Questão de Medicina — Epidemiologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Epidemiologia
Código
qg688340
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Bento Gonçalves - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Infectologista
A respeito de medidas de ocorrência de doenças, analise as assertivas a seguir:I. Uma possível fonte de erro em pesquisas conduzidas por entrevistas é o fato de que o respondente pode ter a doença, mas pode não ter sintomas. seletivas com base na gravidade da doença ou políticas de admissão.II. Entre as limitações de dados hospitalares estão as admissões hospitalares, que podem ser seletivas com base na gravidade da doença ou políticas de admissão.III. São possíveis fontes de estatísticas de morbidade os registros de absenteísmo em escolas e indústrias.IV. Em estudos de prevalência, pode ser difícil saber se a suposta causa precede ou segue o efeito, porque causa e efeito são medidos no mesmo ponto no tempo.Quais estão corretas?
AApenas I e II.
BApenas III e IV.
CApenas I, II e III.
DApenas II, III e IV.
EI, II, III e IV.
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GabaritoE — I, II, III e IV.
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Medidas de ocorrência de doenças: fontes de dados e limitações
Gabarito: letra E. Todas as quatro assertivas estão corretas: o item I descreve corretamente o viés de informação em entrevistas (doentes assintomáticos podem não se reconhecer como casos), o item II aponta corretamente a seletividade das admissões hospitalares, o item III lista corretamente os registros de absenteísmo como fonte de morbidade e o item IV descreve corretamente a limitação temporal dos estudos de prevalência. A questão cobra conhecimentos clássicos de epidemiologia descritiva sobre fontes de dados e vieses.
A epidemiologia trabalha com medidas de ocorrência — incidência e prevalência — que dependem diretamente da qualidade das fontes de dados utilizadas. Cada fonte tem vantagens e limitações específicas, e é exatamente isso que a questão explora. As fontes de dados podem ser primárias (coletadas diretamente pelo pesquisador, como entrevistas e exames) ou secundárias (dados já existentes, como registros hospitalares, atestados de óbito e sistemas de notificação).
O item I trata de um problema clássico em pesquisas com entrevistas: o viés de informação (ou viés de aferição). Quando o respondente tem a doença mas não apresenta sintomas — condição comum em doenças crônicas como hipertensão, diabetes e algumas infecções — ele pode não se identificar como doente e, portanto, não relatar a condição na entrevista. Isso subestima a prevalência real da doença na população estudada. Esse fenômeno é conhecido como viés de detecção ou viés do doente assintomático.
O item II aborda as limitações dos dados hospitalares. Os hospitais não atendem a população geral de forma aleatória: as admissões são seletivas, pois dependem da gravidade da doença, da disponibilidade de leitos, das políticas de admissão da instituição e do acesso geográfico e financeiro. Portanto, estatísticas baseadas apenas em dados hospitalares superestimam a gravidade das doenças e subestimam os casos leves que não requerem internação. Esse é o chamado viés de seleção (ou viés de Berkson, quando se estuda associação entre doenças usando apenas pacientes hospitalizados).
O item III trata das fontes de estatísticas de morbidade. Além dos registros hospitalares e dos sistemas de notificação compulsória, existem outras fontes menos tradicionais, como os registros de absenteísmo escolar e industrial. Esses registros capturam episódios de doença que afetam a frequência ao trabalho ou à escola, sendo úteis para estimar a morbidade em populações específicas (trabalhadores e estudantes). Embora tenham limitações (nem toda ausência é por doença, e nem toda doença causa ausência), são fontes legítimas e reconhecidas de dados de morbidade.
O item IV trata de uma limitação fundamental dos estudos de prevalência (estudos transversais). Nesses estudos, a exposição (causa) e o desfecho (efeito) são medidos simultaneamente, no mesmo ponto no tempo. Isso torna difícil — muitas vezes impossível — estabelecer a sequência temporal entre causa e efeito: não se sabe se a exposição precedeu a doença ou se a doença (ou seus efeitos) influenciou a exposição. Essa é a diferença crucial entre estudos transversais e estudos de coorte (que acompanham a população ao longo do tempo e conseguem estabelecer a temporalidade).
A pegadinha desta questão é que todos os itens parecem plausíveis, mas o candidato pode hesitar no item I (achando que a ausência de sintomas não é um erro relevante) ou no item III (achando que absenteísmo não é fonte válida). A banca testa o conhecimento das limitações de cada fonte de dados — um tema central em epidemiologia. Guarde o critério: cada item descreve uma limitação ou fonte real e reconhecida na literatura epidemiológica.
Fontes de dados em epidemiologia
1Entrevistas
Viés de informação
doente assintomático não se reconhece
2Dados hospitalares
Viés de seleção
admissões seletivas por gravidade/políticas
3Registros de absenteísmo
Fonte de morbidade (escolas e indústrias)
4Estudos de prevalência
Causa e efeito medidos no mesmo ponto
sem temporalidade
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Item I — ✅ Correto
A assertiva descreve corretamente o viés de informação em pesquisas por entrevista. O respondente que tem a doença mas não tem sintomas pode não se reconhecer como doente e, portanto, não relatar a condição. Isso é particularmente relevante em doenças crônicas assintomáticas (hipertensão, diabetes tipo 2, dislipidemia). O erro de classificação resultante é não diferencial (ocorre igualmente entre doentes e não doentes) e tende a subestimar a prevalência. A afirmação está correta.
Item II — ✅ Correto
A assertiva descreve corretamente o viés de seleção nos dados hospitalares. As admissões hospitalares não são aleatórias: pacientes com doença mais grave têm maior probabilidade de internação, e as políticas de admissão de cada hospital (disponibilidade de leitos, especialidades, convênios) também influenciam quem é admitido. Portanto, os dados hospitalares são seletivos e não representam a população geral. A afirmação está correta.
Item III — ✅ Correto
A assertiva lista corretamente os registros de absenteísmo como fonte de estatísticas de morbidade. Escolas e indústrias mantêm registros de faltas que, em muitos casos, são motivadas por doença. Esses registros são fontes reconhecidas para estimar a morbidade em populações de trabalhadores e estudantes, complementando os dados hospitalares e de notificação. A afirmação está correta.
Item IV — ✅ Correto
A assertiva descreve corretamente a limitação temporal dos estudos de prevalência (transversais). Como exposição e desfecho são medidos no mesmo momento, não é possível estabelecer a sequência temporal entre causa e efeito — não se sabe se a causa precedeu o efeito ou vice-versa. Essa é uma limitação inerente ao delineamento transversal, que contrasta com os estudos de coorte, que acompanham a população ao longo do tempo. A afirmação está correta.
Conclusão: todos os quatro itens estão corretos (I, II, III e IV), portanto a alternativa correta é a letra E.