Questão de Medicina — Medicina Preventiva — FUNDATEC 2026
Medicina›Medicina Preventiva
Código
qg691125
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico
Homem de 34 anos sofre ferimento perfurante profundo em membro inferior por objeto metálico enferrujado. Relata esquema vacinal desconhecido para tétano. Qual é a conduta correta?
AAdministrar apenas vacina dT.
BAdministrar apenas imunoglobulina antitetânica.
CAdministrar vacina dT e imunoglobulina antitetânica.
DNão administrar profilaxia se ferimento for lavado.
EAguardar sorologia para antitoxina tetânica.
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GabaritoC — Administrar vacina dT e imunoglobulina antitetânica.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Profilaxia do tétano no manejo de ferimentos
Gabarito: letra C. Em ferimento perfurante profundo por objeto metálico enferrujado, com esquema vacinal desconhecido (menos de 3 doses), a conduta correta é administrar a vacina dT e a imunoglobulina antitetânica (IGHAT) — a vacina para induzir imunidade ativa e a imunoglobulina para neutralização imediata da toxina. Essa conduta está alinhada às tabelas de profilaxia do Ministério da Saúde e das sociedades de imunização, que indicam vacinação + imunização passiva para ferimentos suspeitos em pacientes com história vacinal incerta ou incompleta.
O tétano é uma doença infecciosa aguda, não contagiosa, causada pela toxina do Clostridium tetani, um bacilo anaeróbio que forma esporos e é encontrado no solo, poeira e fezes de animais. A doença se previne pela vacinação, e a profilaxia pós-exposição depende de dois fatores: o tipo de ferimento (limpo/superficial versus suspeito/contaminado) e a situação vacinal do paciente. Define-se como adequadamente vacinada a pessoa que recebeu três doses do toxoide tetânico (DTP, DT, dT, TT), com a última dose há menos de dez anos.
Os ferimentos são classificados quanto ao risco: os de risco mínimo são superficiais, limpos, sem corpos estranhos ou tecidos desvitalizados; os de alto risco incluem ferimentos profundos ou superficiais sujos, com corpos estranhos ou tecidos desvitalizados, queimaduras, feridas puntiformes ou por armas brancas e de fogo, mordeduras, politraumatismos e fraturas expostas. O ferimento do enunciado — perfurante profundo por objeto metálico enferrujado — é claramente um ferimento suspeito/de alto risco, pois é puntiforme, profundo e contaminado.
A lógica da profilaxia é dupla: a vacina (dT) estimula o sistema imunológico a produzir anticorpos próprios (imunidade ativa), mas leva dias para gerar proteção; a imunoglobulina antitetânica (IGHAT) ou o soro antitetânico (SAT) fornece anticorpos prontos (imunidade passiva), neutralizando a toxina imediatamente. Por isso, em ferimentos suspeitos com vacinação incerta ou incompleta, ambas são necessárias: a imunoglobulina cobre o período até a vacina fazer efeito. A IGHAT é a preferida, administrada por via intramuscular, em dose única de 250 UI, idealmente dentro de 3 dias do ferimento; na sua falta, usa-se o SAT equino (5.000 UI IM).
A tabela abaixo resume a conduta profilática conforme a situação vacinal e o tipo de ferimento — é exatamente esse quadro que a questão cobra:
Situação vacinal
Ferimento limpo e superficial
Ferimento suspeito/contaminado
Incerta ou menos de 3 doses
Vacina (dT) — sem imunização passiva
Vacina (dT) + imunização passiva (IGHAT/SAT)
3 doses ou mais, última há < 5 anos
Nada
Nada
3 doses ou mais, última entre 5 e 10 anos
Nada
Vacina (dT) — sem imunização passiva
3 doses ou mais, última há > 10 anos
Vacina (dT) — sem imunização passiva
Vacina (dT) — sem imunização passiva
A pegadinha central desta questão é o esquema vacinal desconhecido: o candidato pode pensar que, por ser um ferimento grave, basta a imunoglobulina, ou que a vacina sozinha resolve. Mas a regra é clara — história vacinal incerta equivale a menos de 3 doses, e ferimento suspeito exige vacina + imunoglobulina. Guarde essa combinação: é o critério que separa as alternativas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Administrar apenas a vacina dT é insuficiente. A vacina gera imunidade ativa, mas demora dias para conferir proteção. Em ferimento suspeito com vacinação desconhecida, há risco imediato de a toxina agir antes de a resposta imune se estabelecer — por isso a imunização passiva (IGHAT) é indispensável nesse cenário. A vacina isolada só seria suficiente em ferimento limpo e superficial com vacinação incerta, o que não é o caso.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Administrar apenas a imunoglobulina antitetânica também é errado. A IGHAT neutraliza a toxina circulante, mas não induz imunidade duradoura — o paciente continuaria suscetível a futuros episódios. Além disso, a vacinação é a medida fundamental de prevenção, e o paciente com esquema desconhecido precisa iniciar/completar o esquema vacinal. A imunoglobulina isolada nunca substitui a vacina; elas são complementares.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a conduta correta. Ferimento perfurante profundo por objeto enferrujado é classificado como suspeito/de alto risco (puntiforme, profundo, contaminado). Com esquema vacinal desconhecido (equivalente a menos de 3 doses), a tabela de profilaxia indica vacinar (dT) e administrar imunização passiva (IGHAT ou SAT). A vacina confere imunidade ativa de longo prazo; a imunoglobulina neutraliza a toxina imediatamente, cobrindo o intervalo até a resposta vacinal. Essa combinação é o padrão-ouro na profilaxia do tétano nesse cenário.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Não administrar profilaxia se o ferimento for lavado é um erro grave. A lavagem do ferimento é parte importante do cuidado local, mas não substitui a profilaxia farmacológica. O risco de tétano persiste mesmo após limpeza, pois os esporos do Clostridium tetani podem permanecer em tecidos profundos e desvitalizados. A profilaxia (vacina + imunoglobulina, conforme o caso) é sempre indicada em ferimentos suspeitos, independentemente da lavagem.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Aguardar sorologia para antitoxina tetânica não é uma conduta recomendada. O diagnóstico e a profilaxia do tétano são eminentemente clínicos; não existe teste sorológico de rotina para avaliar a necessidade de profilaxia pós-exposição. A conduta é definida pela história vacinal e pelo tipo de ferimento, não por exames laboratoriais. Aguardar sorologia atrasaria a profilaxia, aumentando o risco de doença — conduta inaceitável na emergência.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os dois componentes da profilaxia. Muitos candidatos escolhem a letra A (só vacina) por lembrar que a vacina é a base da prevenção, ou a letra B (só imunoglobulina) por focar na gravidade do ferimento. Mas a regra é combiná-las quando há ferimento suspeito + vacinação incerta: a vacina protege a longo prazo, a imunoglobulina protege já. Decore a tabela: incerta/menos de 3 doses + ferimento suspeito = vacina + IGHAT.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de profilaxia do tétano, monte mentalmente a tabela 2×2: cruze "situação vacinal" (incerta/<3 doses, 3+ doses com intervalos) com "tipo de ferimento" (limpo × suspeito). A única célula que pede vacina + imunoglobulina é a de vacinação incerta/incompleta com ferimento suspeito. Nas demais, ou só vacina, ou nada. Esse raciocínio resolve a maioria das questões do tema.
Gabarito: letra C — vacina dT e imunoglobulina antitetânica.