Sobre a incontinência urinária e as alterações do trato urinário inferior, assinale a alternativa correta.
AA hiperatividade do músculo detrusor é uma causa rara de incontinência urinária em idosos.
BO tratamento medicamentoso é a modalidade mais eficaz para o tratamento da incontinência urinária de esforço.
CO envelhecimento está associado ao aumento da contratilidade do músculo detrusor.
DLesões do sistema nervoso central podem causar hiperatividade do músculo detrusor.
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GabaritoD — Lesões do sistema nervoso central podem causar hiperatividade do músculo detrusor.
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Incontinência urinária e hiperatividade do detrusor
Gabarito: letra D. Lesões do sistema nervoso central podem, de fato, causar hiperatividade do músculo detrusor, pois a incontinência de urgência resulta de contrações involuntárias da bexiga que superam a capacidade do sistema nervoso central de inibi-las — como ocorre em acidentes vasculares cerebrais, doença de Parkinson e demências. As demais alternativas invertem conceitos fundamentais da fisiopatologia da incontinência urinária no idoso.
A incontinência urinária (IU) é definida como a perda involuntária de urina, condição extremamente prevalente em idosos — estima-se que até 30% dos idosos não institucionalizados apresentem o problema, embora frequentemente não seja identificado. A fisiologia da continência depende de um equilíbrio entre a pressão intravesical (mantida baixa durante o enchimento) e a resistência uretral (capacidade de oclusão do esfíncter). Quando esse equilíbrio se rompe, instala-se a incontinência.
A classificação clínica divide a IU em quatro grandes tipos, cada um com mecanismo fisiopatológico distinto:
Incontinência de urgência: causada pela hiperatividade do detrusor (HD), que é a contração involuntária do músculo detrusor durante o enchimento vesical. É o tipo mais comum em idosos. O paciente refere desejo súbito e imperioso de urinar, acompanhado de polaciúria e noctúria.
Incontinência de esforço (estresse): decorre da incompetência da musculatura pélvica e do esfíncter uretral, com perda de pequenos volumes de urina ao tossir, espirrar, rir ou realizar esforços que aumentam a pressão intra-abdominal. É a segunda causa mais comum em mulheres idosas.
Incontinência por transbordamento (sobrefluxo): resulta de retenção urinária, frequentemente por obstrução (hiperplasia prostática benigna em homens) ou por atividade insuficiente do detrusor (atonia vesical em diabéticos ou lesados medulares).
Incontinência funcional: ocorre quando causas externas ao trato urinário — como dificuldade de locomoção, déficit cognitivo ou barreiras ambientais — impedem o paciente de chegar ao banheiro a tempo.
A hiperatividade do detrusor pode ter origem idiopática ou secundária. Entre as causas secundárias, destacam-se as lesões das vias inibitórias centrais — exatamente o que a alternativa D afirma. O sistema nervoso central exerce papel inibitório sobre o reflexo miccional; quando essa inibição é perdida (por AVC, Parkinson, demências, lesão medular), o detrusor torna-se hiperativo, gerando contrações involuntárias e urgência miccional. Além disso, fatores irritativos locais (infecção urinária, cálculos, tumores vesicais) também podem desencadear HD.
O envelhecimento, por sua vez, associa-se a alterações funcionais do trato urinário inferior, mas não ao aumento da contratilidade do detrusor. Na verdade, observa-se o oposto: há tendência à diminuição da contratilidade e da capacidade de esvaziamento vesical, com aumento do volume residual. A hiperatividade do detrusor no idoso está mais relacionada à perda da inibição central do que a um aumento intrínseco da contratilidade muscular.
Quanto ao tratamento, a incontinência de esforço tem como modalidades principais a cirurgia (sling, por exemplo) e a fisioterapia do assoalho pélvico (exercícios de Kegel). O tratamento medicamentoso (antimuscarínicos, como oxibutinina e tolterodina) é eficaz para a incontinência de urgência, atuando na redução da hiperatividade do detrusor, mas não é a modalidade mais eficaz para a incontinência de esforço — na verdade, tem papel limitado nesse tipo.
A pegadinha central desta questão está na inversão de conceitos: a banca troca a hiperatividade do detrusor por causa rara (quando é a mais comum), inverte o tratamento da incontinência de esforço (medicamentoso quando é cirúrgico/fisioterápico) e inverte o efeito do envelhecimento sobre a contratilidade (aumento quando é diminuição). A única alternativa que apresenta uma afirmação fisiopatologicamente correta é a D.
A hiperatividade do músculo detrusor é a causa mais comum de incontinência urinária em idosos, não uma causa rara. A incontinência de urgência, consequência da HD, é o tipo mais frequente nessa população. A alternativa inverte a prevalência — o erro está em classificar como "rara" uma condição que é a principal causa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O tratamento medicamentoso não é a modalidade mais eficaz para a incontinência urinária de esforço. Para esse tipo, as opções mais eficazes são a cirurgia (como o sling suburetral) e a fisioterapia do assoalho pélvico. Os medicamentos (antimuscarínicos) são indicados principalmente para a incontinência de urgência, atuando na hiperatividade do detrusor — não na insuficiência esfincteriana que caracteriza a incontinência de esforço.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O envelhecimento está associado à diminuição da contratilidade do músculo detrusor, não ao aumento. Com o avançar da idade, há redução da força de contração vesical, aumento do volume residual e maior risco de retenção urinária. A hiperatividade do detrusor no idoso decorre da perda da inibição central, não de um aumento intrínseco da contratilidade muscular.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Lesões do sistema nervoso central podem causar hiperatividade do músculo detrusor. A incontinência de urgência resulta de contrações involuntárias da bexiga que superam a capacidade do sistema nervoso central de inibi-las. Lesões nas vias inibitórias centrais — como acidente vascular cerebral, doença de Parkinson e demências — removem essa inibição, permitindo contrações não suprimidas do detrusor. Essa é a base fisiopatológica da bexiga neurogênica hiperativa.