Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FUNDATEC 2026
Medicina›Medicina Intensiva
Código
qg691220
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Cirurgião Geral
Paciente vítima de trauma cranioencefálico grave (GCS 6 na admissão) com hematoma subdural agudo evacuado. No pós-operatório na UTI, é instituído protocolo de neuromonitorização multimodal. Além da pressão intracraniana (PIC), qual parâmetro de monitorização contínua e não invasiva fornece informação crítica sobre a autorregulação cerebral e o risco de isquemia secundária, sendo considerado padrão-ouro em centros de trauma nível I?
ADosagem seriada de lactato no líquor via dreno ventricular externo.
BMedição contínua da saturação venosa jugular de oxigênio (SjvO₂).
CMonitorização da pressão de perfusão cerebral (PPC).
DÍndice de autorregulação cerebral (PRx) derivado da correlação entre PIC e PAM.
EEletroencefalograma quantitativo (qEEG) com detecção de surtos de supressão.
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GabaritoD — Índice de autorregulação cerebral (PRx) derivado da correlação entre PIC e PAM.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Neuromonitorização multimodal no TCE grave: autorregulação cerebral e risco de isquemia secundária
Gabarito: letra D. O índice de autorregulação cerebral (PRx) é o parâmetro derivado da correlação entre a pressão intracraniana (PIC) e a pressão arterial média (PAM) que fornece informação crítica sobre a autorregulação cerebral e o risco de isquemia secundária, sendo considerado padrão-ouro em centros de trauma nível I. As demais alternativas, embora façam parte da neuromonitorização multimodal, não atendem simultaneamente aos critérios de continuidade, não invasividade e avaliação da autorregulação cerebral.
A neuromonitorização multimodal no trauma cranioencefálico (TCE) grave visa detectar precocemente a lesão cerebral secundária — aquela que ocorre após o insulto inicial, por mecanismos como hipóxia, hipotensão, hipercapnia e hipertensão intracraniana. O objetivo é manter a homeostasia cerebral, evitando que insultos sistêmicos agravem a lesão primária. Nesse contexto, a monitorização da PIC é central, mas isoladamente não avalia a capacidade do cérebro de manter o fluxo sanguíneo cerebral (FSC) adequado frente às variações da pressão arterial — é exatamente essa capacidade que chamamos de autorregulação cerebral.
A autorregulação cerebral é o mecanismo pelo qual o cérebro mantém o FSC relativamente constante dentro de uma faixa de pressão arterial média (aproximadamente 60–150 mmHg), por meio de vasoconstrição ou vasodilatação arteriolar. No TCE grave, essa autorregulação pode estar comprometida, tornando o cérebro vulnerável a variações da PAM: se a PAM cai, o FSC cai e há risco de isquemia; se a PAM sobe, o FSC aumenta e há risco de hiperemia e elevação da PIC. O PRx (pressure reactivity index) quantifica essa capacidade: é calculado pela correlação móvel entre a PIC e a PAM. Quando a autorregulação está intacta, um aumento da PAM causa vasoconstrição, reduzindo o volume sanguíneo cerebral e a PIC — a correlação é negativa. Quando a autorregulação está prejudicada, a PIC acompanha passivamente a PAM — a correlação é positiva. Valores de PRx > 0,2–0,3 indicam autorregulação comprometida e associam-se a pior prognóstico e maior risco de isquemia secundária.
Na prática, o PRx é derivado de dados já disponíveis na UTI: a PIC (monitorizada invasivamente) e a PAM (monitorizada invasivamente via cateter arterial). O cálculo é feito por softwares de neuromonitorização, que correlacionam as duas variáveis em janelas de tempo. O PRx permite individualizar a PPC alvo (PPC = PAM − PIC), evitando tanto a hipoperfusão quanto a hiperemia. É considerado padrão-ouro em centros de trauma nível I por ser contínuo, não invasivo (não requer dispositivo adicional além dos já instalados) e por fornecer informação fisiologicamente relevante sobre a autorregulação.
A distinção crucial é entre o PRx e a PPC: a PPC é um valor calculado (PAM − PIC) que representa o gradiente de pressão que impulsiona o FSC, mas não avalia a autorregulação. Um paciente pode ter PPC adequada e ainda assim sofrer isquemia se a autorregulação estiver comprometida. O PRx, por outro lado, avalia a reatividade vascular — a capacidade de resposta do vaso à pressão — que é o mecanismo protetor contra a isquemia. É essa fronteira entre "pressão de perfusão" e "reatividade vascular" que separa a alternativa correta das demais.
A banca explora a confusão entre os diversos parâmetros da neuromonitorização multimodal: todos são válidos, mas cada um avalia um aspecto diferente. O candidato que decora os nomes sem entender a função de cada um tende a escolher a SjvO₂ (alternativa B), que é invasiva, ou a PPC (alternativa C), que não avalia autorregulação. A chave é identificar qual parâmetro é contínuo, não invasivo e especificamente relacionado à autorregulação cerebral.
A dosagem seriada de lactato no líquor via dreno ventricular externo (DVE) é um método invasivo (requer DVE) e não é contínuo — é uma dosagem seriada, não uma monitorização contínua. Além disso, o lactato liquórico é um marcador de isquemia/hipóxia, mas não avalia diretamente a autorregulação cerebral. A alternativa confunde um marcador metabólico de lesão com um índice de reatividade vascular.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A saturação venosa jugular de oxigênio (SjvO₂) é um parâmetro de monitorização da oxigenação cerebral global, mas é invasiva (requer cateterização retrógrada do bulbo da jugular) e não avalia diretamente a autorregulação cerebral. A SjvO₂ reflete o equilíbrio entre oferta e consumo de oxigênio cerebral, mas não a capacidade de autorregulação. A alternativa troca o conceito de "oxigenação" por "autorregulação".
Alternativa C — ❌ Incorreta
A pressão de perfusão cerebral (PPC) é um valor calculado (PPC = PAM − PIC) e não é um parâmetro de monitorização contínua e não invasiva — é um cálculo derivado de duas monitorizações invasivas. Além disso, a PPC não avalia a autorregulação cerebral: ela representa o gradiente de pressão, mas não a resposta vascular à pressão. A alternativa confunde o "gradiente de pressão" com a "reatividade vascular".
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O índice de autorregulação cerebral (PRx) é derivado da correlação entre PIC e PAM, é contínuo (calculado em tempo real a partir de dados já monitorizados) e não invasivo (não requer dispositivo adicional). Ele avalia diretamente a autorregulação cerebral e o risco de isquemia secundária, sendo considerado padrão-ouro em centros de trauma nível I. A alternativa espelha exatamente a definição do PRx.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O eletroencefalograma quantitativo (qEEG) com detecção de surtos de supressão é um método contínuo e não invasivo, mas avalia a atividade elétrica cerebral e o nível de sedação, não a autorregulação cerebral. A detecção de surtos de supressão é útil para monitorizar o grau de supressão cortical (ex.: em sedação profunda ou hipotermia), mas não fornece informação sobre a reatividade vascular. A alternativa confunde "atividade elétrica" com "autorregulação".
Gabarito: letra D — o PRx é o único parâmetro que combina continuidade, não invasividade e avaliação direta da autorregulação cerebral, sendo o padrão-ouro em centros de trauma nível I.