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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FUNDATEC 2026

MedicinaClínica Médica Humana
Código
qg691121
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico
Homem de 61 anos, tabagista de 40 maços-ano, com dispneia progressiva e tosse crônica. Espirometria mostra: VEF1/CVF = 0,58; VEF1 = 52% do previsto; após broncodilatador: aumento de VEF1 de 180 mL (7%). Qual é a interpretação mais correta?
  1. AAsma brônquica, pois há resposta ao broncodilatador.
  2. BDPOC com obstrução persistente e ausência de reversibilidade significativa.
  3. CSíndrome de sobreposição asma-DPOC, pela resposta parcial.
  4. DRestrição pulmonar associada à obstrução.
  5. EEspirometria normal para a idade.
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GabaritoB — DPOC com obstrução persistente e ausência de reversibilidade significativa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação espirométrica: DPOC versus asma

Gabarito: letra B. O paciente apresenta obstrução persistente ao fluxo aéreo (VEF1/CVF = 0,58, inferior a 0,7) com resposta ao broncodilatador insuficiente para caracterizar reversibilidade significativa (aumento de VEF1 de 180 mL e 7%, abaixo dos critérios de 200 mL e 12%), configurando DPOC. A interpretação se baseia nos critérios espirométricos do GOLD e das diretrizes de asma, que exigem, para reversibilidade, aumento do VEF1 ≥ 12% e ≥ 200 mL após broncodilatador.

A espirometria é a pedra angular para diferenciar as doenças obstrutivas. A relação VEF1/CVF pós-broncodilatador inferior a 0,70 confirma a presença de obstrução ao fluxo aéreo, como ocorre neste caso (0,58). Uma vez confirmada a obstrução, o passo seguinte é avaliar a resposta ao broncodilatador, que ajuda a distinguir asma de DPOC. Na asma, espera-se uma reversibilidade significativa, definida como aumento do VEF1 ≥ 12% e ≥ 200 mL em relação ao basal. No paciente em questão, o aumento foi de apenas 180 mL (7%), não atingindo nenhum dos dois critérios. Portanto, a obstrução é persistente e sem reversibilidade significativa, o que, somado ao histórico de tabagismo de 40 maços-ano e à idade (61 anos), fecha o diagnóstico de DPOC.

É importante destacar que a resposta ao broncodilatador na DPOC pode ocorrer, mas geralmente é pequena e não atinge os critérios de reversibilidade da asma. A presença de algum grau de resposta (como 7%) não exclui DPOC, pois a doença é caracterizada por obstrução "nem sempre reversível". O diagnóstico de asma exigiria uma resposta robusta, o que não ocorreu. A síndrome de sobreposição asma-DPOC (ACO) é uma possibilidade, mas exigiria critérios adicionais, como história de asma prévia ou resposta significativa ao broncodilatador, o que não está presente. A alternativa D (restrição associada) é incorreta porque a espirometria mostra obstrução (VEF1/CVF reduzido), não restrição (que cursaria com CVF reduzida e relação normal ou aumentada). A alternativa E é absurda, pois a espirometria está claramente alterada.

A pegadinha central desta questão é a tentativa de confundir o candidato com a resposta parcial ao broncodilatador. Muitos podem pensar que qualquer resposta indica asma, mas os critérios são objetivos e exigem um aumento mínimo de 200 mL e 12%. O aumento de 180 mL (7%) fica aquém desses valores, sendo insuficiente para caracterizar reversibilidade. Além disso, o contexto clínico (tabagista de 40 maços-ano, 61 anos, dispneia progressiva) é altamente sugestivo de DPOC, e a espirometria confirma a obstrução persistente.

Guarde o critério de reversibilidade: é ele que separa asma de DPOC na espirometria. Na asma, a obstrução é variável e reversível; na DPOC, é persistente e pouco reversível. A questão explora exatamente essa fronteira.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que há asma brônquica devido à resposta ao broncodilatador. O erro está em considerar a resposta de 180 mL (7%) como significativa. Para asma, o critério de reversibilidade é aumento do VEF1 ≥ 12% e ≥ 200 mL após broncodilatador. O paciente não atinge nenhum dos dois, portanto não há reversibilidade significativa. Além disso, o perfil clínico (tabagista de 40 maços-ano, 61 anos) é muito mais compatível com DPOC.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve exatamente o quadro: DPOC com obstrução persistente (VEF1/CVF = 0,58 < 0,7) e ausência de reversibilidade significativa (aumento de VEF1 de 180 mL e 7%, abaixo dos critérios de 200 mL e 12%). O diagnóstico de DPOC é confirmado pela espirometria pós-broncodilatador com relação VEF1/CVF < 0,7, e a ausência de resposta significativa ao broncodilatador reforça o diagnóstico, em vez de asma.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A síndrome de sobreposição asma-DPOC (ACO) é caracterizada por obstrução persistente com algum grau de reversibilidade ou variabilidade. No entanto, para o diagnóstico, seria necessária uma resposta significativa ao broncodilatador (≥ 12% e ≥ 200 mL) ou história de asma prévia. O paciente apresenta apenas 7% de resposta, insuficiente para caracterizar a sobreposição. A resposta parcial isolada não define ACO.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A espirometria mostra obstrução ao fluxo aéreo (VEF1/CVF = 0,58), não restrição. A restrição pulmonar é caracterizada por CVF reduzida com relação VEF1/CVF normal ou aumentada. Não há dados de CVF reduzida no enunciado, e a relação VEF1/CVF baixa é típica de obstrução. Portanto, não há evidência de padrão restritivo associado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A espirometria está claramente alterada: VEF1/CVF = 0,58 (inferior a 0,7) e VEF1 = 52% do previsto (obstrução moderada a grave). Não há como considerar a espirometria normal para a idade, pois os valores estão bem abaixo dos limites de normalidade.

Gabarito: letra B

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