Questão de Medicina — Epidemiologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Epidemiologia
Código
qg691135
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico
Um teste para determinada doença apresenta sensibilidade de 95% e especificidade de 90%. Considerando uma população com baixa prevalência da doença, assinale a alternativa correta.
AO valor preditivo positivo será elevado.
BO valor preditivo negativo será baixo.
CA maioria dos resultados positivos será falso-positivo.
DO teste é inadequado para rastreamento.
EA acurácia será inferior a 50%.
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GabaritoC — A maioria dos resultados positivos será falso-positivo.
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Valores preditivos e prevalência: o paradoxo do rastreamento
Gabarito: letra C. Em uma população de baixa prevalência, mesmo um teste com alta sensibilidade (95%) e especificidade (90%) produzirá um número de falso-positivos que supera o de verdadeiros-positivos, fazendo com que a maioria dos resultados positivos seja falso-positiva. Esse é o paradoxo clássico do rastreamento em doenças raras, diretamente ligado ao valor preditivo positivo (VPP), que cai drasticamente quando a prevalência é baixa.
O valor preditivo positivo (VPP) é a probabilidade de um indivíduo com teste positivo realmente ter a doença. Ele depende não apenas da sensibilidade e especificidade do teste, mas, crucialmente, da prevalência da doença na população testada. Em populações de baixa prevalência, a maioria dos resultados positivos será falso-positiva, mesmo que o teste tenha alta especificidade. Isso ocorre porque, embora a proporção de falso-positivos entre os não doentes seja pequena (10% no caso de 90% de especificidade), o número absoluto de não doentes é enorme, gerando muitos falso-positivos que superam os verdadeiros-positivos.
Vamos ilustrar com um exemplo numérico. Suponha uma população de 10.000 pessoas com prevalência de 1% (100 doentes). Com sensibilidade de 95%, o teste detectará 95 verdadeiros-positivos (95% de 100). Com especificidade de 90%, entre os 9.900 não doentes, 10% terão teste positivo, gerando 990 falso-positivos. Assim, o total de positivos será 95 + 990 = 1.085, dos quais apenas 95 são verdadeiros. O VPP será 95/1.085 ≈ 8,8%. Ou seja, mais de 91% dos resultados positivos são falso-positivos. Quanto menor a prevalência, mais extremo é esse efeito.
Esse fenômeno é a razão pela qual testes de rastreamento populacional para doenças raras são problemáticos: geram um grande número de alarmes falsos, exigindo exames confirmatórios e causando ansiedade desnecessária. O valor preditivo negativo (VPN), por outro lado, tende a ser muito alto em baixa prevalência, pois a probabilidade de um teste negativo ser verdadeiro é grande, já que a doença é rara. A acurácia (proporção de acertos totais) também tende a ser alta, pois a maioria das pessoas é não doente e o teste as classifica corretamente como negativas.
A pegadinha desta questão está em confundir as propriedades intrínsecas do teste (sensibilidade e especificidade) com seu desempenho em uma população específica (valores preditivos). A banca explora exatamente a relação inversa entre prevalência e VPP, e a relação direta entre prevalência e VPN. Guarde essa distinção: sensibilidade e especificidade são características do teste, enquanto os valores preditivos dependem da população.
Baixa prevalência
Alta prevalência
VPN
Baixo (muitos falso-positivos)
Alto (poucos falso-positivos)
VPP
Alto (poucos falso-negativos)
Baixo (muitos falso-negativos)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o VPP será elevado. Isso é falso: em baixa prevalência, o VPP é baixo, pois a maioria dos positivos é falso-positiva. O VPP só seria elevado se a prevalência fosse alta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o VPN será baixo. Na verdade, em baixa prevalência, o VPN é alto, pois a probabilidade de um teste negativo ser verdadeiro é grande, já que a doença é rara. O VPN só seria baixo se a prevalência fosse alta.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a correta. Em baixa prevalência, o número de falso-positivos supera o de verdadeiros-positivos, fazendo com que a maioria dos resultados positivos seja falso-positiva. Isso é uma consequência direta da relação entre prevalência e VPP.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o teste é inadequado para rastreamento. Isso não é necessariamente verdade. Um teste com alta sensibilidade é adequado para rastreamento, pois a função do rastreamento é não deixar passar casos (minimizar falso-negativos). O problema do excesso de falso-positivos é uma limitação, mas não torna o teste inadequado; apenas exige confirmação dos positivos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a acurácia será inferior a 50%. Isso é falso. A acurácia (proporção de acertos totais) tende a ser alta em baixa prevalência, pois a maioria das pessoas é não doente e o teste as classifica corretamente como negativas. Por exemplo, no cenário de 1% de prevalência, a acurácia seria (95 + 8.910) / 10.000 = 90,05%.