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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2026

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
qg688316
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Bento Gonçalves - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Ginecologista/Obstetra
No quadro clínico de descolamento prematuro de placenta com repercussão materno- fetal, pode-se encontrar:I. Sangramento vaginal presente ou ausente.II. Instabilidade hemodinâmica.III. Batimentos cardiofetais (BCF) presentes ou não ao sonar Doppler. A ausência de BCF ao sonar nem sempre indica feto morto nessa situação.Quais estão corretas?
  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas III.
  4. DApenas I e II.
  5. EI, II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — I, II e III.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Descolamento prematuro de placenta: quadro clínico e repercussões

Gabarito: letra E — estão corretos os itens I, II e III. O descolamento prematuro de placenta (DPP) é uma emergência obstétrica cujo quadro clínico é variável: o sangramento vaginal pode estar presente ou ausente (até 20% dos casos não exteriorizam sangramento), pode haver instabilidade hemodinâmica materna e os batimentos cardiofetais podem estar presentes ou ausentes ao sonar Doppler, sendo que a ausência de BCF não significa, necessariamente, feto morto. Essas três afirmações refletem a apresentação clássica e as complicações do DPP, conforme o manejo de emergências obstétricas.

O descolamento prematuro de placenta é definido como a separação da placenta da parede uterina antes do parto, com formação de hematoma retroplacentário. Essa separação compromete as trocas gasosas entre mãe e feto, levando à hipóxia fetal, e pode causar sangramento materno significativo. A gravidade do quadro depende da extensão e da velocidade de instalação do hematoma. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na tríade clássica de dor abdominal aguda, hipertonia uterina e sangramento vaginal, mas é fundamental reconhecer que essa tríade não está presente em todos os casos.

A apresentação clínica do DPP é notoriamente variável. O sangramento vaginal, quando presente, costuma ser vermelho-escuro e em pequena quantidade, mas pode estar ausente em até 20% dos casos, especialmente quando o hematoma é contido atrás da placenta (DPP oculto). Nesses casos, pode-se observar aumento progressivo da altura uterina devido à expansão do hematoma. A instabilidade hemodinâmica materna decorre da perda sanguínea, que pode ser volumosa, e está associada ao risco de coagulação intravascular disseminada (CIVD). A repercussão fetal depende da extensão do descolamento: quanto maior a área descolada, maior a hipóxia fetal e maior o risco de óbito fetal.

A ausência de batimentos cardiofetais ao sonar Doppler é um achado que deve ser interpretado com cautela. Em situações de DPP, a presença de contrações uterinas intensas (hipertonia) ou a posição fetal podem dificultar a detecção dos BCF pelo Doppler. Além disso, em casos de sofrimento fetal agudo, os batimentos podem estar muito lentos ou irregulares, sendo difíceis de captar. Portanto, a ausência de BCF ao sonar não confirma o óbito fetal; a confirmação deve ser feita por métodos mais sensíveis, como a ultrassonografia com Doppler ou a cardiotocografia. Essa distinção é crucial, pois a conduta obstétrica pode mudar dependendo da vitalidade fetal.

A banca explora exatamente essa variabilidade clínica: o candidato que memoriza a tríade clássica como obrigatória tende a marcar apenas os itens que mencionam sangramento e instabilidade, esquecendo que o DPP pode se apresentar sem sangramento exteriorizado e que a ausência de BCF ao Doppler não é sinônimo de óbito fetal. A questão testa o conhecimento da fisiopatologia e das apresentações atípicas da doença, não apenas a decoreba da tríade. Guarde bem: no DPP, tudo pode variar — sangramento, dor e BCF — e é essa variabilidade que define o manejo.

Descolamento prematuro de placenta (DPP)
  • 1Quadro clínico variável
    • Sangramento vaginal
      • Presente
      • Ausente (DPP oculto)
    • Instabilidade hemodinâmica
      • Taquicardia, hipotensão
      • Risco de CIVD
    • Batimentos cardiofetais (BCF)
      • Presentes
      • Ausentes ao Doppler
        • Não confirma óbito fetal
  • 2Diagnóstico
    • Essencialmente clínico
    • Tríade clássica (nem sempre completa)
      • Dor abdominal aguda
      • Hipertonia uterina
      • Sangramento vaginal
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Item I — ✅ Correto

O sangramento vaginal no DPP pode estar presente ou ausente. O texto de apoio confirma que "apenas 70% das pacientes irão apresentar sangramento vaginal", ou seja, em cerca de 30% dos casos o sangramento não é exteriorizado (DPP oculto). Nesses casos, o sangue fica retido entre a placenta e a parede uterina, formando o hematoma retroplacentário, e o diagnóstico pode ser ainda mais desafiador. A afirmativa está correta ao reconhecer essa possibilidade.

Item II — ✅ Correto

A instabilidade hemodinâmica é uma repercussão materna esperada no DPP, especialmente nos casos de sangramento volumoso. O texto de apoio relaciona o "sangramento materno volumoso" à evolução para coagulação intravascular disseminada (CIVD), que agrava ainda mais a instabilidade. A perda sanguínea pode levar a taquicardia, hipotensão e choque, exigindo suporte hemodinâmico imediato. A afirmativa está correta.

Item III — ✅ Correto

Os batimentos cardiofetais podem estar presentes ou ausentes ao sonar Doppler, e a ausência não indica necessariamente feto morto. O texto de apoio menciona a "monitorização materno-fetal contínua" como parte da conduta, e a literatura obstétrica reconhece que a hipertonia uterina e a posição fetal podem dificultar a captação dos BCF pelo Doppler. A confirmação de óbito fetal requer métodos mais precisos, como a ultrassonografia. A afirmativa está correta ao destacar essa ressalva importante.

Conclusão: os três itens estão corretos, portanto a alternativa correta é a letra E.

Gabarito: letra E

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