Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FUNDATEC 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg691241
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Coloproctologista
Paciente realizou colonoscopia que apontou pólipo pediculado no ceco. Realizada polipectomia. Anatomopatológico apontou adenocarcinoma de baixa diferenciação, Haggitt nível 4, Kikuchi sm3, ausência de invasão linfovascular e margens completamente livres. Paciente realizou estadiamento completo após e nada foi evidenciado. Qual é a melhor conduta?
AColonoscopia de 3 em 3 meses por 1 ano e após de 6 em 6 meses por 5 anos.
BColonoscopia de 6 em 6 meses por 5 anos.
CMucosectomia colonoscópica da cicatriz.
DColectomia direita.
EÍleotiflectomia.
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GabaritoD — Colectomia direita.
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Pólipo maligno pediculado: critérios de Haggitt e Kikuchi e conduta cirúrgica
Gabarito: letra D. O pólipo pediculado com adenocarcinoma de baixa diferenciação, invasão de submucosa profunda (Haggitt nível 4 e Kikuchi sm3) apresenta risco significativo de linfonodos metastáticos, mesmo com margens livres e sem invasão linfovascular — por isso a conduta é a colectomia direita com linfadenectomia, e não apenas vigilância endoscópica. A decisão se ancora nos critérios anatomopatológicos de risco de doença residual/linfonodal, que superam os achados favoráveis isolados.
O pólipo maligno (adenocarcinoma invasivo em pólipo) é uma situação clássica em que a endoscopia remove a lesão, mas o patologista encontra carcinoma invasivo. A questão central é: a polipectomia foi curativa ou há risco de doença residual (linfonodos ou local)? Para responder, usam-se dois sistemas de estratificação: Haggitt, para pólipos pediculados, e Kikuchi, para pólipos sésseis. O Haggitt classifica a invasão em níveis: nível 1 (invasão da cabeça), nível 2 (invasão do colo), nível 3 (invasão do pedículo) e nível 4 (invasão da submucosa abaixo do pedículo, ou seja, além da base do pólipo). O Kikuchi (sm1, sm2, sm3) classifica a invasão da submucosa em terços: sm1 (superficial), sm2 (médio) e sm3 (profundo). Quanto mais profunda a invasão, maior o risco de metástase linfonodal.
No caso, o paciente tem Haggitt nível 4 e Kikuchi sm3 — ambos indicam invasão profunda da submucosa. Esse é o fator decisivo: mesmo com margens livres e ausência de invasão linfovascular, a profundidade da invasão confere risco de linfonodos positivos que pode chegar a 10-25%. Por isso, a polipectomia endoscópica não é considerada curativa, e a conduta é a ressecção cirúrgica do segmento colônico com linfadenectomia. A colectomia direita é a cirurgia padrão para lesões do ceco e cólon direito, removendo o segmento com seus linfonodos regionais.
A diferenciação histológica de baixa diferenciação também é um fator de risco adicional, reforçando a indicação cirúrgica. Embora a ausência de invasão linfovascular e margens livres sejam fatores favoráveis, eles não são suficientes para superar o risco imposto pela invasão profunda. A vigilância endoscópica isolada (alternativas A e B) seria adequada apenas para pólipos malignos de baixo risco (Haggitt 1-3, Kikuchi sm1, bem diferenciados, sem fatores de risco). A mucosectomia da cicatriz (alternativa C) não trata o risco linfonodal, e a íleotiflectomia (alternativa E) é uma cirurgia mais limitada, sem a linfadenectomia adequada para o câncer.
Guarde a fronteira: Haggitt 1-3 / Kikuchi sm1 = baixo risco → vigilância; Haggitt 4 / Kikuchi sm2-3 = alto risco → cirurgia. É exatamente nessa linha que as alternativas se dividem.
Pólipo maligno pediculado
1Critérios de risco
Haggitt (pediculado)
Nível 1: cabeça
Nível 2: colo
Nível 3: pedículo
Nível 4: submucosa abaixo do pedículo
Kikuchi (sésseis)
sm1: superficial
sm2: médio
sm3: profundo
2Conduta
Alto risco (Haggitt 4 / Kikuchi sm2-3)
Cirurgia com linfadenectomia
Baixo risco (Haggitt 1-3 / Kikuchi sm1)
Vigilância endoscópica
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Propõe colonoscopia de 3 em 3 meses por 1 ano e depois de 6 em 6 meses por 5 anos. Esse esquema de vigilância intensiva não é o padrão para pólipo maligno de alto risco. A conduta expectante com colonoscopias frequentes seria considerada apenas para pólipos de baixo risco (Haggitt 1-3, Kikuchi sm1), onde o risco linfonodal é baixo. Aqui, com Haggitt 4 e Kikuchi sm3, a vigilância não trata o risco de metástase linfonodal — que é justamente o que a cirurgia resolve. Além disso, o seguimento pós-tratamento curativo de câncer colorretal geralmente começa com colonoscopia em 1 ano, não em 3 meses.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Sugere colonoscopia de 6 em 6 meses por 5 anos. Assim como a alternativa A, é uma estratégia de vigilância endoscópica que não aborda o risco linfonodal. O paciente tem critérios de alto risco (invasão profunda da submucosa), e a conduta correta é cirúrgica. A vigilância isolada seria um erro grave, pois deixaria de tratar uma possível doença metastática linfonodal já presente. O seguimento endoscópico é complementar ao tratamento cirúrgico, não substituto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Mucosectomia colonoscópica da cicatriz. Essa opção trata apenas o leito da polipectomia, como se houvesse doença residual local. Porém, o problema não é a margem (que está livre), mas o risco de metástase linfonodal pela invasão profunda. A mucosectomia não remove linfonodos e, portanto, não é capaz de tratar a possível disseminação. Além disso, a lesão já foi ressecada; não há indicação de nova ressecção endoscópica da cicatriz sem evidência de doença residual.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Colectomia direita. É a conduta correta para adenocarcinoma invasivo em pólipo pediculado com Haggitt nível 4 e Kikuchi sm3. A invasão profunda da submucosa confere risco significativo de metástase linfonodal, e a colectomia com linfadenectomia regional é o tratamento que aborda tanto a doença local quanto a possível disseminação linfática. A cirurgia é indicada mesmo com margens livres e sem invasão linfovascular, pois a profundidade da invasão é o fator de risco mais importante. A colectomia direita é a ressecção segmentar padrão para lesões do ceco e cólon direito, com remoção dos linfonodos regionais.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Íleotiflectomia. Embora seja uma cirurgia para o ceco, é uma ressecção mais limitada, que não inclui a linfadenectomia adequada para o tratamento oncológico do câncer de cólon. A colectomia direita é a cirurgia padrão, pois remove um segmento maior do cólon com os linfonodos regionais (íleo terminal, ceco, cólon ascendente e parte do transverso). A íleotiflectomia seria indicada para doenças benignas ou situações específicas, não para adenocarcinoma invasivo com risco linfonodal.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os fatores de risco do pólipo maligno. O candidato pode achar que, como as margens estão livres e não há invasão linfovascular, a polipectomia foi curativa e basta vigilância. Mas o que decide é a profundidade da invasão (Haggitt 4, Kikuchi sm3) — que é um critério de alto risco, independentemente dos outros fatores favoráveis. Memorize: Haggitt 4 e Kikuchi sm3 sempre indicam cirurgia.
PEGA ESSA DICA!
Para pólipo maligno, monte um checklist mental: 1) Haggitt/Kikuchi (profundidade), 2) diferenciação, 3) invasão linfovascular, 4) margens. Se qualquer um for de alto risco (Haggitt 4, Kikuchi sm2-3, baixa diferenciação, invasão linfovascular, margem comprometida), a conduta é cirúrgica. Só vigilância se TODOS forem favoráveis.