Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg688378
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Bento Gonçalves - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Pediatra
Algumas infecções maternas ocorridas durante a gestação estão classicamente associadas ao desenvolvimento de cardiopatias congênitas no RN. Entre os achados cardiológicos mais frequentemente observados nesses casos, destaca-se:
ARubéola congênita – persistência do canal arterial.
EToxoplasmose congênita – transposição das grandes artérias.
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GabaritoA — Rubéola congênita – persistência do canal arterial.
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Cardiopatias congênitas e infecções maternas na gestação
Gabarito: letra A. A associação clássica e mais cobrada é entre rubéola congênita e persistência do canal arterial (PCA) — a rubéola é a infecção materna com maior potencial teratogênico cardíaco, e a PCA é o defeito mais característico da síndrome da rubéola congênita. As demais alternativas trocam a infecção ou a cardiopatia, e a banca explora exatamente essa confusão entre as infecções do grupo TORCH e seus achados cardiológicos típicos.
As infecções congênitas do grupo TORCH (Toxoplasmose, Other/Sífilis, Rubéola, Citomegalovírus e Herpes) são causas clássicas de malformações fetais, e cada uma tem um espectro de acometimento que a banca adora cobrar. A rubéola, em especial, é a infecção com maior tropismo pelo coração fetal: quando a infecção ocorre no primeiro trimestre, o risco de cardiopatia congênita é altíssimo, e a lesão cardíaca mais frequentemente observada é a persistência do canal arterial. O mecanismo é a infecção direta do miocárdio e do endotélio vascular pelo vírus, que interfere na remodelação vascular fetal — o canal arterial, que normalmente se fecha após o nascimento, permanece patente.
A toxoplasmose, por sua vez, tem como tríade clássica a coriorretinite, a hidrocefalia e as calcificações intracranianas — o acometimento cardíaco não é um achado proeminente, e quando ocorre, não há uma cardiopatia estrutural específica associada. A sífilis congênita cursa com a tríade de Hutchinson (dentes de Hutchinson, ceratite intersticial e surdez neurológica), além de rinite, periostite e alterações ósseas; a coarctação da aorta não faz parte do espectro. A tetralogia de Fallot e a transposição das grandes artérias são cardiopatias congênitas com etiologia predominantemente multifatorial/genética, não estando classicamente ligadas a infecções maternas específicas.
A pegadinha central desta questão é a troca de pares: o candidato que sabe que a rubéola causa cardiopatia pode marcar a letra D (tetralogia de Fallot), mas a cardiopatia clássica da rubéola é a PCA. Da mesma forma, quem associa toxoplasmose a malformações pode cair na letra B, mas a toxoplasmose não tem cardiopatia estrutural como marca registrada. O critério decisivo é conhecer o par infecção-cardiopatia mais fiel à literatura: rubéola → PCA.
A rubéola congênita é a infecção materna com maior associação a cardiopatias congênitas, e a persistência do canal arterial é o defeito cardíaco mais frequentemente descrito na síndrome da rubéola congênita. O vírus da rubéola tem tropismo pelo tecido cardiovascular fetal, e a PCA é o achado cardiológico clássico — é o par que a literatura consagra e que a banca cobra.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A toxoplasmose congênita não tem a comunicação interventricular como achado cardiológico clássico. A toxoplasmose é conhecida pela tríade coriorretinite, hidrocefalia e calcificações intracranianas — o acometimento cardíaco não faz parte do espectro típico. A CIV é uma cardiopatia congênita comum, mas sua etiologia não está classicamente ligada à toxoplasmose materna.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A sífilis congênita não cursa com coarctação da aorta. A sífilis congênita tem como manifestações clássicas a tríade de Hutchinson (dentes de Hutchinson, ceratite intersticial e surdez), rinite, periostite e alterações ósseas — não há cardiopatia estrutural específica associada. A coarctação da aorta é uma cardiopatia congênita com etiologia multifatorial, não ligada à sífilis.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A tetralogia de Fallot não é a cardiopatia clássica da rubéola congênita. Embora a rubéola cause cardiopatias, o defeito mais característico é a persistência do canal arterial, não a tetralogia de Fallot. A tetralogia é uma cardiopatia cianótica com etiologia predominantemente genética/multifatorial, não associada a infecções maternas específicas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A transposição das grandes artérias não é um achado da toxoplasmose congênita. A toxoplasmose não tem cardiopatia estrutural como manifestação típica, e a TGA é uma cardiopatia cianótica com etiologia multifatorial, sem associação clássica com infecções maternas. A alternativa junta dois elementos que não se relacionam na literatura.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca os pares infecção-cardiopatia para confundir. O candidato que sabe que a rubéola causa cardiopatia pode marcar a letra D (tetralogia de Fallot), mas a cardiopatia clássica da rubéola é a PCA. Da mesma forma, quem associa toxoplasmose a malformações pode cair na letra B, mas a toxoplasmose não tem cardiopatia estrutural como marca registrada. Guarde o par mais fiel: rubéola → persistência do canal arterial.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de infecções congênitas e cardiopatias, memorize o par mais cobrado: rubéola congênita → PCA. As demais infecções do grupo TORCH têm outros achados clássicos (toxoplasmose → tríade neurológica/ocular; sífilis → tríade de Hutchinson). Quando a alternativa trouxer uma cardiopatia cianótica complexa (tetralogia, TGA), desconfie: essas têm etiologia genética, não infecciosa.