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Questão de Medicina — Traumas — FUNDATEC 2026

MedicinaTraumas
Código
qg691211
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Cirurgião Geral
Paciente de 35 anos, vítima de acidente motociclístico, chega ao PS com GCS de 13, FC de 130 bpm, PA de 85/50 mmHg, FR de 28 rpm e SpO₂ de 92% em ar ambiente. Após avaliação primária do ATLS, mantém sinais vitais após reposição volêmica com 2L de cristaloides. O exame físico revela abdome distendido e doloroso à palpação. Qual é a próxima medida a ser realizada, considerando o protocolo ATLS 11ª edição?
  1. AExecutar FAST de imediato para investigação de hemoperitônio e, na presença de líquor livre, proceder com laparotomia exploradora emergencial.
  2. BSolicitar tomografia computadorizada contrastada de abdome e pelve para caracterização detalhada das lesões intra-abdominais.
  3. CRealizar radiografia de tórax em decúbito para avaliação inicial do parênquima pulmonar e instituir antibioticoterapia empírica.
  4. DRealizar a infusão de mais 2 litros de cristaloide aquecido a 39 °C e, na ausência de resposta, solicitar concentrado de hemácias.
  5. EOptar pela lavagem peritoneal diagnóstica como método de triagem para sangramento intra-abdominal antes de conduta definitiva.
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GabaritoA — Executar FAST de imediato para investigação de hemoperitônio e, na presença de líquor livre, proceder com laparotomia exploradora emergencial.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Trauma abdominal contuso: FAST e laparotomia no paciente instável

Gabarito: letra A. No paciente vítima de trauma contuso com instabilidade hemodinâmica (PA 85/50 mmHg, FC 130 bpm) e abdome distendido, a próxima medida é o FAST para investigar hemoperitônio; se positivo, a conduta é laparotomia exploradora de emergência — o ATLS prioriza o controle cirúrgico do sangramento sem retardar com exames que exigem transporte ou tempo. A alternativa A descreve exatamente esse fluxo, embora troque o termo "líquido livre" por "líquor livre" (erro de redação da banca, mas o sentido permanece).

O trauma abdominal contuso é uma das principais causas evitáveis de óbito no trauma, e o manejo depende crucialmente do status hemodinâmico. O paciente do enunciado apresenta sinais de choque hemorrágico classe III (FC 130, PA 85/50, FR 28) e, após reposição volêmica inicial, mantém instabilidade — o que indica sangramento ativo. Nesse cenário, o ATLS preconiza a identificação imediata da fonte de sangramento e seu controle cirúrgico, sem postergar com exames que demandam tempo ou transporte do paciente.

O FAST (Focused Assessment with Sonography for Trauma) é o exame de escolha à beira do leito: rápido, não invasivo, sem necessidade de locomoção, e capaz de identificar líquido livre intraperitoneal (hemoperitônio) nas janelas pericárdica, hepatorrenal, esplenorrenal e pélvica. Quando positivo em paciente instável, a laparotomia exploradora é mandatória — a cada 3 minutos de atraso, a mortalidade aumenta cerca de 1%. A tomografia, embora superior para caracterizar lesões, é contraindicada no instável, pois exige transporte e tempo. A lavagem peritoneal diagnóstica (LPD) caiu em desuso frente ao FAST, sendo invasiva e de baixa especificidade.

A alternativa A, apesar do erro terminológico "líquor livre" (o correto é "líquido livre"), descreve o fluxo correto: FAST imediato e, se positivo, laparotomia exploradora. As demais alternativas propõem condutas inadequadas para o paciente instável: TC (exige estabilidade), radiografia de tórax (não avalia abdome), nova reposição volêmica sem controle cirúrgico (retarda a cirurgia) e LPD (método superado).

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca "líquido livre" por "líquor livre" na alternativa A — o candidato desatento pode marcar como errada a alternativa correta. Lembre-se: no trauma, o FAST pesquisa líquido livre (sangue) na cavidade peritoneal, não líquor. Além disso, a alternativa B (TC) parece atraente, mas é contraindicada no paciente instável — a banca explora exatamente essa confusão entre o que é ideal para o estável versus o instável.

Conduta

Indicação no paciente instável

Exame/Procedimento

Observação

FAST + laparotomia (A)

✅ Correta — triagem imediata à beira do leito; se positivo, cirurgia de emergência

FAST (janelas pericárdica, hepatorrenal, esplenorrenal, pélvica)

Exame rápido, não invasivo; não retarda o controle cirúrgico

TC contrastada (B)

❌ Contraindicada — exige transporte e tempo

Tomografia de abdome e pelve

Reservada ao paciente estável; retarda a cirurgia no instável

RX tórax + ATB (C)

❌ Inadequada — não avalia abdome; ATB não é rotina

Radiografia de tórax

Não investiga hemoperitônio; sem indicação de antibioticoterapia empírica

+2L cristaloide (D)

❌ Inadequada — reposição excessiva; retarda cirurgia

Infusão de cristaloide aquecido

ATLS limita a 1.000 mL; preferir transfusão maciça 1:1:1

LPD (E)

❌ Superada — invasiva e de baixa especificidade

Lavagem peritoneal diagnóstica

Substituída pelo FAST; interfere em exames subsequentes

  1. 1Avaliação primária (ABCDE)
  2. 2Reposição volêmica inicial
  3. 3FAST à beira do leito
  4. 4Líquido livre presente?
  5. 5Laparotomia exploradora
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve o fluxo correto do ATLS para o paciente instável com suspeita de hemoperitônio: realizar FAST de imediato e, na presença de líquido livre (a banca escreveu "líquor livre", mas o sentido é o mesmo), proceder com laparotomia exploradora emergencial. O FAST é o exame de triagem à beira do leito, e a laparotomia é a conduta definitiva para controle do sangramento no paciente que não responde à reposição volêmica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A tomografia computadorizada contrastada é contraindicada no paciente hemodinamicamente instável, pois exige transporte para o setor de imagem e tempo de execução — fatores que retardam o controle cirúrgico do sangramento e aumentam a mortalidade. A TC é reservada para o paciente estável, em que se busca caracterizar lesões e planejar tratamento não operatório.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A radiografia de tórax em decúbito não avalia o abdome e não é a próxima medida para investigar hemoperitônio. Além disso, a antibioticoterapia empírica não é indicada de rotina no trauma abdominal contuso sem evidência de contaminação — ela é reservada para lesões do trato gastrointestinal com contaminação da cavidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Infundir mais 2 litros de cristaloide aquecido a 39 °C é inadequado: o ATLS preconiza reposição volêmica criteriosa (evitando ultrapassar 1.000 mL de cristaloide) e, na ausência de resposta, a ativação do protocolo de transfusão maciça com hemocomponentes na proporção 1:1:1 — não a infusão adicional de grandes volumes de cristaloide, que piora os desfechos. Além disso, a temperatura de 39 °C não é a indicada (evita-se hipotermia, mas não se aquece a essa temperatura).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A lavagem peritoneal diagnóstica (LPD) é um método invasivo, de baixa especificidade, que interfere na interpretação de exames subsequentes e caiu em desuso frente ao FAST. No paciente instável, o FAST é o exame de triagem de escolha por ser rápido, não invasivo e realizado à beira do leito.

Gabarito: letra A — FAST imediato e laparotomia exploradora se positivo, conforme o ATLS para o paciente instável com suspeita de hemoperitônio.

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