A síndrome de Guillain-Barré e suas variantes são um desafio diagnóstico para o neurologista, que muitas vezes vai confirmar esse diagnóstico com exames complementares, como eletroneuromiografia e exame de líquor. Um achado de líquor típico na síndrome de Guillain-Barré é:
ADissociação proteíno-citológica (elevação proteica com baixa celularidade).
BHipoglicorraquia intensa.
CPleocitose (em geral maior que 500 células).
DCultura positiva para cocos.
ELíquor completamente normal sempre.
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GabaritoA — Dissociação proteíno-citológica (elevação proteica com baixa celularidade).
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Síndrome de Guillain-Barré: achado liquórico típico
Gabarito: letra A. Na síndrome de Guillain-Barré (SGB), o exame do líquido cefalorraquidiano (LCR) classicamente revela dissociação proteíno-citológica, ou seja, elevação da concentração de proteínas com contagem de células normal ou discretamente aumentada — exatamente o que descreve a alternativa A. Esse padrão é um dos critérios de suporte diagnóstico da doença, conforme protocolos clínicos e diretrizes de neurologia.
A SGB é uma polirradiculoneuropatia inflamatória aguda, geralmente desencadeada por infecção prévia (viral ou bacteriana, como Campylobacter jejuni), que cursa com fraqueza muscular simétrica ascendente, arreflexia e, em casos graves, insuficiência respiratória. O diagnóstico é primariamente clínico, mas exames complementares — liquor e eletroneuromiografia (ENMG) — são fundamentais para confirmar a hipótese e excluir outras causas de paralisia flácida aguda.
O achado liquórico típico é a dissociação proteíno-citológica: a proteína do LCR está elevada (geralmente acima de 50 mg/dL), enquanto a celularidade permanece normal (até 4 células/mm³) ou com discreto aumento (raramente acima de 10 células/mm³). Esse padrão reflete o processo inflamatório radicular, que aumenta a permeabilidade da barreira hematoencefálica às proteínas, sem resposta celular significativa no espaço subaracnóideo. É importante saber que a dissociação pode estar ausente em até 50% dos pacientes na primeira semana e em cerca de 25% na terceira semana, sobretudo nas variantes axonais — por isso, um liquor normal precoce não exclui o diagnóstico.
Quando há pleocitose importante (mais de 50 células/mm³), deve-se suspeitar de diagnósticos alternativos, como infecção por HIV, citomegalovírus, lúpus, doença de Lyme, sarcoidose ou linfoma. A hipoglicorraquia (glicose baixa no LCR) é típica de meningites bacterianas e carcinomatose meníngea, não da SGB. Cultura positiva para cocos indica meningite bacteriana, e um liquor "sempre normal" contraria a possibilidade de dissociação proteíno-citológica, que é o achado característico.
A banca explora justamente a confusão entre o padrão inflamatório da SGB (proteína alta, células normais) e o padrão das meningites infecciosas (pleocitose, hipoglicorraquia, cultura positiva). Guarde a fronteira: na SGB, o liquor é "limpo" em termos celulares, mas com proteína elevada — é essa dissociação que decide a questão.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve com precisão o achado clássico da SGB: dissociação proteíno-citológica, com elevação da proteína e baixa celularidade. Esse é o padrão esperado no LCR, presente em até 80% dos pacientes após a segunda semana de doença. A elevação proteica ocorre por inflamação das raízes nervosas, sem resposta celular significativa no liquor.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Hipoglicorraquia intensa (glicose muito baixa no LCR) é um achado típico de meningites bacterianas, tuberculose ou carcinomatose meníngea — não da SGB. Na SGB, a glicose do liquor costuma estar normal, pois não há consumo metabólico local pelas células inflamatórias. A banca troca o padrão metabólico da meningite pelo da polirradiculoneuropatia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Pleocitose com mais de 500 células é completamente incompatível com SGB. Na SGB, a celularidade é normal ou discretamente elevada (até 10 células/mm³); pleocitose acima de 50 células/mm³ já levanta suspeita de outras etiologias, como HIV, citomegalovírus, lúpus ou doença de Lyme. Valores de 500 células ou mais indicam meningite bacteriana ou viral aguda.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Cultura positiva para cocos indica infecção bacteriana do liquor, como meningite pneumocócica ou meningocócica — um diagnóstico totalmente diferente da SGB. Na SGB, a cultura do LCR é negativa, pois a doença é pós-infecciosa e não há invasão direta do sistema nervoso por bactérias.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirmar que o liquor é "completamente normal sempre" é falso: embora possa estar normal na primeira semana em até 1/3 dos pacientes, o padrão típico é a dissociação proteíno-citológica, que surge na maioria dos casos após a segunda semana. A palavra "sempre" torna a alternativa incorreta, pois a normalidade não é a regra e não exclui o diagnóstico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o padrão liquórico da SGB (proteína alta, células normais) e o das meningites infecciosas (pleocitose, hipoglicorraquia, cultura positiva). Na SGB, o liquor é "limpo" em termos celulares, mas com proteína elevada — é essa dissociação que decide a questão.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar: na SGB, lembre-se de "proteína alta, células baixas" — dissociação proteíno-citológica. Se a questão trouxer pleocitose ou hipoglicorraquia, pense em meningite, não em SGB. E desconfie de "sempre" ou "nunca" em alternativas — raramente são corretas em medicina.