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Questão de Medicina — Dermatologia — FUNDATEC 2026

MedicinaDermatologia
Código
qg691262
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Gravataí - RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico Dermatologista
Homem de 64 anos, fototipo II, agricultor aposentado, apresenta lesão em região nasal há aproximadamente 1 ano, com crescimento lento e episódios de sangramento ao trauma. Ao exame observa-se pápula translúcida, de bordas elevadas e peroladas, com telangiectasias superficiais e pequena ulceração central. A dermatoscopia evidencia: vasos arboriformes, áreas azul-acinzentadas, ulceração focal e ausência de rede pigmentar. Considerando o quadro clínico e dermatoscópico, assinale a alternativa correta.
  1. AO diagnóstico mais provável é melanoma nodular, devendo-se realizar linfonodo sentinela imediatamente.
  2. BTrata-se provavelmente de carcinoma basocelular nodular, sendo a excisão cirúrgica com margens adequadas o tratamento de escolha.
  3. CA principal via de disseminação do tumor é linfática, com alta taxa de metástase regional.
  4. DA presença de ulceração indica pior prognóstico sistêmico semelhante ao melanoma.
  5. EA radioterapia é sempre superior à cirurgia em lesões de região nasal.
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GabaritoB — Trata-se provavelmente de carcinoma basocelular nodular, sendo a excisão cirúrgica com margens adequadas o tratamento de escolha.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Carcinoma basocelular nodular: diagnóstico e tratamento

Gabarito: letra B. O quadro clínico — pápula translúcida, bordas peroladas, telangiectasias e ulceração central — associado à dermatoscopia com vasos arboriformes e ausência de rede pigmentar é clássico do carcinoma basocelular (CBC) nodular, cujo tratamento de escolha é a excisão cirúrgica com margens adequadas. As demais alternativas erram ao atribuir ao CBC características de melanoma (linfonodo sentinela, metástase linfática, ulceração como marcador sistêmico) ou ao superestimar a radioterapia.

O carcinoma basocelular é a neoplasia maligna de pele mais comum, originada das células basais da epiderme. Tem crescimento lento, raramente metastatiza (menos de 0,1% dos casos) e sua principal característica é a destruição local. O subtipo nodular, o mais frequente, apresenta-se como pápula ou nódulo translúcido, com bordas elevadas e peroladas, telangiectasias superficiais e, com frequência, ulceração central — o chamado "úlcera de roedor". A dermatoscopia é ferramenta essencial: os vasos arboriformes (vasos finos que se ramificam como galhos de árvore) são altamente sugestivos de CBC, e a ausência de rede pigmentar ajuda a afastar lesões melanocíticas.

O tratamento de primeira linha do CBC nodular é a excisão cirúrgica com margens de segurança, que permite a análise histopatológica completa da lesão e confirma a remoção integral. Margens de 4 mm são recomendadas para lesões de baixo risco; para lesões maiores, infiltrativas ou em áreas de alto risco (como a região nasal, periorbitária), pode-se considerar a cirurgia micrográfica de Mohs, que preserva tecido sadio e tem as menores taxas de recidiva. A radioterapia é alternativa para pacientes que não podem ser submetidos à cirurgia ou como adjuvante, mas não é superior à cirurgia em lesões ressecáveis.

A distinção crucial que a questão explora é entre CBC e melanoma. O melanoma nodular, por exemplo, é um nódulo pigmentado (frequentemente preto-azulado) de crescimento vertical rápido, com alto potencial metastático — exatamente o oposto do CBC, que cresce lentamente e quase não metastatiza. A ulceração, que no melanoma é fator prognóstico adverso (reduz a sobrevida em 5 anos de 80% para 55%), no CBC é apenas um sinal de crescimento local, sem implicação sistêmica. O linfonodo sentinela é procedimento indicado para melanomas com espessura de Breslow ≥ 0,8 mm, não para CBC.

A pegadinha da banca está em tentar "melanomizar" o CBC: a alternativa A sugere melanoma nodular e linfonodo sentinela, a C atribui disseminação linfática com alta taxa de metástase, e a D compara a ulceração do CBC à do melanoma. O candidato que não domina a diferença entre os dois tumores cai facilmente. Guarde a fronteira: CBC = crescimento lento, destruição local, raríssima metástase; melanoma = crescimento rápido, potencial metastático real, ulceração como marcador de pior prognóstico.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O diagnóstico de melanoma nodular está errado. O melanoma nodular é um nódulo profundamente pigmentado (preto-azulado ou polipoide), de crescimento vertical rápido, que surge de novo em tronco, cabeça e pescoço. O quadro descrito — pápula translúcida, bordas peroladas, telangiectasias e vasos arboriformes — é típico de CBC nodular, não de melanoma. Além disso, o linfonodo sentinela é indicado para melanomas com espessura de Breslow ≥ 0,8 mm, não para CBC, que raramente metastatiza.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O quadro clínico e dermatoscópico é clássico do carcinoma basocelular nodular: pápula translúcida com bordas peroladas, telangiectasias superficiais, ulceração central e vasos arboriformes à dermatoscopia. O tratamento de escolha é a excisão cirúrgica com margens adequadas (4 mm para lesões de baixo risco), que permite confirmação histopatológica e cura na grande maioria dos casos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O CBC tem crescimento local e raríssima metastatização (menos de 0,1% dos casos). A disseminação linfática com alta taxa de metástase regional é característica de outros tumores, como o carcinoma epidermoide (que metastatiza em 5% a 40% dos casos, dependendo do contexto). A via de disseminação do CBC é essencialmente local, por invasão direta dos tecidos adjacentes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A ulceração no CBC é um sinal de crescimento local e destruição tecidual, sem implicação prognóstica sistêmica. No melanoma, a ulceração microscópica é fator prognóstico adverso, reduzindo a sobrevida em 5 anos de 80% para 55%. A banca tenta transferir o significado prognóstico da ulceração do melanoma para o CBC, o que é incorreto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A radioterapia não é superior à cirurgia no tratamento do CBC de região nasal. A excisão cirúrgica é o padrão-ouro, pois permite análise histopatológica completa e tem altas taxas de cura. A radioterapia é reservada para pacientes inoperáveis, idosos frágeis ou como adjuvante em casos selecionados, mas não substitui a cirurgia em lesões ressecáveis.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato atribuindo ao CBC características do melanoma: linfonodo sentinela (A), metástase linfática (C) e ulceração como marcador sistêmico (D). O CBC é um tumor de crescimento lento, destruição local e metastatização raríssima — a ulceração nele é apenas sinal de crescimento, não de pior prognóstico sistêmico. Reconhecer os vasos arboriformes e as bordas peroladas como assinatura do CBC é a chave para não cair nessas armadilhas.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, ao ver "pápula translúcida com bordas peroladas e telangiectasias", pense imediatamente em CBC nodular. Na dermatoscopia, vasos arboriformes + ausência de rede pigmentar confirmam o diagnóstico. Lembre-se: CBC raramente metastatiza; se a alternativa falar em linfonodo sentinela ou metástase linfática, está errada.

Gabarito: letra B

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