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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FUNDATEC 2026

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg691199
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Cirurgião Geral
Paciente de 70 anos com história de cirurgia abdominal prévia (histerectomia total) apresenta dor abdominal cólica, distensão, vômitos biliosos e ausência de eliminação de gases há 48 horas. A radiografia simples de abdome em decúbito mostra alças dilatadas, com níveis hidroaéreos em “escada” e ausência de gás no cólon distal. A tomografia computadorizada confirma transição abrupta no íleo terminal. Qual é a etiologia mais provável e a conduta cirúrgica indicada, respectivamente?
  1. AVolvo de sigmoide – indicar ressecção segmentar seguida de anastomose, com eventual proteção derivativa conforme condições intraoperatórias.
  2. BBrida adesiva como causa de obstrução mecânica – proceder à abordagem exploradora com liberação das aderências e ressecção apenas se áreas inviáveis forem identificadas.
  3. CNeoplasia de cólon direito ocasionando bloqueio da válvula ileocecal – indicar hemicolectomia direita em caráter emergencial.
  4. DEstenose inflamatória ileal decorrente de doença de Crohn – manejar com estricturoplastia ou ressecção de alça comprometida.
  5. EÍleo paralítico relacionado a disfunção motora intestinal – conduzir com descompressão gástrica e suporte clínico expectante.
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GabaritoB — Brida adesiva como causa de obstrução mecânica – proceder à abordagem exploradora com liberação das aderências e ressecção apenas se áreas inviáveis forem identificadas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Obstrução intestinal mecânica: bridas pós-operatórias

Gabarito: letra B. O quadro clínico e radiológico descrito — dor em cólica, distensão, vômitos biliosos, parada de eliminação de gases e fezes, níveis hidroaéreos em "escada" na radiografia e transição abrupta no íleo terminal à tomografia — é clássico de obstrução mecânica do intestino delgado por brida adesiva, a causa mais comum em pacientes com cirurgia abdominal prévia (histerectomia). A conduta indicada é a abordagem exploradora com lise de aderências, ressecando apenas segmentos inviáveis. O diagnóstico diferencial com as demais etiologias (volvo, neoplasia, doença de Crohn, íleo paralítico) é o ponto central da questão.

A obstrução intestinal é a interrupção do trânsito do conteúdo intestinal, podendo ser mecânica (quando há um obstáculo físico ao fluxo) ou funcional (íleo paralítico, quando há falência da motilidade sem obstáculo). No caso apresentado, a história de cirurgia abdominal prévia é o dado epidemiológico mais forte: bridas aderenciais são responsáveis por cerca de 60 a 75% das obstruções do intestino delgado em adultos com cirurgia prévia. A dor em cólica (espasmódica, intermitente) reflete o esforço peristáltico contra o obstáculo; os vômitos biliosos indicam obstrução distal ao duodeno; a distensão progressiva e a parada de eliminação de gases e fezes completam o quadro. Na radiografia, os níveis hidroaéreos em "escada" (ou "pilhas de moedas") são típicos de obstrução de delgado, e a ausência de gás no cólon distal confirma que o bloqueio é proximal à válvula ileocecal. A tomografia com transição abrupta no íleo terminal é o achado que localiza o ponto de obstrução.

O tratamento da obstrução por brida é inicialmente clínico (jejum, sonda nasogástrica, reposição volêmica e eletrolítica), mas, na ausência de resolução ou na presença de sinais de estrangulamento (dor contínua, febre, taquicardia, acidose, sinais de peritonite), a cirurgia está indicada. A conduta cirúrgica clássica é a laparotomia exploradora com lise de aderências (enterólise), ressecando apenas os segmentos de alça que se mostrarem inviáveis (isquêmicos ou necróticos). A alternativa B espelha exatamente essa conduta.

A distinção que importa é entre as causas de obstrução mecânica do delgado e as do cólon, e entre obstrução mecânica e íleo paralítico. Enquanto as bridas e hérnias predominam no delgado, o volvo de sigmoide e as neoplasias colorretais são causas típicas de obstrução colônica. O íleo paralítico, por sua vez, cursa com distensão difusa, ausência de ruídos hidroaéreos e sem níveis hidroaéreos em "escada" — é um diagnóstico de exclusão, tratado clinicamente. A pegadinha da banca está em oferecer alternativas com etiologias plausíveis, mas que não se encaixam no quadro clínico-radiológico apresentado: o volvo de sigmoide teria distensão colônica exuberante e imagem em "grão de café"; a neoplasia de cólon direito causaria obstrução colônica, não transição no íleo terminal; a doença de Crohn ileal poderia causar estenose, mas o contexto de cirurgia prévia e o quadro agudo favorecem brida; e o íleo paralítico não teria níveis hidroaéreos em "escada" nem transição abrupta na TC.

Guarde o par etiologia × conduta: a questão testa se o candidato reconhece a causa mais provável pelo contexto clínico-radiológico e aplica o tratamento cirúrgico adequado. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Obstrução intestinal
  • 1Mecânica (obstáculo físico)
    • Delgado
      • Bridas (60–75% com cirurgia prévia)
      • Hérnias
    • Cólon
      • Volvo de sigmoide
      • Neoplasias colorretais
  • 2Funcional (íleo paralítico)
    • Sem obstáculo
    • Distensão difusa, sem níveis em "escada"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O volvo de sigmoide é uma causa de obstrução colônica, não de delgado. O quadro típico é de distensão abdominal exuberante, vômitos tardios e fecaloides, e a radiografia mostra a imagem em "grão de café" (alça sigmoide dilatada em forma de U invertido). No caso, a transição abrupta no íleo terminal e os níveis hidroaéreos em "escada" apontam para obstrução de delgado. Além disso, a conduta no volvo de sigmoide sem sinais de perfuração é inicialmente a descompressão endoscópica (colonoscopia com passagem de sonda retal), reservando a ressecção para falha ou complicação — não é a primeira conduta indicada.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A brida adesiva é a causa mais comum de obstrução mecânica do intestino delgado em pacientes com cirurgia abdominal prévia, como a histerectomia. O quadro clínico (dor em cólica, vômitos biliosos, distensão, parada de eliminação de gases e fezes) e os achados de imagem (níveis hidroaéreos em "escada", ausência de gás no cólon distal, transição abrupta no íleo terminal) são típicos. A conduta cirúrgica é a abordagem exploradora com liberação das aderências (enterólise), ressecando apenas as alças inviáveis — exatamente o que a alternativa descreve.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A neoplasia de cólon direito causa obstrução colônica, não obstrução de delgado. A transição abrupta no íleo terminal e a ausência de gás no cólon distal não são compatíveis com um tumor que bloqueia a válvula ileocecal — nesse caso, haveria distensão colônica proximal, e não níveis hidroaéreos em "escada" típicos de delgado. Além disso, a hemicolectomia direita não é a conduta emergencial para uma obstrução por brida; a cirurgia de emergência para obstrução de delgado é a lise de aderências.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A estenose inflamatória ileal por doença de Crohn poderia causar obstrução de delgado, mas o contexto é diferente: o paciente tem história de cirurgia abdominal prévia (histerectomia), o que torna a brida a causa mais provável. A doença de Crohn costuma ter história crônica de diarreia, dor abdominal recorrente, perda de peso e manifestações extraintestinais — não um quadro agudo de obstrução em paciente com cirurgia prévia. A conduta (estricturoplastia ou ressecção) é eletiva, não emergencial, e não se aplica ao caso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O íleo paralítico é uma obstrução funcional, sem obstáculo mecânico. O quadro clínico é de distensão difusa, ausência de ruídos hidroaéreos e sem níveis hidroaéreos em "escada" na radiografia — que são típicos de obstrução mecânica. A tomografia não mostraria transição abrupta no íleo terminal. A conduta é clínica (jejum, sonda nasogástrica, correção de eletrólitos), mas o diagnóstico está errado para o caso apresentado.

Gabarito: letra B

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