Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Endocrinologia
Código
qg688298
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Bento Gonçalves - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Generalista
Mulher, 52 anos, submetida à tireoidectomia total por carcinoma papilífero da tireoide, evolui no 3º dia pós-operatório com constipação intestinal, câimbras musculares, parestesias e espasmos musculares. Ao exame físico, apresenta sinal de Chvostek positivo. Assinale a alternativa que melhor indica o perfil laboratorial esperado.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Gabarito: letra A. A tireoidectomia total removeu também as paratireoides (ou comprometeu sua vascularização), gerando hipoparatireoidismo pós-cirúrgico — quadro de hipocalcemia com PTH baixo e fósforo alto, exatamente o perfil da alternativa A. O raciocínio central é a fisiologia do eixo cálcio-PTH: sem PTH, há menor reabsorção óssea e renal de cálcio (cálcio cai) e menor excreção renal de fósforo (fósforo sobe).
O hipoparatireoidismo é a deficiência de hormônio da paratireoide (PTH), que resulta em hipocalcemia e hiperfosfatemia. A causa mais comum é a lesão ou remoção acidental das paratireoides durante cirurgias de tireoide — como a tireoidectomia total por carcinoma papilífero descrita no enunciado. O PTH é o principal regulador da homeostasia do cálcio: ele aumenta a reabsorção óssea (libera cálcio e fósforo no sangue), aumenta a reabsorção renal de cálcio e aumenta a excreção renal de fósforo. Sem PTH, o cálcio sérico cai e o fósforo se acumula.
Os sintomas da paciente — constipação, câimbras, parestesias, espasmos musculares e sinal de Chvostek positivo — são manifestações clássicas da hipocalcemia aguda, que aumenta a excitabilidade neuromuscular. O sinal de Chvostek (contração dos músculos faciais à percussão do nervo facial) e o sinal de Trousseau (espasmo carpal à insuflação do manguito) são os sinais semiológicos mais cobrados nesse contexto.
O diagnóstico laboratorial do hipoparatireoidismo é feito pela tríade: cálcio baixo, fósforo alto e PTH baixo (ou inapropriadamente normal). O PTH baixo é o que diferencia o hipoparatireoidismo de outras causas de hipocalcemia, como a deficiência de vitamina D ou a insuficiência renal, nas quais o PTH está elevado como mecanismo compensatório. É essa distinção fisiopatológica que a banca explora nas alternativas.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de distúrbios do cálcio, monte o raciocínio em duas etapas: (1) o cálcio está alto ou baixo? (2) o PTH está alto ou baixo? Se o PTH está alto com cálcio baixo, o problema é na glândula (hiperparatireoidismo secundário compensatório); se o PTH está baixo com cálcio baixo, o problema é na glândula (hipoparatireoidismo). O fósforo acompanha: no hipoparatireoidismo, fósforo alto; no hiperparatireoidismo, fósforo baixo.
Hipoparatireoidismo pós-cirúrgico: Causa (Tireoidectomia total, Remoção/lesão das paratireoides); Perfil laboratorial (Cálcio baixo, Fósforo alto, PTH baixo); Sintomas (hipocalcemia) (Constipação, Câimbras, Parestesias, Chvostek/Trousseau); Diagnóstico diferencial (PTH baixo → problema na glândula, PTH alto → compensatório (vit. D, IRC))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Este é o perfil laboratorial clássico do hipoparatireoidismo pós-cirúrgico. A remoção das paratireoides durante a tireoidectomia total leva à deficiência de PTH. Sem PTH, a reabsorção óssea e renal de cálcio diminui (cálcio baixo) e a excreção renal de fósforo diminui (fósforo alto). O PTH baixo confirma a origem primária na glândula, e não uma causa secundária.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Este perfil (cálcio alto, fósforo baixo, PTH alto) é típico do hiperparatireoidismo primário, em que há excesso de PTH. O PTH alto aumenta a reabsorção óssea (cálcio alto) e aumenta a excreção renal de fósforo (fósforo baixo). A banca inverte completamente o quadro: no hipoparatireoidismo, o PTH está baixo, não alto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Este perfil (cálcio baixo, fósforo alto, PTH alto) é típico do hipoparatireoidismo secundário, ou seja, hipocalcemia com PTH elevado como resposta compensatória. Isso ocorre em situações como deficiência de vitamina D, insuficiência renal ou pseudo-hipoparatireoidismo (resistência à ação do PTH). No hipoparatireoidismo pós-cirúrgico, a glândula foi removida, então o PTH não pode estar alto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Este perfil (cálcio baixo, fósforo baixo, PTH alto) não corresponde a um quadro clássico. No hipoparatireoidismo, o fósforo está alto, não baixo, porque a falta de PTH reduz a excreção renal de fósforo. A combinação de cálcio baixo com fósforo baixo e PTH alto não é um padrão típico de nenhum distúrbio comum do metabolismo mineral.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Este perfil (cálcio alto, fósforo alto, PTH baixo) é fisiologicamente impossível na prática clínica. Se o PTH está baixo, o cálcio deveria estar baixo (pois não há estímulo para reabsorção óssea) e o fósforo deveria estar alto (pois não há estímulo para excreção renal). A combinação de cálcio alto com PTH baixo não faz sentido fisiológico, pois o PTH é o principal hormônio que eleva o cálcio.