito: letra D. A paciente apresenta hipotireoidismo primário manifesto (TSH elevado e T4 livre baixo, com sintomas clássicos), e a conduta inicial adequada é iniciar levotiroxina em dose baixa e titular progressivamente conforme o TSH, evitando dose plena em pacientes idosos ou com doença coronariana — embora a paciente não tenha comorbidades, a titulação é a prática recomendada para evitar efeitos adversos. A alternativa D reflete exatamente essa abordagem.

O hipotireoidismo é uma síndrome clínica resultante da deficiência de hormônios tireoidianos, que pode ser primária (disfunção da glândula tireoide), secundária (disfunção hipofisária) ou terciária (disfunção hipotalâmica). No caso apresentado, o TSH elevado (12,5 mUI/L) com T4 livre baixo (0,6 ng/dL) confirma o hipotireoidismo primário, pois a hipófise está respondendo adequadamente à baixa concentração de hormônio periférico, aumentando a secreção de TSH. Os sintomas descritos — fadiga, ganho de peso, constipação, intolerância ao frio, pele seca, bradicardia e edema periorbitário — são manifestações clássicas da doença, conforme a Tabela 65.5 do material de apoio.

O tratamento do hipotireoidismo primário consiste na reposição de levotiroxina (T4 sintético). A dose inicial depende da idade, da presença de comorbidades (especialmente doença coronariana) e da gravidade do hipotireoidismo. Em adultos jovens e saudáveis, pode-se iniciar com dose plena (1,6–1,8 µg/kg/dia); porém, em pacientes idosos ou com cardiopatia, recomenda-se iniciar com dose baixa (12,5–25 µg/dia) e titular gradualmente, a cada 4–6 semanas, até atingir a dose de manutenção, monitorando o TSH. A titulação evita o risco de precipitar eventos cardiovasculares, como angina ou infarto, devido ao aumento súbito da demanda miocárdica.

A distinção crucial é entre hipotireoidismo subclínico e manifesto. No subclínico, o TSH está elevado, mas o T4 livre permanece normal; no manifesto, ambos estão alterados (TSH alto e T4 livre baixo). No caso, o T4 livre está claramente abaixo do valor de referência (0,6 ng/dL; VN: 0,8–1,8), caracterizando hipotireoidismo manifesto, que sempre requer tratamento. A alternativa A erra ao classificar o quadro como subclínico e sugerir repetir exames em 6 meses — conduta aceitável apenas para hipotireoidismo subclínico leve, sem sintomas e com TSH < 10 mUI/L.

A alternativa B propõe dose plena imediatamente, o que é contraindicado em pacientes com risco cardiovascular. Embora a paciente não tenha comorbidades conhecidas, a titulação progressiva é a conduta mais segura e amplamente recomendada, especialmente considerando a idade (52 anos) e a possibilidade de doença coronariana subclínica. A alternativa C condiciona o tratamento à positividade de anticorpos antitireoidianos, o que é incorreto: a presença de anticorpos (anti-TPO, anti-tireoglobulina) confirma a etiologia autoimune (tireoidite de Hashimoto), mas não é necessária para indicar tratamento, que se baseia nos níveis hormonais e nos sintomas. A alternativa E sugere cintilografia da tireoide, exame desnecessário na avaliação inicial do hipotireoidismo primário, pois não altera a conduta terapêutica.

Guarde a fronteira entre hipotireoidismo subclínico e manifesto, e entre dose inicial baixa e dose plena: é exatamente nesses critérios que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Classifica o quadro como hipotireoidismo subclínico, o que é falso. No hipotireoidismo subclínico, o TSH está elevado, mas o T4 livre permanece normal. Aqui, o T4 livre está baixo (0,6 ng/dL), caracterizando hipotireoidismo manifesto, que exige tratamento imediato. Repetir exames em 6 meses seria conduta aceitável apenas para subclínico leve (TSH < 10) sem sintomas, o que não se aplica ao caso.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Iniciar levotiroxina em dose plena (1,6–1,8 µg/kg/dia) imediatamente é arriscado, mesmo sem comorbidades conhecidas, pois pode precipitar eventos cardiovasculares, especialmente em pacientes com doença coronariana subclínica. A recomendação é iniciar com dose baixa e titular gradualmente, monitorando o TSH. A dose plena é reservada para adultos jovens e saudáveis, mas a titulação é sempre mais segura.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Condicionar o tratamento à positividade de anticorpos antitireoidianos é incorreto. Os anticorpos (anti-TPO, anti-tireoglobulina) ajudam a identificar a etiologia autoimune (tireoidite de Hashimoto), mas não são necessários para indicar a reposição hormonal. O tratamento é baseado nos níveis de TSH e T4 livre e nos sintomas, independentemente da sorologia.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Iniciar levotiroxina em dose baixa e titular progressivamente conforme o TSH é a conduta inicial mais adequada. A paciente tem hipotireoidismo manifesto (TSH alto, T4 livre baixo) e sintomas clássicos, exigindo tratamento. A titulação gradual (12,5–25 µg/dia, ajustando a cada 4–6 semanas) é a prática recomendada para evitar efeitos adversos cardiovasculares, mesmo em pacientes sem comorbidades conhecidas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Solicitar cintilografia da tireoide antes de iniciar o tratamento é desnecessário. A cintilografia avalia a captação de iodo e a morfologia glandular, sendo útil em casos de nódulos ou hipertireoidismo, mas não altera a conduta no hipotireoidismo primário. O diagnóstico é laboratorial (TSH e T4 livre) e o tratamento é clínico, sem necessidade de imagem.

Gabarito: letra D

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