Interpretação espirométrica: DPOC versus asma
Gabarito: letra B. O paciente apresenta obstrução persistente ao fluxo aéreo (VEF1/CVF = 0,58, inferior a 0,7) com resposta ao broncodilatador insuficiente para caracterizar reversibilidade significativa (aumento de VEF1 de 180 mL e 7%, abaixo dos critérios de 200 mL e 12%), configurando DPOC. A interpretação se baseia nos critérios espirométricos do GOLD e das diretrizes de asma, que exigem, para reversibilidade, aumento do VEF1 ≥ 12% e ≥ 200 mL após broncodilatador.
A espirometria é a pedra angular para diferenciar as doenças obstrutivas. A relação VEF1/CVF pós-broncodilatador inferior a 0,70 confirma a presença de obstrução ao fluxo aéreo, como ocorre neste caso (0,58). Uma vez confirmada a obstrução, o passo seguinte é avaliar a resposta ao broncodilatador, que ajuda a distinguir asma de DPOC. Na asma, espera-se uma reversibilidade significativa, definida como aumento do VEF1 ≥ 12% e ≥ 200 mL em relação ao basal. No paciente em questão, o aumento foi de apenas 180 mL (7%), não atingindo nenhum dos dois critérios. Portanto, a obstrução é persistente e sem reversibilidade significativa, o que, somado ao histórico de tabagismo de 40 maços-ano e à idade (61 anos), fecha o diagnóstico de DPOC.
É importante destacar que a resposta ao broncodilatador na DPOC pode ocorrer, mas geralmente é pequena e não atinge os critérios de reversibilidade da asma. A presença de algum grau de resposta (como 7%) não exclui DPOC, pois a doença é caracterizada por obstrução "nem sempre reversível". O diagnóstico de asma exigiria uma resposta robusta, o que não ocorreu. A síndrome de sobreposição asma-DPOC (ACO) é uma possibilidade, mas exigiria critérios adicionais, como história de asma prévia ou resposta significativa ao broncodilatador, o que não está presente. A alternativa D (restrição associada) é incorreta porque a espirometria mostra obstrução (VEF1/CVF reduzido), não restrição (que cursaria com CVF reduzida e relação normal ou aumentada). A alternativa E é absurda, pois a espirometria está claramente alterada.
A pegadinha central desta questão é a tentativa de confundir o candidato com a resposta parcial ao broncodilatador. Muitos podem pensar que qualquer resposta indica asma, mas os critérios são objetivos e exigem um aumento mínimo de 200 mL e 12%. O aumento de 180 mL (7%) fica aquém desses valores, sendo insuficiente para caracterizar reversibilidade. Além disso, o contexto clínico (tabagista de 40 maços-ano, 61 anos, dispneia progressiva) é altamente sugestivo de DPOC, e a espirometria confirma a obstrução persistente.
Guarde o critério de reversibilidade: é ele que separa asma de DPOC na espirometria. Na asma, a obstrução é variável e reversível; na DPOC, é persistente e pouco reversível. A questão explora exatamente essa fronteira.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que há asma brônquica devido à resposta ao broncodilatador. O erro está em considerar a resposta de 180 mL (7%) como significativa. Para asma, o critério de reversibilidade é aumento do VEF1 ≥ 12% e ≥ 200 mL após broncodilatador. O paciente não atinge nenhum dos dois, portanto não há reversibilidade significativa. Além disso, o perfil clínico (tabagista de 40 maços-ano, 61 anos) é muito mais compatível com DPOC.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve exatamente o quadro: DPOC com obstrução persistente (VEF1/CVF = 0,58 < 0,7) e ausência de reversibilidade significativa (aumento de VEF1 de 180 mL e 7%, abaixo dos critérios de 200 mL e 12%). O diagnóstico de DPOC é confirmado pela espirometria pós-broncodilatador com relação VEF1/CVF < 0,7, e a ausência de resposta significativa ao broncodilatador reforça o diagnóstico, em vez de asma.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A síndrome de sobreposição asma-DPOC (ACO) é caracterizada por obstrução persistente com algum grau de reversibilidade ou variabilidade. No entanto, para o diagnóstico, seria necessária uma resposta significativa ao broncodilatador (≥ 12% e ≥ 200 mL) ou história de asma prévia. O paciente apresenta apenas 7% de resposta, insuficiente para caracterizar a sobreposição. A resposta parcial isolada não define ACO.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A espirometria mostra obstrução ao fluxo aéreo (VEF1/CVF = 0,58), não restrição. A restrição pulmonar é caracterizada por CVF reduzida com relação VEF1/CVF normal ou aumentada. Não há dados de CVF reduzida no enunciado, e a relação VEF1/CVF baixa é típica de obstrução. Portanto, não há evidência de padrão restritivo associado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A espirometria está claramente alterada: VEF1/CVF = 0,58 (inferior a 0,7) e VEF1 = 52% do previsto (obstrução moderada a grave). Não há como considerar a espirometria normal para a idade, pois os valores estão bem abaixo dos limites de normalidade.
Gabarito: letra B