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Questão de Português — Interpretação de Textos — FUNDATEC 2026

PortuguêsInterpretação de Textos
Código
qg688791
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Bom Jesus - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Professor de Língua Portuguesa
Leia o trecho a seguir, extraído da obra “Crônicas Escolhidas”, de Machado de Assis, e assinale a alternativa que apresenta a característica machadiana predominante em sua composição.“Ocorreu-me compor umas certas regras para uso dos que frequentam bondes. […] Esse meio de locomoção, essencialmente democrático, exige que ele não seja deixado ao puro capricho dos passageiros. Então vamos lá!Art. I – Os encatarroados podem entrar nos bondes com a condição de não tossirem mais de três vezes dentro de uma hora. […] Quando a tosse for tão teimosa, eles têm duas escolhas: ou irem a pé, que é bom exercício, ou meterem-se na cama. Também podem ir tossir para o diabo que os carregue”.
  1. ACrítica institucional.
  2. BAnálise psicológica.
  3. CIronia.
  4. DPessimismo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Ironia.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Análise da Característica Machadiana

Gabarito: letra C – Ironia. O trecho apresenta a típica ironia machadiana: um tom aparentemente sério (regras para bondes, com artigos numerados) aplicado a situações banais e ridículas (limitar a tosse a três vezes por hora). Machado de Assis emprega a ironia para criticar a hipocrisia e os exageros sociais, sem cair no pessimismo direto ou na análise psicológica profunda.

A chave de resolução está em perceber que o texto não faz uma crítica institucional formal (alternativa A), nem examina o interior psicológico dos personagens (B), e também não expressa um pessimismo fatalista (D). O efeito é claramente irônico, como se lê no trecho: "Os encatarroados podem entrar nos bondes com a condição de não tossirem mais de três vezes dentro de uma hora." A incongruência entre a rigidez da norma e a trivialidade do objeto gera a ironia.

Alternativa A — ❌ Incorreta (Crítica institucional)

Apesar de o texto simular uma lei, ele não critica uma instituição específica (governo, igreja, exército, etc.). A crítica é genérica aos costumes sociais, feita por meio do humor. É uma extrapolação chamar de "crítica institucional".

Alternativa B — ❌ Incorreta (Análise psicológica)

Não há aprofundamento na mente dos personagens. O texto é leve e cômico, sem adentrar motivações íntimas ou conflitos psíquicos. A alternativa tangencia o tema: Machado é mestre em análise psicológica, mas neste trecho específico ela não é predominante.

Alternativa C — ✅ Correta (Ironia)

A ironia é a figura central. O narrador propõe "regras" com linguagem formal (artigos) para situações ridículas, como a dos encatarroados. A escolha do termo "diabo que os carregue" reforça o tom jocoso. A ironia machadiana é sutil e crítica, sem ser agressiva.

Alternativa D — ❌ Incorreta (Pessimismo)

Embora haja um fundo de crítica social, o tom não é pessimista; é bem-humorado e até galhofeiro. Machado, em crônicas, frequentemente usava o riso para abordar problemas, não a desolação. O pessimismo é mais característico de seus romances da fase realista, não desta crônica em particular.

Conclusão: O trecho exemplifica a ironia machadiana, que consiste em tratar de assuntos corriqueiros com seriedade formal, criando um contraste cômico e crítico. Gabarito: letra C.

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