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Questão de Medicina — Pneumologia — FUNDATEC 2026

MedicinaPneumologia
Código
qg688386
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Bento Gonçalves - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Pneumologista
Homem, 68 anos, derrame pleural unilateral volumoso, exsudato, citologia inicial negativa, forte suspeita de malignidade. Segundo a diretriz BTS Pleural Disease (2023), qual é a melhor próxima conduta?
  1. AProsseguir com biópsia pleural (preferencialmente guiada ou toracoscópica).
  2. BRepetir citologia indefinidamente.
  3. CIniciar quimioterapia empírica.
  4. DObservar clinicamente.
  5. ESuspender investigação se TC não mostrar massas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Prosseguir com biópsia pleural (preferencialmente guiada ou toracoscópica).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Derrame pleural maligno: abordagem diagnóstica após citologia negativa

Gabarito: letra A. Em derrame pleural exsudativo unilateral volumoso com forte suspeita de malignidade e citologia inicial negativa, a diretriz BTS Pleural Disease (2023) recomenda prosseguir com biópsia pleural, preferencialmente guiada por imagem ou toracoscópica, para confirmação diagnóstica. A citologia tem sensibilidade limitada (60% na primeira amostra, até 80% com três amostras), e a conduta correta é avançar para método invasivo de maior rendimento, não repetir indefinidamente, observar ou tratar empiricamente.

O derrame pleural maligno é a segunda causa mais comum de derrames exsudativos e confere mau prognóstico, com sobrevida média de 4 a 7 meses. A confirmação diagnóstica é essencial porque o achado de derrame em paciente com neoplasia não implica necessariamente invasão pleural maligna — pode haver causas paraneoplásicas como atelectasia, pneumonia pós-obstrutiva, hipoalbuminemia ou embolia pulmonar. Por isso, a diretriz orienta uma abordagem diagnóstica estruturada, e não empírica.

A citologia do líquido pleural é o primeiro passo diagnóstico, com positividade de cerca de 60% na primeira toracocentese, aumentando para 80% com três amostras separadas. Quando a citologia é negativa e a suspeita clínica de malignidade permanece alta — como neste caso, com derrame volumoso unilateral e exsudato —, a conduta recomendada é a biópsia pleural. A biópsia pode ser obtida por toracoscopia (método de escolha, com sensibilidade > 90%), por biópsia guiada por imagem (ultrassom ou tomografia) ou, de forma menos otimizada, por biópsia às cegas com agulha de Cope ou Abrams (sensibilidade de 45 a 60%). A combinação de citologia com biópsia eleva a sensibilidade para mais de 75%.

A escolha entre os métodos de biópsia depende da disponibilidade e do perfil do paciente. A toracoscopia médica (pleuroscopia) é o padrão-ouro, pois permite visualização direta da pleura, biópsia dirigida e, no mesmo procedimento, pleurodese química com talco se confirmada malignidade. A biópsia guiada por imagem é alternativa menos invasiva, com bom rendimento quando há espessamento pleural ou massas identificáveis. A biópsia às cegas tem menor sensibilidade e deve ser evitada quando possível.

A pegadinha desta questão está em distinguir a conduta correta das alternativas que parecem plausíveis mas são inadequadas: repetir citologia indefinidamente (já foram obtidas amostras e a sensibilidade não aumenta significativamente além de três amostras), iniciar quimioterapia empírica (inaceitável sem diagnóstico histológico), observar clinicamente (retarda o diagnóstico de uma doença de prognóstico reservado) e suspender a investigação com base em TC sem massas (a TC não exclui doença pleural maligna, especialmente mesotelioma ou carcinomatose pleural sutil).

Guarde o fluxo: derrame exsudativo unilateral volumoso → toracocentese com citologia → se negativa e suspeita alta → biópsia pleural (toracoscopia preferencial ou guiada por imagem). É exatamente esse algoritmo que separa a alternativa correta das demais.

  1. 1Toracocentese + citologia
  2. 2Citologia negativa + suspeita alta
  3. 3Biópsia pleural (toracoscopia/guiada)
  4. 4Confirmado: pleurodese/cateter
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Prosseguir com biópsia pleural (preferencialmente guiada ou toracoscópica) é a conduta alinhada à diretriz BTS 2023. Com citologia negativa e forte suspeita de malignidade, a biópsia é o próximo passo para confirmação diagnóstica. A toracoscopia oferece sensibilidade superior a 90% e permite pleurodese no mesmo ato; a biópsia guiada por imagem é alternativa válida quando há alvo identificável. A alternativa espelha exatamente a recomendação da diretriz.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Repetir citologia indefinidamente não é recomendado. A sensibilidade da citologia aumenta de 60% (primeira amostra) para 80% com três amostras separadas, mas não há ganho significativo além disso. Repetir indefinidamente atrasa o diagnóstico e expõe o paciente a procedimentos repetidos sem incremento diagnóstico relevante. A conduta correta é avançar para biópsia após citologia negativa com suspeita alta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Iniciar quimioterapia empírica sem confirmação histológica é inaceitável. O derrame em paciente com neoplasia pode ter causas não malignas (atelectasia, pneumonia pós-obstrutiva, hipoalbuminemia, embolia pulmonar), e a quimioterapia tem toxicidade significativa. O diagnóstico de derrame maligno exige confirmação citológica ou histológica antes de qualquer tratamento oncológico sistêmico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Observar clinicamente é conduta inadequada diante de derrame volumoso unilateral exsudativo com forte suspeita de malignidade. O prognóstico do derrame maligno é reservado (sobrevida média de 4 a 7 meses), e o diagnóstico precoce permite planejamento terapêutico e paliativo. Observar sem investigação adicional retarda o diagnóstico e piora o desfecho.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Suspender a investigação se a TC não mostrar massas é erro grave. A TC tem limitações para detectar doença pleural maligna sutil, como carcinomatose pleural ou mesotelioma em fase inicial. A ausência de massas na TC não exclui malignidade, e a diretriz recomenda prosseguir com biópsia quando a suspeita clínica é alta, independentemente do achado tomográfico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a falsa segurança da TC: o candidato pode achar que "TC sem massas" afasta malignidade. Na verdade, a TC não exclui doença pleural maligna — a biópsia é necessária quando a suspeita clínica é alta. Outra armadilha é a repetição da citologia: muitos acham que "mais amostras = mais diagnóstico", mas o ganho se esgota em três amostras. Com treino, você reconhece essas armadilhas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Memorize o algoritmo da BTS 2023 para derrame suspeito de malignidade: 1) toracocentese com citologia; 2) se negativa e suspeita alta → biópsia pleural (toracoscopia preferencial ou guiada por imagem); 3) se confirmado → pleurodese ou cateter pleural. Na prova, identifique o cenário (citologia negativa + suspeita alta) e escolha diretamente a biópsia.

Gabarito: letra A

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