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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2026

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg691183
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Cardiologista
Dor torácica súbita, persistente, com intensidade severa e tipo “rasgando” associada à hipotensão arterial sistêmica. História de doença do tecido conjuntivo. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável.
  1. AMiocardite.
  2. BPericardite.
  3. CDissecção aórtica.
  4. DSíndrome coronariana aguda.
  5. ETromboembolismo pulmonar.
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GabaritoC — Dissecção aórtica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dor torácica súbita e "rasgando": dissecção de aorta

Gabarito: letra C. A dor torácica súbita, persistente, de intensidade severa e caráter "rasgando" ou "dilacerante", associada à hipotensão arterial sistêmica e à história de doença do tecido conjuntivo, é a apresentação clássica da dissecção aguda de aorta. O contexto de doença do tecido conjuntivo (como a síndrome de Marfan) é um fator de risco importante para essa condição, que cursa com ruptura da íntima e formação de um falso lúmen na parede aórtica.

A dissecção de aorta é uma emergência cardiovascular caracterizada pela ruptura da camada íntima da aorta, permitindo que o sangue penetre na camada média e se propague ao longo do vaso, criando um "falso lúmen". Essa separação das camadas da parede aórtica é o que gera a dor de caráter "rasgando" ou "dilacerante", tipicamente de início súbito e intensidade máxima desde o princípio. A dor pode ser migratória, acompanhando a progressão da dissecção, e frequentemente irradia para o dorso. A hipotensão arterial sistêmica pode ocorrer por diversas complicações, como tamponamento cardíaco, insuficiência aórtica aguda, ruptura da aorta ou envolvimento das artérias coronárias. A associação com doenças do tecido conjuntivo, especialmente a síndrome de Marfan, é um fator de risco clássico, pois essas condições cursam com fragilidade da parede arterial, predispondo à degeneração cística da média.

O diagnóstico diferencial da dor torácica aguda é amplo, mas algumas características são fortemente sugestivas de dissecção de aorta. A dor "em rasgada" ou "dilacerante" é quase patognomônica, especialmente quando associada a fatores de risco como hipertensão, doenças do tecido conjuntivo, idade avançada ou história familiar. A hipotensão, quando presente, pode indicar complicações graves como tamponamento cardíaco, insuficiência aórtica aguda ou ruptura da aorta. A presença de pulsos assimétricos, sopro de insuficiência aórtica, déficits neurológicos focais ou alargamento de mediastino na radiografia de tórax reforçam a suspeita. O diagnóstico é confirmado por angiotomografia de aorta, ecocardiograma transesofágico ou ressonância magnética.

É importante distinguir a dissecção de aorta de outras causas de dor torácica aguda. A síndrome coronariana aguda (SCA) geralmente apresenta dor em aperto ou queimação, retroesternal, com irradiação para membros superiores, associada a sudorese e náuseas, e pode ser desencadeada por esforço. A pericardite causa dor pleurítica, que piora com inspiração profunda e decúbito dorsal, melhorando ao sentar-se inclinado para frente, e pode haver atrito pericárdico. A miocardite pode simular SCA, mas frequentemente há história de infecção viral recente. O tromboembolismo pulmonar (TEP) cursa com dor pleurítica, dispneia súbita, taquipneia e hipoxemia, geralmente associado a fatores de risco como imobilização, cirurgia ou trombose venosa profunda. A dissecção de aorta, por sua vez, tem dor de caráter "rasgando", início súbito, intensidade máxima desde o início, e pode estar associada a déficits neurológicos, pulsos assimétricos e hipotensão.

A banca explora a associação entre a dor "em rasgada" e a doença do tecido conjuntivo, que é um forte indicativo de dissecção de aorta. O candidato deve reconhecer que essa combinação de sintomas é altamente específica para essa condição, e não para outras causas de dor torácica. A hipotensão, embora possa ocorrer em outras condições, quando associada à dor "em rasgada" e à doença do tecido conjuntivo, aponta fortemente para dissecção de aorta com complicações hemodinâmicas.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A miocardite é uma inflamação do miocárdio, geralmente de causa viral, que pode cursar com dor torácica, mas esta costuma ser semelhante à dor anginosa ou pleurítica, e não "em rasgada". A miocardite frequentemente tem história de infecção viral recente (IVAS ou gastroenterite) e pode cursar com insuficiência cardíaca, arritmias e elevação de troponina. A dor "em rasgada" e a associação com doença do tecido conjuntivo não são características típicas de miocardite. Embora doenças do tecido conjuntivo possam causar miocardite, a apresentação clínica descrita é muito mais sugestiva de dissecção de aorta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A pericardite é uma inflamação do pericárdio, que causa dor torácica pleurítica, aguda, que piora com inspiração profunda, tosse e decúbito dorsal, e melhora ao sentar-se inclinado para frente. A dor "em rasgada" e a hipotensão não são características típicas de pericardite. Embora a pericardite possa estar associada a doenças do tecido conjuntivo (como lúpus ou artrite reumatoide), a apresentação clínica descrita é muito mais sugestiva de dissecção de aorta. A pericardite pode cursar com atrito pericárdico e alterações eletrocardiográficas difusas, mas não com dor "em rasgada" e hipotensão.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A dissecção de aorta é a alternativa correta. A dor torácica súbita, persistente, de intensidade severa e caráter "rasgando" ou "dilacerante" é a apresentação clássica da dissecção aguda de aorta. A hipotensão arterial sistêmica pode ocorrer por complicações como tamponamento cardíaco, insuficiência aórtica aguda, ruptura da aorta ou envolvimento das artérias coronárias. A história de doença do tecido conjuntivo, como a síndrome de Marfan, é um fator de risco importante, pois essas condições cursam com fragilidade da parede arterial, predispondo à degeneração cística da média e à dissecção. O diagnóstico é confirmado por angiotomografia de aorta, ecocardiograma transesofágico ou ressonância magnética.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A síndrome coronariana aguda (SCA) geralmente apresenta dor em aperto ou queimação, retroesternal, com irradiação para membros superiores, associada a sudorese, náuseas e dispneia. A dor "em rasgada" e a associação com doença do tecido conjuntivo não são características típicas de SCA. Embora a SCA possa causar hipotensão em casos de infarto extenso, a apresentação clínica descrita é muito mais sugestiva de dissecção de aorta. A SCA é causada por ruptura de placa aterosclerótica e formação de trombo, enquanto a dissecção de aorta é causada por ruptura da íntima e formação de falso lúmen.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O tromboembolismo pulmonar (TEP) cursa com dor pleurítica, dispneia súbita, taquipneia e hipoxemia, geralmente associado a fatores de risco como imobilização, cirurgia, trombose venosa profunda ou neoplasia. A dor "em rasgada" e a associação com doença do tecido conjuntivo não são características típicas de TEP. Embora o TEP possa causar hipotensão em casos de embolia maciça, a apresentação clínica descrita é muito mais sugestiva de dissecção de aorta. O TEP é causado por obstrução das artérias pulmonares por trombos, enquanto a dissecção de aorta é causada por ruptura da íntima e formação de falso lúmen.

Gabarito: letra C

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