Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
qg688335
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Bento Gonçalves - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Infectologista
Em relação ao tratamento da tuberculose RR, MDR e XDR, qual fármaco injetável abaixo pode ser recomendável em nível ambulatorial conforme opções do Ministério da Saúde?
ACapreomicina.
BMoxifloxacino.
CCicloserina/terizidona.
DLinezolida.
EEtambutol.
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GabaritoA — Capreomicina.
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Tratamento da tuberculose drogarresistente: fármacos injetáveis de segunda linha
Gabarito: letra A. A capreomicina é o injetável de segunda linha recomendado pelo Ministério da Saúde para o tratamento ambulatorial da TB RR, MDR e XDR, por ser o representante do Grupo B com melhor tolerância e menor probabilidade de reações adversas, conforme o Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil. As demais alternativas não são injetáveis de segunda linha: moxifloxacino é fluoroquinolona (Grupo A), cicloserina/terizidona e linezolida são do Grupo C (outros grupos de segunda linha), e etambutol é fármaco de primeira linha (Grupo D1).
A tuberculose drogarresistente (TB DR) é um desafio terapêutico porque os esquemas padrão, baseados em rifampicina e isoniazida, não funcionam. A OMS, em 2016, reclassificou os medicamentos para TB RR, MDR e XDR em grupos (A, B, C e D) conforme sua importância, efetividade e segurança. O Grupo B é composto exclusivamente pelos injetáveis de segunda linha: amicacina, capreomicina, canamicina (não disponível no Brasil) e estreptomicina (considerada agente de primeira linha, mas usada em esquemas de TB MDR/RR em condições específicas).
O Ministério da Saúde, no Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, define a capreomicina como o injetável de segunda linha escolhido como representante do Grupo B pela melhor tolerância, menor probabilidade de reações adversas e menor possibilidade de resistência cruzada com a amicacina, preservando esta para esquemas alternativos futuros (em caso de falência ou TB XDR). Essa escolha é o que fundamenta a alternativa correta.
A questão explora a classificação racional dos medicamentos para TB DR, cobrando do candidato o conhecimento de qual fármaco pertence ao grupo dos injetáveis de segunda linha e é recomendado em nível ambulatorial. A pegadinha está em confundir os grupos: moxifloxacino (Grupo A), cicloserina/terizidona e linezolida (Grupo C) e etambutol (Grupo D1) são todos orais, enquanto a capreomicina é o único injetável entre as opções.
Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil (Ministério da Saúde):
Quadro 39 – Medicamentos recomendados para o tratamento da TB RR, TB MDR e TB XDR:
Grupo B – Injetáveis de segunda linha: Amicacina, Capreomicina, Canamicina (não disponível no Brasil), (Estreptomicina).
Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil (Ministério da Saúde):
"A capreomicina é o injetável de segunda linha escolhido como o representante do grupo B pela melhor tolerância, menor probabilidade de reações adversas e menor possibilidade de resistência cruzada com a amicacina, preservando a utilização desta para esquemas alternativos futuros (em caso de falência ou TB XDR)."
Guarde a classificação por grupos: é exatamente nela que as alternativas se dividem. O Grupo B é o único composto por injetáveis, e a capreomicina é o representante oficial no Brasil.
TB drogarresistente (RR, MDR, XDR): Grupo A (fluoroquinolonas) (Moxifloxacino, Levofloxacino); Grupo B (injetáveis 2ª linha) (Capreomicina (representante no Brasil), Amicacina, Canamicina (indisponível)); Grupo C (outros 2ª linha) (Cicloserina/terizidona, Linezolida); Grupo D1 (1ª linha) (Etambutol)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A capreomicina é o injetável de segunda linha do Grupo B, recomendado pelo Ministério da Saúde para o tratamento ambulatorial da TB RR, MDR e XDR. O Manual de Recomendações a elege como representante do grupo pela melhor tolerância, menor probabilidade de reações adversas e menor resistência cruzada com a amicacina, sendo aplicada por via intramuscular em esquemas longos (mínimo de 18 meses). É a única alternativa que corresponde a um fármaco injetável de segunda linha.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O moxifloxacino é uma fluoroquinolona do Grupo A, medicamento oral de segunda linha, não injetável. No esquema padronizado, é usado em substituição ao levofloxacino em caso de intolerância, mas não pertence ao grupo dos injetáveis. A banca troca o grupo: fluoroquinolona (oral) por injetável.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A cicloserina e a terizidona pertencem ao Grupo C (outros grupos de segunda linha), são medicamentos orais, não injetáveis. A terizidona é usada no esquema padronizado para TB XDR, mas não é o fármaco injetável recomendado. A confusão aqui é classificar como injetável um fármaco que é administrado por via oral.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A linezolida é um medicamento do Grupo C (outros grupos de segunda linha), de uso oral, não injetável. É usada como substituta da capreomicina quando o uso do injetável não é possível ou é descontinuado, mas não é o fármaco injetável recomendado em nível ambulatorial. A banca explora a confusão entre o substituto e o fármaco principal.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O etambutol é um fármaco de primeira linha, classificado no Grupo D1 (fármacos adicionais), de uso oral, componente do esquema básico (RHZE). Não é injetável e não é usado como fármaco de segunda linha para TB DR. A alternativa confunde o esquema básico com o esquema para drogarresistência.
Gabarito: letra A — a capreomicina é o único fármaco injetável de segunda linha entre as opções, recomendado pelo Ministério da Saúde para o tratamento ambulatorial da TB RR, MDR e XDR.