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Questão de Medicina — Urologia — FUNDATEC 2026

MedicinaUrologia
Código
qg688416
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Bento Gonçalves - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Urologista
Paciente de 65 anos foi submetido à nefrectomia parcial videoassistida por um tumor hilar de 3 cm. Após 4 semanas, procura a emergência com hematúria macroscópica e hipotensão leve. Utiliza AAS 100 mg/dia. Qual é a hipótese a ser considerada?
  1. ASangramento retroperitoneal.
  2. BFístula arteriovenosa.
  3. CHematúria ocasionada pelo AAS.
  4. DSangramento por um granuloma da sutura do parênquima renal.
  5. EDeficiência de vitamina K.
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GabaritoB — Fístula arteriovenosa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fístula arteriovenosa após nefrectomia parcial

Gabarito: letra B. A hipótese mais provável é fístula arteriovenosa (FAV), complicação conhecida da nefrectomia parcial, que se manifesta com hematúria macroscópica tardia (semanas após a cirurgia) e pode cursar com hipotensão leve. O uso de AAS é um fator que pode agravar o sangramento, mas não é a causa primária do quadro.

A nefrectomia parcial é uma cirurgia conservadora de parênquima renal, indicada para tumores renais pequenos (como o tumor hilar de 3 cm do caso). Durante a ressecção, há necessidade de controlar os vasos sanguíneos do rim, e a sutura do parênquima pode envolver artérias e veias de pequeno calibre. Quando uma artéria e uma veia adjacentes são suturadas juntas ou quando a cicatrização aproxima suas paredes, pode se formar uma comunicação anormal entre elas — a fístula arteriovenosa. Essa comunicação faz o sangue arterial fluir diretamente para a veia, criando um curto-circuito que aumenta a pressão no sistema venoso renal e pode levar à ruptura de vasos frágeis no trato urinário, resultando em hematúria.

A apresentação clássica da FAV pós-nefrectomia parcial inclui hematúria macroscópica que surge de forma tardia (semanas a meses após a cirurgia), podendo ser intermitente, e em alguns casos acompanhada de dor lombar ou hipotensão, se o sangramento for significativo. O diagnóstico é feito por exames de imagem, sendo a angiotomografia ou a arteriografia os métodos de escolha para confirmar a comunicação vascular. O tratamento pode ser conservador, com embolização seletiva da fístula, ou cirúrgico, dependendo do tamanho e dos sintomas.

É importante distinguir a FAV de outras complicações pós-operatórias. O sangramento retroperitoneal (alternativa A) costuma ocorrer nas primeiras 24-48 horas após a cirurgia, com dor lombar intensa, queda do hematócrito e instabilidade hemodinâmica — não é o quadro tardio descrito. A hematúria pelo AAS (alternativa C) é uma possibilidade, mas o AAS em dose baixa (100 mg/dia) raramente causa hematúria macroscópica isolada, e o contexto cirúrgico recente aponta fortemente para uma complicação local. O granuloma da sutura (alternativa D) é uma reação inflamatória ao fio cirúrgico, que pode causar hematúria, mas é menos comum e geralmente não se associa a hipotensão. A deficiência de vitamina K (alternativa E) causaria sangramento sistêmico, não apenas hematúria, e não é esperada em um paciente sem doença hepática ou uso de anticoagulantes.

A pegadinha desta questão está em atribuir a hematúria ao AAS, que é um distrator comum. O AAS pode aumentar o risco de sangramento, mas a causa subjacente é a complicação cirúrgica. O raciocínio clínico deve priorizar a complicação mais específica e temporalmente relacionada ao procedimento.

  1. 1Tempo de início
  2. 2Sintomas associados
  3. 3Exame de imagem
  4. 4Tratamento
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O sangramento retroperitoneal é uma complicação precoce da nefrectomia parcial, geralmente nas primeiras 48 horas, com dor lombar, queda do hematócrito e instabilidade hemodinâmica. O quadro do paciente é tardio (4 semanas) e com hipotensão leve, o que não é típico de sangramento retroperitoneal agudo. Além disso, a hematúria macroscópica é mais sugestiva de sangramento para o trato urinário, não para o retroperitônio.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A fístula arteriovenosa é uma complicação reconhecida da nefrectomia parcial, resultante da comunicação anormal entre uma artéria e uma veia no leito cirúrgico. Manifesta-se com hematúria macroscópica tardia (semanas após a cirurgia), podendo causar hipotensão leve se o sangramento for relevante. O diagnóstico é feito por angiotomografia ou arteriografia, e o tratamento pode ser embolização seletiva. O uso de AAS pode agravar o sangramento, mas não é a causa primária.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A hematúria pelo AAS é um distrator. O AAS em dose antiagregante (100 mg/dia) pode aumentar o risco de sangramento, mas raramente causa hematúria macroscópica isolada, especialmente em um paciente com cirurgia renal recente. A hipótese mais provável é uma complicação local, como a fístula arteriovenosa, e não um efeito farmacológico isolado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O granuloma da sutura é uma reação inflamatória ao fio cirúrgico que pode causar hematúria, mas é uma complicação menos comum e geralmente não se associa a hipotensão. O quadro clínico do paciente, com hematúria macroscópica e hipotensão leve, é mais sugestivo de uma comunicação vascular anormal, como a fístula arteriovenosa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A deficiência de vitamina K causaria sangramento sistêmico, manifestando-se com equimoses, sangramento gengival, etc., e não apenas hematúria. Além disso, não há fatores de risco para essa deficiência no caso (como doença hepática ou uso de anticoagulantes). A hipótese mais plausível é a complicação cirúrgica local.

Gabarito: letra B

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