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Questão de Medicina — Pneumologia — FUNDATEC 2026

MedicinaPneumologia
Código
qg688389
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Bento Gonçalves - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Pneumologista
Segundo as diretrizes ATS/ERS/JRS/ALAT mais recentes sobre Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI), qual achado tomográfico isolado permite o diagnóstico de FPI sem necessidade de biópsia pulmonar, quando avaliado em contexto clínico apropriado?
  1. APadrão em vidro fosco difuso.
  2. BConsolidações subpleurais migratórias.
  3. CPadrão de Pneumonia Intersticial Usual (PIU) típico.
  4. DPadrão em mosaico com aprisionamento aéreo.
  5. EEspessamento septal liso predominante.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Padrão de Pneumonia Intersticial Usual (PIU) típico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI): diagnóstico por imagem

Gabarito: letra C. Segundo as diretrizes ATS/ERS/JRS/ALAT, o padrão de Pneumonia Intersticial Usual (PIU) típico na tomografia de alta resolução (TCAR), em contexto clínico apropriado e na ausência de achados que sugiram diagnóstico alternativo, permite o diagnóstico de FPI sem necessidade de biópsia pulmonar. As demais alternativas descrevem achados tomográficos que não são diagnósticos de FPI isoladamente.

A Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI) é a forma mais comum e grave das pneumonias intersticiais idiopáticas (PIIs), caracterizada por fibrose progressiva do parênquima pulmonar, de causa desconhecida, com prognóstico reservado (sobrevida mediana de 2 a 3 anos). O diagnóstico é baseado na integração de dados clínicos, radiológicos e, quando necessário, histopatológicos. O padrão histopatológico clássico da FPI é a Pneumonia Intersticial Usual (PIU), que na tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR) apresenta um conjunto de achados característicos.

O padrão típico de PIU na TCAR é definido pela presença de opacidades reticulares bilaterais, predominantemente subpleurais e basais, associadas a bronquiectasias/bronquiolectasias de tração e faveolamento (honeycombing). Quando esses achados estão presentes de forma típica, na ausência de outras anormalidades que sugiram um diagnóstico alternativo (como opacificação em vidro fosco extensa, nódulos difusos ou áreas de consolidação), o diagnóstico de FPI pode ser firmado sem a necessidade de biópsia pulmonar cirúrgica. Essa é a recomendação central das diretrizes ATS/ERS/JRS/ALAT de 2011 e 2018, que estabelecem critérios diagnósticos baseados na TCAR.

A importância desse critério reside na alta especificidade do padrão típico de PIU. Quando a TCAR mostra o padrão clássico, a probabilidade de o diagnóstico ser FPI é tão alta que a biópsia se torna desnecessária, evitando procedimentos invasivos em uma população frequentemente idosa e com comorbidades. Por outro lado, quando o padrão tomográfico é atípico (por exemplo, sem faveolamento, com vidro fosco extenso, consolidações ou nódulos), a biópsia pulmonar pode ser necessária para confirmar o diagnóstico e excluir outras doenças intersticiais.

A banca explora a confusão entre os diversos padrões tomográficos das doenças pulmonares intersticiais. É fundamental distinguir o padrão de PIU (típico da FPI) de outros padrões, como o vidro fosco difuso (mais associado à pneumonia intersticial não específica - PINE ou a pneumonites de hipersensibilidade), as consolidações migratórias (típicas da pneumonia eosinofílica crônica ou da pneumonia em organização), o padrão em mosaico com aprisionamento aéreo (sugestivo de doença de pequenas vias aéreas, como bronquiolite obliterante) e o espessamento septal liso (que pode ser visto em edema pulmonar, linfangite carcinomatosa ou pneumonite intersticial).

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o padrão tomográfico típico de PIU por outros achados que, embora possam aparecer em doenças intersticiais, não são diagnósticos de FPI. O candidato que decora apenas o nome "PIU" pode confundir com o vidro fosco (que é mais comum na PINE) ou com o padrão em mosaico (que sugere doença obstrutiva de pequenas vias aéreas). O segredo é lembrar que o diagnóstico de FPI por imagem exige o padrão típico de PIU completo: reticulação subpleural basal + bronquiectasias de tração + faveolamento, sem achados atípicos.

1Achados
Reticulação subpleural e basal
Bronquiectasias de tração
Faveolamento (honeycombing)
2Ausência de achados atípicos
Vidro fosco extenso
Nódulos difusos
Consolidações
3Diagnóstico de FPI sem biópsia
Padrão PIU típico (TCAR)
LEVELsoulevel.com.br
Padrão PIU típico (TCAR): Achados (Reticulação subpleural e basal, Bronquiectasias de tração, Faveolamento (honeycombing)); Ausência de achados atípicos (Vidro fosco extenso, Nódulos difusos, Consolidações); Diagnóstico de FPI sem biópsia

Alternativa A — ❌ Incorreta

O padrão em vidro fosco difuso é um achado inespecífico, presente em diversas doenças intersticiais, como pneumonia intersticial não específica (PINE), pneumonite de hipersensibilidade, pneumonia em organização e até mesmo em fases iniciais de outras doenças. Na FPI, o vidro fosco pode aparecer, mas geralmente é limitado e associado a áreas de reticulação e faveolamento. A presença de vidro fosco extenso é, inclusive, um critério que afasta o diagnóstico de FPI por imagem, indicando a necessidade de biópsia para elucidação diagnóstica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Consolidações subpleurais migratórias são um achado característico da pneumonia em organização (PO), também conhecida como bronquiolite obliterante com pneumonia em organização (BOOP). Nessa condição, as consolidações aparecem e desaparecem em diferentes regiões pulmonares ao longo do tempo, o que justifica o termo "migratórias". Esse padrão não é compatível com o diagnóstico de FPI, que se caracteriza por fibrose progressiva e irreversível, sem migração de lesões.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O padrão de Pneumonia Intersticial Usual (PIU) típico é o achado tomográfico que, isoladamente, permite o diagnóstico de FPI sem biópsia, quando avaliado em contexto clínico apropriado. As diretrizes ATS/ERS/JRS/ALAT definem o padrão típico de PIU na TCAR como a presença de reticulação subpleural e basal, bronquiectasias de tração e faveolamento, na ausência de achados que sugiram diagnóstico alternativo. Quando esses critérios são preenchidos, a especificidade para FPI é muito alta, dispensando a confirmação histológica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O padrão em mosaico com aprisionamento aéreo é um achado típico de doenças de pequenas vias aéreas, como a bronquiolite obliterante, a bronquiolite respiratória associada a doença pulmonar intersticial (RB-ILD) ou a pneumonite de hipersensibilidade crônica. Esse padrão reflete a heterogeneidade da ventilação pulmonar, com áreas de hipoatenuação (aprisionamento aéreo) intercaladas com áreas de atenuação normal. Não é um achado característico da FPI, que se manifesta predominantemente com reticulação e faveolamento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O espessamento septal liso predominante é um achado que pode ser observado em diversas condições, como edema pulmonar cardiogênico, linfangite carcinomatosa, pneumonite intersticial ou até mesmo em algumas doenças sistêmicas. Na FPI, o espessamento septal não é o achado predominante; o que se observa é a reticulação irregular, com distorção arquitetural e faveolamento, predominantemente nas bases e regiões subpleurais. A presença de espessamento septal liso difuso sugere outras etiologias, como congestão pulmonar ou infiltração neoplásica.

Gabarito: letra C

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