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Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2026

MedicinaEndocrinologia
Código
qg688305
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Bento Gonçalves - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Geral Comunitário
A obesidade é uma doença crônica, definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como o acúmulo anormal ou excessivo de gordura no corpo. Sobre esse tema, assinale a alternativa correta.
  1. AA medroxiprogesterona não é considerada um fármaco com efeito obesogênico.
  2. BEm todas as situações, incluindo hipertrofia muscular acentuada, idade superior a 80 anos e indivíduos orientais, o IMC identifica adequadamente os pacientes obesos.
  3. CA aferição da circunferência da cintura é dispensável em indivíduos com IMC ≥35 kg/m².
  4. DO topiramato contribui para a diminuição do apetite e é considerado seguro para uso durante a gestação.
  5. EA circunferência abdominal deve ser medida em todos os pacientes adultos obesos.
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GabaritoC — A aferição da circunferência da cintura é dispensável em indivíduos com IMC ≥35 kg/m².

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Obesidade: avaliação clínica e fármacos obesogênicos

Gabarito: letra C. A aferição da circunferência da cintura é dispensável em indivíduos com IMC ≥35 kg/m², pois nesse grau de obesidade a medida não acrescenta informação prognóstica relevante — a diretriz brasileira de obesidade (ABESO) e a diretriz da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia indicam que a circunferência abdominal deve ser medida rotineiramente apenas em adultos com IMC entre 25 e 34,9 kg/m². As demais alternativas contêm erros conceituais: a medroxiprogesterona é um fármaco com efeito obesogênico; o IMC tem limitações em situações específicas; o topiramato é contraindicado na gestação; e a circunferência abdominal não é medida em todos os adultos obesos, mas sim naqueles com IMC abaixo de 35 kg/m².

A obesidade é definida pela OMS como acúmulo anormal ou excessivo de gordura que apresenta risco à saúde. O diagnóstico e a classificação do grau de obesidade baseiam-se principalmente no índice de massa corporal (IMC), calculado como peso (kg) dividido pela altura ao quadrado (m²). O IMC é um marcador prático e amplamente utilizado, mas não é perfeito: ele não distingue massa magra de massa gorda, e pode superestimar a adiposidade em indivíduos com hipertrofia muscular acentuada (como atletas) e subestimar em idosos, que frequentemente têm sarcopenia (perda de massa muscular) com acúmulo de gordura visceral. Além disso, populações orientais apresentam maior risco cardiometabólico com IMCs mais baixos, o que levou a pontos de corte específicos para essa população (sobrepeso a partir de 23 kg/m² e obesidade a partir de 25 kg/m², segundo a OMS para asiáticos).

A circunferência da cintura (CC) é uma medida antropométrica que avalia a distribuição de gordura abdominal, considerada um forte preditor de risco cardiovascular e metabólico, independentemente do IMC. A diretriz brasileira de obesidade recomenda a aferição da CC em adultos com IMC entre 25 e 34,9 kg/m², pois nessa faixa a medida ajuda a identificar o fenótipo de obesidade abdominal (risco aumentado). Porém, em indivíduos com IMC ≥35 kg/m², a CC é dispensável, pois a obesidade já é grave e a medida não adiciona informação prognóstica que altere a conduta — o excesso de gordura abdominal é praticamente universal nesse grau de obesidade. Essa é a lógica da alternativa C, que está correta.

O tratamento farmacológico da obesidade envolve medicamentos que atuam na redução do apetite ou na absorção de nutrientes. O topiramato é um fármaco anticonvulsivante que, em doses baixas, promove perda de peso por redução do apetite, sendo utilizado em associação com fentermina. Contudo, é contraindicado na gestação por ser teratogênico (aumenta o risco de fenda labial e palatina), sendo classificado como categoria D pelo FDA. Já a medroxiprogesterona, um progestágeno utilizado como contraceptivo, é reconhecidamente um fármaco com efeito obesogênico — ou seja, pode causar ganho de peso —, o que torna a alternativa A incorreta.

A avaliação clínica do paciente obeso deve ser individualizada. A diretriz brasileira de obesidade (ABESO) e a diretriz da SBEM recomendam a aferição da circunferência abdominal em adultos com IMC entre 25 e 34,9 kg/m², e não em todos os adultos obesos. A alternativa E, que afirma que a CC deve ser medida em todos os pacientes adultos obesos, é incorreta porque generaliza a recomendação, ignorando a dispensa para IMC ≥35 kg/m². A alternativa B também é incorreta ao afirmar que o IMC identifica adequadamente os pacientes obesos em todas as situações, incluindo hipertrofia muscular, idade superior a 80 anos e indivíduos orientais — exatamente os casos em que o IMC tem limitações conhecidas.

A pegadinha central desta questão é a inversão da recomendação da circunferência da cintura: a banca apresenta como correta a alternativa que afirma ser dispensável em IMC ≥35 kg/m² (que é o que a diretriz diz), enquanto a alternativa E, que parece intuitivamente correta (medir em todos), é na verdade incorreta. O candidato que não conhece o detalhe da diretriz tende a marcar a letra E, caindo na armadilha.

Obesidade: avaliação
  • 1IMC
    • Cálculo: peso ÷ altura²
    • Limitações
      • Hipertrofia muscular (superestima)
      • Idosos/sarcopenia (subestima)
      • Orientais (pontos de corte menores)
  • 2Circunferência da cintura
    • Medir: IMC 25–34,9
    • Dispensável: IMC ≥35
  • 3Fármacos
    • Topiramato
      • Reduz apetite
      • Teratogênico (contraindicado na gestação)
    • Medroxiprogesterona
      • Efeito obesogênico
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A medroxiprogesterona é considerada um fármaco com efeito obesogênico. Trata-se de um progestágeno utilizado em contraceptivos e em terapias hormonais, e um de seus efeitos adversos conhecidos é o ganho de peso. A alternativa inverte o fato, afirmando que não é obesogênica — o que contraria a literatura médica e a prática clínica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O IMC não identifica adequadamente os pacientes obesos em todas as situações. Ele tem limitações conhecidas: em indivíduos com hipertrofia muscular acentuada (atletas), o IMC pode superestimar a adiposidade, classificando como obesos pessoas com alta massa magra; em idosos (>80 anos), a sarcopenia pode subestimar a obesidade; e em populações orientais, os pontos de corte são diferentes (menores) devido ao maior risco cardiometabólico com IMCs mais baixos. A alternativa generaliza indevidamente, ignorando essas exceções.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A aferição da circunferência da cintura é dispensável em indivíduos com IMC ≥35 kg/m². A diretriz brasileira de obesidade (ABESO) e a diretriz da SBEM recomendam a medida da CC em adultos com IMC entre 25 e 34,9 kg/m², pois nessa faixa ela agrega informação prognóstica. Em IMC ≥35 kg/m², a obesidade já é grave e a CC não altera a conduta, sendo desnecessária. A alternativa espelha exatamente essa recomendação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O topiramato contribui para a diminuição do apetite (afirmação verdadeira), mas não é seguro para uso durante a gestação. É um fármaco teratogênico, associado a maior risco de malformações congênitas (como fenda labial e palatina), sendo contraindicado em gestantes. A alternativa erra ao afirmar que é seguro na gestação.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A circunferência abdominal não deve ser medida em todos os pacientes adultos obesos. A recomendação é medida em adultos com IMC entre 25 e 34,9 kg/m²; em IMC ≥35 kg/m², a medida é dispensável. A alternativa generaliza a recomendação, ignorando a exceção prevista na diretriz — é a pegadinha clássica desta questão, pois parece intuitivamente correta.

Gabarito: letra C

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