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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2026

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg691180
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Cardiologista
Define-se como insuficiência cardíaca com a fração de ejeção de ventrículo esquerdo reduzida quando à fração de ejeção é:
  1. A<50%.
  2. B<40%.
  3. C<38%.
  4. D<35%.
  5. E<30%.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — <40%.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Insuficiência cardíaca: classificação pela fração de ejeção

Gabarito: letra B. A insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFEr) é definida quando a fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) é < 40%, conforme a Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Crônica e Aguda (Arq Bras Cardiol. 2018). As demais alternativas trazem valores que correspondem a outras classificações ou a critérios de outras indicações, como veremos.

A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica em que o coração não consegue bombear sangue de forma adequada às necessidades do organismo, ou só o faz com aumento das pressões de enchimento. Para padronizar o diagnóstico e o tratamento, a classificação mais utilizada é baseada na fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE), que mede o percentual de sangue ejetado a cada sístole. Historicamente, os pacientes eram divididos em dois grandes grupos: os com FEVE normal (≥ 50%), chamados de IC com fração de ejeção preservada (ICFEp), e os com FEVE reduzida (< 40%), chamados de IC com fração de ejeção reduzida (ICFEr). Entre 40% e 49%, ficava a chamada "zona cinzenta", que mais recentemente passou a ser denominada IC com fração de ejeção intermediária (ICFEi).

Essa distinção não é meramente acadêmica: os grupos diferem em etiologias, comorbidades e, principalmente, na resposta ao tratamento. A maioria dos estudos clínicos que demonstraram redução de mortalidade com fármacos como IECA, betabloqueadores e antagonistas da aldosterona incluiu predominantemente pacientes com ICFEr (FEVE < 40%). Por isso, o ponto de corte de 40% é o mais aceito e utilizado nas diretrizes brasileiras e internacionais.

Na prática, um paciente com dispneia, edema e fadiga, cujo ecocardiograma mostra FEVE de 35%, é classificado como ICFEr e recebe o tratamento farmacológico otimizado. Já um paciente com FEVE de 45% é classificado como ICFEi, e um com FEVE de 55% como ICFEp. O valor de 35% também aparece em diretrizes, mas como critério para indicação de cardiodesfibrilador implantável (CDI) em prevenção primária, não como definição de ICFEr.

A pegadinha desta questão é justamente confundir o ponto de corte da definição (40%) com outros valores usados em contextos específicos, como o 35% do CDI ou o 50% da ICFEp. Guarde a tríade: ICFEr < 40%, ICFEi 40–49%, ICFEp ≥ 50%.

Classificação

FEVE

Observação

ICFEr

< 40%

Definição da questão

ICFEi

40–49%

Zona cinzenta

ICFEp

≥ 50%

FEVE preservada

CDI (prevenção primária)

< 35%

Critério de indicação, não de definição

Alternativa A — ❌ Incorreta

O valor < 50% não define ICFEr. Na verdade, FEVE ≥ 50% é o critério para ICFEp; valores entre 40% e 49% são considerados ICFEi. Portanto, < 50% englobaria tanto a ICFEi quanto a ICFEr, não sendo um ponto de corte específico.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A definição de ICFEr é FEVE < 40%, conforme a Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca. Esse é o valor que separa os pacientes que se beneficiam do tratamento farmacológico com redução de mortalidade.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O valor < 38% não corresponde a nenhuma classificação padrão de IC. Não há consenso ou diretriz que utilize esse ponto de corte para definir ICFEr.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O valor < 35% é utilizado como critério para indicação de cardiodesfibrilador implantável (CDI) em prevenção primária de morte súbita, mas não define ICFEr. A definição permanece < 40%.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O valor < 30% é ainda mais restritivo e não corresponde à definição de ICFEr. Representaria um subgrupo com disfunção muito grave, mas não é o ponto de corte adotado pelas diretrizes.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece valores próximos (38%, 35%, 30%) para testar se o candidato sabe o ponto de corte exato. O 35% é o mais traiçoeiro, pois é usado para CDI, mas não para definir ICFEr. Lembre-se: ICFEr < 40%.

NÃO CAIA NESSA!

Para fixar, monte a tabela mental: ICFEr < 40% | ICFEi 40–49% | ICFEp ≥ 50%. E associe o 35% apenas ao CDI. Assim, você não cai nessa pegadinha em nenhuma prova.

Gabarito: letra B

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