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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FUNDATEC 2026

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg691217
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Cirurgião Geral
Paciente apresenta adenocarcinoma gástrico precoce (T1a N0) localizado na pequena curvatura, terço médio do estômago. A ressecção endoscópica não é viável, devido à suspeita de invasão submucosa superficial (SM1). Qual técnica cirúrgica oferece cura oncológica equivalente à gastrectomia distal, mas com preservação gástrica máxima e menor risco de síndrome de dumping e refluxo biliar?
  1. AGastrectomia total com linfadenectomia D2.
  2. BGastrectomia distal (antrectomia) com reconstrução em BII.
  3. CGastrectomia proximal com esofagogastrostomia.
  4. DRessecção gástrica local ampliada com linfadenectomia sentinela.
  5. EGastrectomia segmentar com linfadenectomia perigástrica.
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GabaritoE — Gastrectomia segmentar com linfadenectomia perigástrica.

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Adenocarcinoma gástrico precoce: gastrectomia segmentar como alternativa preservadora

Gabarito: letra E. Para adenocarcinoma gástrico precoce (T1a N0) com suspeita de invasão submucosa superficial (SM1), a gastrectomia segmentar com linfadenectomia perigástrica oferece cura oncológica equivalente à gastrectomia distal, porém com maior preservação gástrica e menor risco de síndrome de dumping e refluxo biliar. A ressecção endoscópica não é viável, e a cirurgia segmentar, com margens adequadas e linfadenectomia perigástrica, é a técnica que melhor se alinha aos critérios do enunciado.

O adenocarcinoma gástrico precoce é definido como aquele confinado à mucosa ou submucosa, independentemente da presença de linfonodos metastáticos. A classificação T1a indica invasão apenas da mucosa, enquanto T1b indica invasão da submucosa. A suspeita de invasão submucosa superficial (SM1) contraindica a ressecção endoscópica, pois o risco de metástase linfonodal aumenta significativamente quando o tumor invade a submucosa, mesmo que superficialmente. Nesse cenário, a cirurgia com linfadenectomia é mandatória.

A gastrectomia distal (antrectomia) com reconstrução em Billroth II é o tratamento clássico para tumores do terço distal, mas não é a melhor opção para tumores do terço médio, pois exigiria ressecção de grande parte do estômago, comprometendo a preservação gástrica. A gastrectomia total é excessiva para um tumor precoce e acarreta maior morbidade, incluindo síndrome de dumping e refluxo biliar. A gastrectomia proximal com esofagogastrostomia é indicada para tumores da cárdia e do terço proximal, não se aplicando ao terço médio. A ressecção gástrica local ampliada com linfadenectomia sentinela é uma técnica experimental, sem evidência consolidada para o tratamento curativo do câncer gástrico.

A gastrectomia segmentar, também chamada de gastrectomia parcial ou ressecção em cunha, consiste na ressecção de um segmento do estômago contendo o tumor, com margens cirúrgicas adequadas, preservando o restante do órgão. A linfadenectomia perigástrica (D1) remove os linfonodos adjacentes à curvatura gástrica, que são os primeiros a serem acometidos. Estudos demonstram que, para tumores precoces (T1a N0), a gastrectomia segmentar com linfadenectomia perigástrica apresenta sobrevida equivalente à gastrectomia distal, com menor impacto funcional, menor incidência de síndrome de dumping e refluxo biliar, e melhor qualidade de vida.

A síndrome de dumping ocorre pela passagem rápida do alimento do estômago para o intestino delgado, causando sintomas vasomotores e gastrointestinais. A gastrectomia distal, ao remover o antro e o piloro, elimina o mecanismo de esvaziamento gástrico controlado, aumentando o risco de dumping. A gastrectomia segmentar, ao preservar o piloro e parte do antro, mantém o esvaziamento gástrico mais fisiológico, reduzindo esse risco. O refluxo biliar é mais comum após gastrectomia distal com reconstrução em Billroth II, pois o duodeno fica em continuidade com o coto gástrico, permitindo o refluxo de bile. A gastrectomia segmentar, ao preservar o piloro, também reduz o refluxo biliar.

A escolha da técnica cirúrgica para o câncer gástrico precoce deve considerar a localização do tumor, o estágio clínico, a necessidade de linfadenectomia e o impacto funcional. A gastrectomia segmentar é uma opção válida para tumores precoces localizados no terço médio, desde que seja possível obter margens cirúrgicas negativas e realizar linfadenectomia perigástrica adequada. A linfadenectomia sentinela, embora promissora, ainda não é o padrão-ouro para o câncer gástrico, e sua aplicação clínica é limitada.

A banca explora a distinção entre as técnicas cirúrgicas e suas indicações específicas. O candidato deve reconhecer que a gastrectomia segmentar é a única alternativa que combina preservação gástrica máxima, menor risco de dumping e refluxo biliar, e cura oncológica equivalente para tumores precoces do terço médio. As demais alternativas apresentam técnicas que são inadequadas para o caso ou que não oferecem os mesmos benefícios funcionais.

  1. 1Tumor T1a N0, terço médio
  2. 2Ressecção endoscópica inviável (SM1)
  3. 3Cirurgia com linfadenectomia
  4. 4Gastrectomia segmentar + D1
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A gastrectomia total com linfadenectomia D2 é um procedimento radical, indicado para tumores avançados ou localizados no terço proximal. Para um tumor precoce (T1a N0) do terço médio, a gastrectomia total é excessiva, pois remove todo o estômago, aumentando a morbidade e o impacto funcional, sem benefício oncológico adicional. A linfadenectomia D2 é mais extensa que a perigástrica (D1), mas não é necessária para tumores precoces sem linfonodos comprometidos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A gastrectomia distal (antrectomia) com reconstrução em Billroth II é indicada para tumores do terço distal, não do terço médio. Além disso, a reconstrução em Billroth II está associada a maior risco de síndrome de dumping e refluxo biliar, contrariando os objetivos do enunciado. A gastrectomia distal remove o antro e o piloro, comprometendo a preservação gástrica e o esvaziamento fisiológico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A gastrectomia proximal com esofagogastrostomia é indicada para tumores da cárdia e do terço proximal do estômago. Para um tumor do terço médio, essa técnica não é adequada, pois exigiria ressecção de parte do esôfago e do estômago proximal, com reconstrução esofagogástrica, que apresenta maior risco de refluxo e estenose. A preservação gástrica seria menor que na gastrectomia segmentar.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A ressecção gástrica local ampliada com linfadenectomia sentinela é uma técnica experimental, sem evidência consolidada para o tratamento curativo do câncer gástrico. A linfadenectomia sentinela não é o padrão-ouro para o câncer gástrico, e a ressecção local ampliada pode não garantir margens cirúrgicas adequadas ou linfadenectomia suficiente. A técnica não oferece a mesma segurança oncológica que a gastrectomia segmentar com linfadenectomia perigástrica.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A gastrectomia segmentar com linfadenectomia perigástrica é a técnica que melhor atende aos critérios do enunciado. Para um adenocarcinoma gástrico precoce (T1a N0) do terço médio, com suspeita de invasão submucosa superficial (SM1), a ressecção segmentar permite a remoção do tumor com margens adequadas, preservando a maior parte do estômago, incluindo o piloro e o antro. A linfadenectomia perigástrica (D1) remove os linfonodos de primeiro escalão, suficientes para tumores precoces. Essa abordagem oferece cura oncológica equivalente à gastrectomia distal, com menor risco de síndrome de dumping e refluxo biliar, e melhor qualidade de vida.

Gabarito: letra E

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