Questão de Medicina — Angiologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg688632
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- Prefeitura de Bom Jesus - RS
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Clínico Geral
- ATabagismo.
- BIMC > 30 kg/m².
- CHipercolesterolemia.
- DHipertensão arterial.
GabaritoA — Tabagismo.
Gabarito: letra A. O tabagismo é o fator de risco mais fortemente associado ao desenvolvimento de DAP, sendo considerado o principal fator de risco modificável para a doença, com impacto direto na progressão e na gravidade do quadro. Embora os demais fatores (obesidade, dislipidemia e hipertensão) também contribuam, o tabagismo se destaca pela magnitude da associação e pela obrigatoriedade de cessação completa no manejo da doença, conforme literatura médica consolidada.
A DAP é uma manifestação da aterosclerose sistêmica que afeta principalmente os membros inferiores. A aterosclerose é um processo inflamatório crônico que leva ao acúmulo de placas de lipídios, células inflamatórias e tecido fibroso na parede arterial, resultando em estreitamento e obstrução do vaso. Os fatores de risco para DAP são os mesmos da doença arterial coronariana, mas com pesos diferentes. O tabagismo é reconhecido como o fator de risco mais importante e mais fortemente associado à DAP, com um risco relativo que chega a ser de 2 a 3 vezes maior em fumantes comparados a não fumantes. A cessação do tabagismo é a medida mais eficaz para reduzir a progressão da doença e o risco de eventos cardiovasculares.
A fisiopatologia por trás dessa associação envolve múltiplos mecanismos: o tabagismo causa disfunção endotelial, aumenta o estresse oxidativo, promove estado pró-trombótico, eleva os níveis de fibrinogênio e aumenta a adesão leucocitária ao endotélio. Esses efeitos aceleram o processo aterosclerótico de forma mais intensa do que os outros fatores de risco isolados. Além disso, o tabagismo tem efeito sinérgico com outros fatores de risco, potencializando o dano vascular.
Na prática clínica, a avaliação do paciente com suspeita de DAP deve incluir a investigação ativa do tabagismo, e a orientação para cessação completa é uma das intervenções mais importantes. O índice tornozelo-braquial (ITB) é o exame de triagem, e a modificação agressiva de todos os fatores de risco é essencial para prevenir a progressão para isquemia crítica e amputação.
A distinção crucial que esta questão explora é a hierarquia de importância entre os fatores de risco. Enquanto a hipertensão, a dislipidemia e a obesidade são fatores de risco importantes para doença cardiovascular em geral, o tabagismo tem uma associação particularmente forte com a DAP, sendo frequentemente citado como o principal fator de risco modificável. Essa ênfase é consistente com as diretrizes de cardiologia e cirurgia vascular, que colocam a cessação do tabagismo como prioridade absoluta no manejo da DAP.
Guarde essa hierarquia: quando a questão perguntar sobre o fator de risco mais fortemente associado à DAP, a resposta é sempre o tabagismo. É exatamente esse critério que separa a alternativa correta das demais.
O tabagismo é o fator de risco mais fortemente associado ao desenvolvimento de DAP. A literatura médica é consistente em apontar o tabagismo como o principal fator de risco modificável para a doença, com risco relativo significativamente elevado e impacto direto na progressão da aterosclerose periférica. A cessação completa do tabagismo é considerada intervenção obrigatória no manejo da DAP, sendo a medida mais eficaz para reduzir a progressão da doença e o risco de eventos cardiovasculares.
A obesidade (IMC > 30 kg/m²) é um fator de risco para DAP, mas não é o mais fortemente associado. A obesidade contribui para o desenvolvimento de aterosclerose por mecanismos indiretos, como aumento da inflamação sistêmica, resistência à insulina e dislipidemia. No entanto, sua associação com DAP é menos forte do que a do tabagismo, que tem efeito direto e mais intenso sobre o endotélio vascular.
A hipercolesterolemia é um fator de risco importante para aterosclerose, incluindo DAP, mas não é o mais fortemente associado. A dislipidemia contribui para a formação de placas ateroscleróticas, mas o tabagismo tem um efeito mais potente e direto sobre a disfunção endotelial e a progressão da doença arterial periférica. O controle lipídico é essencial, mas a cessação do tabagismo é a prioridade máxima.
A hipertensão arterial é um fator de risco para DAP, mas não é o mais fortemente associado. A HAS contribui para o dano endotelial e a progressão da aterosclerose, mas sua associação com DAP é menos forte do que a do tabagismo. O controle pressórico é importante no manejo global do paciente, mas a cessação do tabagismo tem impacto mais significativo na prevenção e progressão da DAP.
A banca explora a confusão entre fatores de risco para doença cardiovascular em geral e o fator de risco mais fortemente associado à DAP especificamente. O candidato pode ser tentado a escolher hipertensão ou dislipidemia por serem fatores de risco clássicos, mas o tabagismo é o que tem associação mais forte e direta com a DAP. Lembre-se: quando a questão perguntar sobre o fator de risco mais importante para DAP, a resposta é tabagismo.
Gabarito: letra A
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